O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria, nesta quinta-feira, para derrubar a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) e anular os votos nele no primeiro turno da disputa pelo Palácio Guanabara, abrindo caminho para que Douglas Ruas (PL) seja proclamado vencedor do pleito.
Aos 37 anos, o ex-secretário da gestão de Cláudio Castro será o mais jovem a liderar o estado desde 1959 e superará o próprio Garotinho como líder do Executivo estadual mais novo desde a redemocratização. Quem é Douglas Ruas, governador virtualmente eleito do Rio após decisão do TSE sobre votos de Garotinho
Da retomada de territórios a escolas cívico-militares: 63 promessas de Douglas Ruas, governador virtualmente eleito do Rio Levantamento feito pelo GLOBO aponta que, em 67 anos, apenas Roberto Silveira era mais jovem que Ruas ao assumir o poder — ele tomou posse como governador do Rio aos 35 anos.
O novo chefe do Executivo estadual era secretário da gestão de Cláudio Castro, que foi o vice-governador mais jovem, com 41 anos, ao ser eleito na chapa do então governador Wilson Witzel, que tinha 50 em 2018. A vice de Ruas, Fernanda Louback (PL), tem 46 anos.
Em 1999, Garotinho — cujos votos estão no centro da controvérsia eleitoral fluminense — foi o mais jovem a assumir o governo do Rio, com um ano a mais que Ruas, 38. A mulher do político, Rosinha Garotinho, o sucedeu em 2003, aos 39 anos, e foi seguida por Sérgio Cabral, que tinha 43 e cujo vice, Luiz Fernando Pezão, depois foi eleito governador, com 58.
Os registros históricos citam ainda o jornalista e pensador Alberto Torres como um dos mais jovens líderes do estado do Rio (à época chamados presidentes dessas porções do território), com 32 anos. O advogado e jornalista Nilo Peçanha, por sua vez, estreou à frente do Palácio Guanabara aos 36.
Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL) ultrapassa a marca de 50% dos votos válidos com a anulação dos votos de Garotinho no primeiro turno. Com isso, nem precisa enfrentar uma nova votação contra o segundo colocado, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).
Na apuração inicial, Ruas recebeu 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% na contagem que incluía os votos de Garotinho. O ex-governador disputou a eleição enquanto recorria do indeferimento de seu registro de candidatura.
A exclusão de seus votos reduziu o total considerado válido e permitiu a vitória do candidato do PL sem segundo turno. Ruas é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e chegou à disputa pelo Palácio Guanabara durante seu primeiro mandato como deputado estadual.
Policial civil concursado, construiu sua trajetória na administração pública com passagens pela prefeitura comandada pelo pai e pelo governo Cláudio Castro (PL), no qual ocupou a Secretaria das Cidades. De São Gonçalo à política estadual
Nascido em São Gonçalo em 17 de janeiro de 1989, Douglas Ruas dos Santos é formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduado em Gestão Pública pela mesma instituição. É casado com Mariana Barbosa e pai de Miguel.
Antes de conquistar um mandato, ocupou cargos nos governos municipal e estadual. Foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo entre 2017 e 2018 e superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) entre 2019 e 2020.
Em 2021, na gestão do pai, assumiu a Secretaria municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais. Na prefeitura, trabalhou na elaboração de projetos e na articulação com os governos estadual e federal para captar recursos.
Em 2022, disputou sua primeira eleição e conquistou uma cadeira na Alerj com 175.977 votos, a segunda maior votação para deputado estadual naquele ano. Secretário de Cláudio Castro
A passagem inicial pelo Legislativo foi interrompida em setembro de 2023, quando Ruas se licenciou do mandato para assumir a Secretaria estadual das Cidades, a convite de Castro. Na pasta, responsável por investimentos em infraestrutura urbana em parceria com prefeituras, permaneceu até março de 2026.
Durante esse período, atuou em projetos de pavimentação, drenagem, construção e recuperação de pontes, mobilidade e requalificação de espaços públicos. A secretaria lhe deu atuação em municípios de diferentes regiões do estado, ampliando sua presença para além da base eleitoral em São Gonçalo.
Presidência da Alerj antes da eleição De volta à Assembleia, Ruas chegou à presidência da Casa em meio à crise política aberta pela renúncia de Castro ao governo e pela cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, que comandava o Legislativo.
Uma primeira votação, em 26 de março, foi anulada pela Justiça porque ocorreu antes da retotalização dos votos de 2022, necessária para definir a nova composição da Alerj. Em 17 de abril, o deputado foi eleito novamente, em uma sessão esvaziada pela oposição.
O comando da Assembleia se tornou mais uma etapa de sua ascensão política no ano em que disputou o governo estadual pelo PL. Na corrida pelo Palácio Guanabara, Ruas concorreu pela coligação Rio Real, formada por PL, Mobiliza, Agir e Avante.
Sua companheira de chapa, Fernanda Louback, também do PL, foi eleita vice-governadora.
O Globo