Trump pode perder o controle do Congresso nesta terça; veja o que muda para o Brasil e o caso Flávio Bolsonaro

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

A disputa pela Câmara e pelo Senado pode enfraquecer o presidente americano e abrir caminho para investigações sobre a atuação de seu governo nas eleições brasileiras e a relação com Flávio Bolsonaro Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

As eleições de meio de mandato nos EUA, realizadas nesta terça-feira (3), podem tirar dos republicanos o controle do Congresso e impor novos obstáculos ao governo de Donald Trump. A disputa envolve todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, e uma vitória democrata pode ampliar a fiscalização sobre as decisões da Casa Branca.

Para o Brasil, o resultado também tem importância. Parlamentares democratas querem explicações sobre a atuação do governo americano nas eleições brasileiras e a relação com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem na metade do mandato presidencial de quatro anos nos Estados Unidos. Embora não escolham diretamente o presidente, funcionam como uma avaliação do governo e podem mudar o equilíbrio de forças no Congresso.

Nesta terça-feira (3), os americanos elegem os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 senadores. Também há eleições para governadores em 36 estados.

Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas. Na Câmara, possuem 218 deputados, contra 214 democratas, além de duas vagas abertas e um independente alinhado aos republicanos.

Os democratas precisam conquistar quatro cadeiras líquidas para assumir a maioria. No Senado, os republicanos têm 53 vagas, enquanto os democratas contam com 47.

A oposição também precisa de quatro cadeiras líquidas para conquistar o controle. De acordo com o The Independent, a disputa acontece em meio ao desgaste da popularidade de Donald Trump.

O aumento do custo de vida, a inflação e os efeitos econômicos da guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã estão entre os fatores que pesam sobre a avaliação do presidente. Segundo uma média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times, a desaprovação de Trump chegou a 61%, enquanto a aprovação estava em 36%.

O cenário tem favorecido as expectativas dos democratas, embora uma vitória expressiva não seja garantida. Os republicanos também contam com vantagens financeiras na campanha e apoio de parte do eleitorado.

Se os democratas conquistarem ao menos uma das Casas, Trump enfrentará maior resistência para aprovar projetos e terá de lidar com uma oposição mais forte na fiscalização do governo. Uma vitória democrata pode ampliar a fiscalização sobre a administração Trump.

Com maioria na Câmara, a oposição poderá controlar comissões parlamentares, convocar autoridades, solicitar documentos e abrir investigações sobre decisões do governo. O líder democrata Hakeem Jeffries, de Nova York, é apontado como provável nome para assumir a presidência da Câmara caso seu partido conquiste a maioria.

No Senado, os democratas também poderiam ganhar influência sobre a confirmação de autoridades e indicações para o Judiciário. Isso não significa que Trump perderia automaticamente o poder de governar ou conduzir a política externa.

O presidente mantém instrumentos próprios para tomar decisões diplomáticas, mas um Congresso oposicionista pode aumentar os custos políticos de suas ações. O Brasil aparece no debate americano por causa das cobranças de parlamentares democratas sobre a atuação do governo Trump durante as eleições brasileiras de 2026.

Uma reportagem investigativa da Reuters apontou que dois integrantes do Departamento de Estado americano, Darren Beattie e Ricardo Pita, teriam trabalhado para favorecer o retorno da família Bolsonaro ao poder no Brasil. Segundo dez autoridades americanas, atuais e antigas, ouvidas pela agência, os funcionários teriam defendido medidas contra o Brasil e inicialmente apoiado Jair Bolsonaro.

Após a condenação do ex-presidente, em setembro de 2025, a estratégia teria passado a favorecer a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro. A reportagem também mencionou a atuação de integrantes do governo americano em iniciativas relacionadas às sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

A Reuters ressaltou que não conseguiu determinar até que ponto essas iniciativas partiram de ordens diretas da Casa Branca ou do secretário de Estado, Marco Rubio. Em setembro, 31 parlamentares democratas enviaram uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, questionando medidas do governo Trump em relação ao Brasil, incluindo tarifas comerciais, sanções contra Alexandre de Moraes e a revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Em 30 de outubro, congressistas também cobraram explicações sobre o suposto envolvimento da Casa Branca na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, apesar de uma proibição judicial mencionada pelos parlamentares. A deputada democrata Pramila Jayapal declarou que uma eventual maioria de seu partido na Câmara poderia abrir caminho para investigações sobre a atuação do governo Trump em favor de Flávio e sobre a participação da Meta nas eleições brasileiras.

Para o diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, uma mudança no controle do Congresso pode transformar as cobranças feitas por meio de cartas em investigações com maior capacidade de exigir respostas e reunir provas. O especialista ressalta, porém, que isso dependerá das prioridades da nova maioria e poderá enfrentar resistência política e disputas judiciais.

Uma eventual derrota dos republicanos pode aumentar a pressão sobre Trump em relação à política adotada com o Brasil, marcada pelo tarifaço sobre produtos brasileiros e por atritos diplomáticos entre os dois governos. O Congresso também poderia ampliar a fiscalização sobre possíveis interferências na política brasileira e sobre o uso de instrumentos do governo americano em benefício de aliados políticos estrangeiros.

Apesar disso, a vitória democrata não significa uma mudança automática na política externa dos Estados Unidos. O presidente mantém ampla margem de atuação nas relações internacionais, mesmo sem maioria parlamentar.

A principal diferença seria o aumento da capacidade do Congresso de questionar decisões, exigir justificativas e pressionar a administração. Não existe um horário único para a divulgação dos resultados.

As primeiras projeções começam a aparecer após o fechamento das urnas em cada estado, mas disputas apertadas podem levar dias ou até semanas para serem definidas. Por isso, mesmo com a votação concentrada nesta terça-feira (3), a confirmação de qual partido controlará a Câmara e o Senado poderá demorar.

O resultado será importante não apenas para o futuro político de Donald Trump, mas também para a relação entre Estados Unidos e Brasil, especialmente após as cobranças envolvendo Flávio Bolsonaro. Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil.

Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023. Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público.

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