Antes de crise bancária, bolsonarismo vendia Paraguai como 'exemplo para a América Latina'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O chamado foi feito por Luciano Hang, dono das lojas Havan. “Empresários brasileiros, venham para o Paraguai!”, conclamou.

“Aqui empresário não paga a ineficiência do governo. Aqui você paga poucos impostos.

Pode se desenvolver, pode crescer”, animou-se o bilionário catarinense. O Louro José do bolsonarismo estava empolgado.

Convidado pelo presidente Santiago Peña, aproveitou a viagem para propagandear as maravilhas de Assunção. “Olha só os prédios.

Muita modernidade! Você nota nas ruas e nas pessoas a alegria. Parabéns, Paraguai!”, derramou-se.

Os áulicos de Peña devem ter se enciumado. Em visita ao palácio presidencial, Hang descreveu a gestão de direita como um “exemplo para toda a América Latina”.

“Fiquei impressionado. Eles estão no governo para servir o país”, enalteceu, estendendo as loas a ministros e assessores.

Até a vitória da seleção paraguaia sobre a Alemanha, uma das maiores zebras da Copa, virou pretexto para bajular o presidente. “Fazendo o certo, dá certo”, enalteceu o dono da Havan.

A sabujice não deu sorte aos anfitriões. O Paraguai foi eliminado no jogo seguinte, ao perder para a França.

Peña renunciou ontem, quatro meses depois da visita de Hang. O presidente caiu em meio a uma onda de protestos pela quebra do Ueno Bank.

O escândalo deixa o caso Master no chinelo. Em três anos, o banco paraguaio acumulou quase 3 milhões de correntistas, o equivalente a 60% da população adulta do país.

Peña tem tudo a ver com a crise. Acionista do Ueno até o ano passado, entregou o comando do Banco Central do Paraguai a um ex-diretor do conglomerado.

Apesar dos aportes de dinheiro público, o banco maquiava balanços para esconder sua insolvência. O autodenominado Véio da Havan não foi o único brasileiro a vender a ilusão paraguaia.

Em campanha ao Planalto, Flávio Bolsonaro elogiou o aliado de Donald Trump por “modernizar o Estado” e “investir em governo digital”. “Parabéns ao Paraguai pela visão de futuro”, exaltou.

Se escapar da cadeia, Peña é candidato a reencontrá-lo em breve. Na Flórida.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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