Angra (Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, 27/09/2026)

Angra (Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, 27/09/2026) - Foto
Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Guilherme DiasPostado em 08 de novembro de 2026 Uma das certezas que os gaúchos fãs de Angra podem ter é que, todos os anos, o estado recebe shows da banda.

Celebrando os 30 anos do álbum "Holy Land", a visita ao Rio Grande do Sul rendeu apresentações em Caxias do Sul e Porto Alegre. Na capital, o palco escolhido foi o Auditório Araújo Vianna.

Um pouco antes das 20 horas, a banda peruana Flor de Loto foi a responsável pela abertura do evento. Com uma mistura de rock progressivo e folk andino, os músicos Alonso Herrera (vocais e guitarra), Ingrid Castro (vocais), Checo Quena (flauta), Juan Anton (guitarra), Alejandro Jarrín (baixo) e Álvaro Escobar (bateria) apresentaram um repertório focado no último disco, "Beyond the Cosmos", lançado neste ano.

A primeira música do setlist foi justamente "Viaje al Cosmos", que abre o álbum. "Eclipse", gravada com Roy Z, e "Volver a Nacer" foram os destaques da apresentação, juntamente com uma versão de "Locomotive Breath", do Jethro Tull, que combinou bastante com a sonoridade do grupo.

Apesar de todos serem muito talentosos, quem roubou a cena foi Checo, que mostrou muita técnica e virtuosismo com sua flauta. Alonso se mostrou bastante emocionado por estar se apresentando no Brasil e, ao final do show, agradeceu muito as palmas da plateia e declarou que a Flor de Loto pretende voltar ao país.

Às 21 horas e 10 minutos, as luzes do auditório se apagaram e foi possível ouvir a trilha "Crossing", que abre o álbum "Holy Land". Com um sonoro "boa noite, Porto Alegre", Alírio Neto (vocais) fez a sua estreia como vocalista do Angra na capital gaúcha cantando o clássico "Nothing To Say", ao lado dos velhos conhecidos da plateia: Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa (guitarras), Felipe Andreoli (baixo), Bruno Valverde (bateria) e o convidado especial Guga Machado (percussão).

Com um ótimo início de show, os músicos mantiveram um altíssimo nível em "Silence and Distance", com Alírio também se destacando além dos vocais ao iniciar a música no piano, instrumento que domina plenamente. Ao pedir para o público fazer barulho, Alírio ganhou o seu nome cantado por todos na plateia e, em seguida, fez um dueto vocal com os fãs, ficando extremamente satisfeito com o desempenho do público.

Uma das mais esperadas da noite, a longa "Carolina IV" ficou impecável e agradou a todos. "Holy Land", "The Shaman", "Make Believe" e "Z.I.T.O." foram apresentadas em sequência, sem nenhuma interrupção.

Para "Deep Blue", o vocalista pediu para todos na plateia ligarem as lanternas dos celulares e dedicou a canção a André Matos. Na sequência, Rafael foi ao microfone para conversar com a plateia.

Disse que era muito bom voltar à cidade, exaltou a casa de shows e agradeceu a receptividade dos gaúchos ao longo dos 35 anos de banda. Também pediu palmas para Alírio, destacando sua chegada como o início da quarta geração do Angra.

Rafael ainda ressaltou a importância de "Holy Land", disco que colocou o Angra no cenário mundial do heavy metal e reforçou a presença da cultura brasileira na música da banda. Por fim, definiu "Lullaby For Lucifer" como uma canção de ninar, a mais calma da noite.

O primeiro ato da apresentação mostrou um entrosamento brilhante entre os músicos, que, após uma pequena pausa, retornaram ao palco para apresentar mais de sua rica discografia. A primeira música do retorno foi "Angels and Demons", uma das favoritas do público, presente no álbum "Temple of Shadows", de 2004.

Voltando ainda mais no tempo, foi a vez de "Stand Away", do álbum de estreia do Angra, "Angels Cry", lançado em 1993. Antes dos primeiros acordes, Alírio perguntou quem estava cansado e, diante das respostas negativas, a apresentação seguiu com a mesma energia.

Do material mais recente, a escolhida foi "Tide of Changes", de "Cycles of Pain" (2023), que ganhou uma ótima interpretação com o novo vocalista. O cover do clássico de Kate Bush, "Wuthering Heights", gravado para "Angels Cry", também agradou aos fãs.

Ao introduzir "Waiting Silence", também de "Temple of Shadows", Rafael destacou a importância e o reconhecimento alcançados pelo álbum, ressaltando a relevância da obra para o heavy metal nacional e para a cultura e a música brasileira. "Olha só, estamos chegando ao final, gostaria de agradecer, todos vocês são demais.

Na próxima música vamos fazer um dueto, o Rafa sempre fala sobre continuidade e essa música fala sobre isso", disse Alírio antes do maior clássico do Angra, "Carry On", apresentado na íntegra, diferente de outros anos, quando o público recebia apenas uma parte da música, sem o refrão final.

Bastante comunicativo, Rafael então falou: "Agora é aquele momento de fé e coragem, que isso não nos falte nunca. Ontem estivemos em Caxias do Sul, lembramos da enchente, precisamos de um Brasil melhor sempre" e, em seguida, apresentou "Rebirth".

Após um breve silêncio, os gritos de "olé, olé, olá, Angra, Angra" tomaram conta do auditório, enquanto "In Excelsis" era reproduzida como trilha de fundo, anunciando "Nova Era", que fechou a noite de forma brilhante. A primeira apresentação da quarta geração do Angra em Porto Alegre mostrou a banda em altíssimo nível, com ótimo entrosamento e clima entre os músicos.

Além disso, a qualidade sonora esteve muito boa e o visual de palco moderno ganhou destaque com bastante animação nas telas. Alírio parece ser uma excelente escolha para o presente e o futuro do Angra, mostrando que a banda encontrou um vocalista capaz de assumir esse novo momento com personalidade.

Porto Alegre aguarda os próximos planos da banda para recebê-la de braços abertos, como sempre.

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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