Analistas veem pressão sobre margens da Usiminas após trimestre fraco no setor siderúrgico

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A Usiminas registrou Ebitda de R$ 558 milhões no terceiro trimestre de 2026, resultado inferior às projeções de todas as instituições financeiras que avaliaram o desempenho da companhia. O balanço evidenciou a pressão sobre a rentabilidade das operações, mesmo com o aumento dos embarques de aço em relação ao trimestre anterior.

Os números e as avaliações de mercado foram reunidos em reportagem publicada pelo Valor Econômico nesta sexta-feira (30), assinada por Victor Meneses, Felipe Laurence e Cibelle Bouças. Itaú BBA, Citi, XP Investimentos e BB Investimentos identificaram dificuldades operacionais e perspectivas desafiadoras para os próximos trimestres, com diferenças na avaliação sobre o desempenho da mineração e o potencial de valorização das ações.

O Ebitda ficou aproximadamente 5% abaixo da estimativa do Citi, 9,8% aquém da projeção do Itaú BBA e 12% inferior à expectativa da XP. A distância entre os resultados efetivos e as previsões reforçou a avaliação de que a empresa ainda não conseguiu recuperar a rentabilidade da divisão siderúrgica.

O aumento dos volumes comercializados não foi suficiente para compensar a elevação das despesas operacionais. Os embarques de aço cresceram em comparação com o segundo trimestre, impulsionados principalmente pela demanda dos setores automotivo e de distribuição.

Entretanto, a alta dos custos de placas, coque, energia e outros insumos reduziu os ganhos obtidos com a expansão das vendas. A desvalorização cambial também contribuiu para pressionar a estrutura de custos da companhia.

Ao mesmo tempo, os preços do aço no mercado brasileiro continuam em níveis considerados insuficientes pelos analistas para permitir uma recomposição consistente das margens. Perspectivas mais difíceis para o quarto trimestre

As projeções para os últimos três meses de 2026 são ainda mais desfavoráveis. A própria administração da Usiminas sinalizou que o desempenho operacional da siderurgia deverá ser inferior ao registrado no terceiro trimestre.

Outro fator de preocupação é a possível deterioração do perfil das vendas. Com a desaceleração sazonal da demanda doméstica, os analistas avaliam que a companhia poderá ampliar as exportações para compensar a redução dos volumes comercializados internamente.

A estratégia, contudo, apresenta uma limitação para a rentabilidade: as vendas destinadas ao mercado externo normalmente proporcionam margens menores do que aquelas obtidas no mercado brasileiro. Assim, mesmo que a empresa consiga preservar os volumes embarcados, a composição das receitas poderá continuar prejudicando seus resultados.

Mineração também enfrenta dificuldades A divisão de mineração apresenta outro foco de preocupação para as instituições financeiras.

Itaú BBA e BB Investimentos identificaram uma deterioração relevante da rentabilidade do segmento, associada à combinação de preços mais baixos do minério de ferro, redução dos volumes vendidos e fretes marítimos elevados. O BB Investimentos apontou que a margem Ebitda da mineração atingiu seu menor nível histórico.

A avaliação indica que as dificuldades da companhia não estão restritas à produção de aço, mas também alcançam a atividade de extração e comercialização de minério. O Citi apresentou uma interpretação menos pessimista.

Embora tenha reconhecido os problemas operacionais, o banco avaliou que o desempenho da mineração superou suas expectativas, atribuindo o resultado ao controle disciplinado dos custos e das despesas. A XP Investimentos adotou uma posição intermediária entre as avaliações.

A instituição reconheceu a piora operacional e chamou atenção para a combinação de preços mais baixos do minério de ferro e custos logísticos elevados, fatores que limitam a recuperação da rentabilidade. Bancos mantêm cautela com as ações da Usiminas

As preocupações também alcançam as perspectivas de médio prazo. A XP Investimentos demonstrou cautela em relação a 2027, considerando que a manutenção de juros elevados e um ambiente econômico doméstico mais desafiador podem dificultar uma recuperação consistente da demanda por aço e das margens da companhia.

O BB Investimentos compartilha essa avaliação e considera limitadas as possibilidades de recuperação das ações no curto prazo, diante da ausência de fatores capazes de impulsionar uma valorização mais consistente. A instituição promoveu a única alteração de recomendação entre os relatórios analisados, rebaixando a classificação dos papéis da Usiminas de compra para neutra.

Apesar da mudança, manteve o preço-alvo em R$ 8,50 por ação. O Citi permanece como a instituição mais otimista entre as casas avaliadas, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9 por ação.

Itaú BBA, XP Investimentos e BB Investimentos mantêm recomendações neutras, com preços-alvo situados entre R$ 8 e R$ 8,50. As avaliações apontam, portanto, para um período de compressão simultânea das margens nas operações de siderurgia e mineração, com perspectivas de recuperação limitadas no curto prazo.

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