"Tripulação, preparar para a decolagem!" Para um grupo de estudantes da rede pública de ensino de Vitória, esta sexta-feira (30) foi de frio na barriga, descobertas e uma lembrança para guardar: o primeiro voo em um avião. Longe das salas de aula, os alunos trocaram os cadernos por uma aventura nas alturas e conheceram de perto uma parte do Aeroporto de Vitória que poucos passageiros chegam a ver.
Entre os estudantes que viveram a experiência da viagem aérea estavam Alice Meschiatti da Silva, Laura Nunes de Sena e Luiz Otavio Conceição Santos. Os alunos são de duas escolas municipais de Vitória: a EMEF Eber Louzada Zippinotti, de Jardim da Penha, e a EMEF Juscelino Kubitschek, de Maria Ortiz.
Eles participaram de um voo que foi até Guarapari e, depois, retornou ao aeroporto da Capital. Além de voar, eles puderam conhecer os bastidores do aeroporto, chegar perto de um helicóptero e descobrir que, por trás de cada decolagem, há muito mais profissionais envolvidos do que apenas os pilotos.
A visita também permitiu falar sobre o futuro. Entre os estudantes, havia quem sonhasse em ser médico, professor ou comissária de bordo.
O contato com novas profissões, porém, mostrou que ainda existem muitos caminhos a descobrir. Para a estudante Sophia Portugal, um dos momentos mais marcantes foi conhecer um helicóptero de perto, algo que nunca havia feito.
Está sendo muito legal, muito divertido. Estou vivendo experiências novas.
Nunca tinha chegado tão perto de um helicóptero. O passeio foi parte do projeto "Despertar para Profissões – Aviação Offshore", da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A proposta é mostrar aos estudantes como funciona o dia a dia de um aeroporto e apresentar profissões que muitas vezes passam despercebidas por quem está apenas de passagem pelo terminal. No Aeroporto de Vitória, os alunos visitaram o hangar da empresa Bristow e conheceram um helicóptero usado no transporte de trabalhadores para plataformas de petróleo e gás.
Também conversaram com pilotos, mecânicos de aeronaves e bombeiros de aeródromo, além de conhecerem o caminhão de combate a incêndios "Faísca". E não foram apenas as crianças que aprenderam.
A professora Iza Maestri, da Escola Juscelino Kubitschek, acompanhou uma turma do 7º ano e contou que também descobriu coisas que desconhecia sobre o funcionamento do aeroporto. "Nós viajamos, mas não sabemos o que há por trás. Estou aprendendo junto com eles", afirmou.
O passeio também fez alguns estudantes repensarem o que querem ser quando crescerem. Um deles, por exemplo, chegou ao aeroporto pensando em cursar medicina, mas, depois de conhecer os helicópteros e a rotina dos profissionais, passou a considerar a carreira de piloto.
A história foi contada pela gerente do Aeroporto de Vitória, Danielle Stevanin, que acompanhou a visita. Para ela, ver a reação dos alunos, especialmente daqueles que nunca tinham estado tão perto de uma aeronave, foi um dos pontos mais marcantes do dia.
É muito emocionante ver a alegria dessas crianças. Algumas já tinham vindo ao aeroporto para trazer algum parente, outras nunca tinham chegado perto.
Danielle Stevanin gerente do Aeroporto de Vitória Danielle explica que, embora o transporte de trabalhadores para plataformas de petróleo e gás faça parte da rotina da aviação capixaba, muitas crianças ainda desconhecem esse tipo de operação e as profissões ligadas a ela.
Em Macaé, no Rio de Janeiro, por exemplo, a atividade é mais conhecida pela forte presença da indústria de petróleo e gás. Em Vitória, segundo a gerente, a visita ajudou a mostrar um lado do aeroporto que normalmente fica longe dos olhos do público.
"Trazer essas crianças para conhecer os bastidores, ver o que é uma operação com helicóptero e como funcionam as profissões é mais do que desenvolvimento. É desenvolvimento social também, para que tenham oportunidades de futuro dentro do nosso aeroporto", destacou.
Se para os alunos a sexta-feira foi de descobertas, para quem trabalha no setor a visita também serviu para mostrar uma área que precisa de novos profissionais. O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, explicou que a aviação brasileira enfrenta falta de trabalhadores especializados, principalmente mecânicos, engenheiros e pilotos.
Segundo ele, o mercado ainda sente os efeitos da pandemia de Covid-19, período em que perdeu parte desses profissionais. "Hoje temos falta de mecânicos e engenheiros.
As companhias aéreas estão precisando de mecânicos de aeronaves e os pilotos também estão sendo muito disputados", afirmou. Para Faierstein, apresentar essas carreiras ainda na escola pode ajudar os jovens a enxergar possibilidades que talvez nunca tivessem considerado.
"Muitas pessoas voam no Brasil, mas muitas também não voam, principalmente crianças. Então, elas não sabem as oportunidades que existem", disse.
Além de conhecer as aeronaves, os estudantes também descobriram o trabalho de quem atua nos pátios, na manutenção, no combate a incêndios e na segurança das operações. São funções que nem sempre aparecem para os passageiros, mas fazem parte da rotina de qualquer aeroporto.
A Gazeta