Belo Horizonte – A deputada federal eleita por Minas Gerais ,Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, reagiu a críticas por escolta policial que a acompanha após receber ameaças de morte, estupro e ataques racistas. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a jovem leu o conteúdo de um e-mail enviado por um homem que assina como Pedro e descreve, em detalhes, ameaças de violência sexual e assassinato contra ela.
A manifestação ocorreu após uma mulher questionar a presença de policiais na porta da residência da parlamentar. No vídeo, a crítica associa a escolta a uma suposta contradição entre posições políticas de esquerda e a defesa do policiamento armado.
Ana Elisa contestou a interpretação e afirmou que nunca se posicionou contra a atuação policial. Segundo ela, é contrária à violência policial, o que considera diferente de ser contra o policiamento.
“Eu nunca disse em nenhum lugar que eu sou contra policiamento. Eu sou contra violência policial, que é uma coisa completamente distinta”, afirmou.
Ao responder às críticas, Ana Elisa apresentou o conteúdo de uma mensagem que recebeu por e-mail. O texto, assinado por alguém que se identifica como Pedro, contém ameaças explícitas de estupro e assassinato, além de insultos racistas e referências à cor da pele da parlamentar.
Na mensagem, o autor afirma saber onde ela mora e descreve a intenção de invadir a residência, agredi-la sexualmente e matá-la. O conteúdo também faz ataques à atuação política da jovem e utiliza expressões racistas para desumanizá-la.
“Esse é o e-mail mais leve que eu recebo”, declarou a deputada ao mostrar a mensagem. A ameaça não é um episódio isolado.
Em setembro, ainda durante a campanha eleitoral, Ana Elisa denunciou ter recebido mensagens racistas e ameaças de morte e violência sexual. O caso foi registrado para investigação.
Na ocasião, a equipe jurídica da candidata informou que o autor também mencionava dados pessoais dela e de familiares. Um post compartilhado por ana elisa (@anaelisast)
No vídeo, Ana Elisa afirma que a escolta é uma medida de proteção diante das ameaças e que não gostaria de precisar de segurança particular. Segundo ela, a exposição de sua residência e dos policiais que fazem a proteção aumentou a sensação de vulnerabilidade.
“Eu não gostaria de estar com polícia agora. Eu não gostaria de estar com escolta agora.
Eu não gostaria que a minha casa estivesse cercada de câmera”, disse. A deputada também relatou que gostaria de viver a rotina de uma jovem de 21 anos, mas que passou a ter restrições desde que foi eleita.
“Eu me candidatei, eu ganhei uma eleição, desde então eu perdi a minha liberdade tendo ganhado uma eleição”, afirmou. Em outro momento, a parlamentar pediu que as divergências políticas não sejam usadas para justificar ataques e ameaças contra mulheres.
“Eu não desejo nem pra ela [pessoa que publicou o vídeo com a crítica], nem pra nenhuma mulher neste mundo que passe pelo que eu tô passando, independentemente das suas opiniões políticas e ideológicas”, declarou. Ana Elisa ainda questionou quem critica a escolta sem considerar as ameaças que recebe e pediu que a autora do comentário procure saber o motivo da proteção.
“Pergunte pro Pedro por que ele mandou esse e-mail pra mim”, afirmou.
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