Ana Elisa atribui virada de Lula em Minas a trabalho nas ruas e nas redes, e defende diálogo com Cleitinho

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Fonte da notícia: Valor Valor

A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), que participou da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atribuiu o resultado do candidato no segundo turno a um trabalho integrado nas ruas e nas mídias digitais. Em Minas Gerais, único Estado onde houve virada de votos, o resultado deveu-se, segundo ela, a um trabalho intenso e organizado.

A deputada eleita também defendeu o diálogo entre o presidente reeleito e o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), que apoiou a candidatura do adversário Flávio Bolsonaro (PL). Gráficos: Veja resultado do 2º turno para presidente por Estado e região

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"Nós fizemos um trabalho muito intenso em Minas. Em cada região do Estado, cada pessoa ficou responsável por uma coisa.

Nós ficamos muito bem organizados. O Nordeste sempre entrega o melhor e agora Minas Gerais ficou alinhado ao Nordeste", disse Ana Elisa a jornalistas.

A deputada eleita também disse que esperava uma virada no segundo turno, mas não uma vitória "estrondosa" com mais de quatro milhões de votos à frente de Flávio Bolsonaro (PL). A vitória em Minas é simbólica pelo fato de o Estado, historicamente, refletir o resultado nacional.

Flávio também terminou o primeiro turno na frente em Minas, com 48,24% ante 43,33% para Lula. Na segunda etapa, o petista teve 50,43% entre os mineiros ante 49,57% do adversário.

De acordo com Ana Elisa, cada deputado eleito ou não eleito do partido ficou responsável por atuar na região onde obteve mais votos no primeiro turno, para buscar ampliar a votação para Lula. "Eu fui a Brasília conversar com a equipe de comunicação e a coordenação do presidente Lula.

E, posteriormente, fiquei com a responsabilidade de trazer a juventude para Minas, para os Estados e as capitais. Fui em todos os Estados que consegui nos últimos 15 dias.

Acredito que nós entregamos um trabalho excelente", afirmou. Na avaliação da deputada eleita, foi importante o presidente mudar a forma de se comunicar nas redes sociais, mas faltava engajamento da sociedade civil, o que aumentou no segundo turno.

"O presidente já falou em um de seus discursos, que ele quer dar prioridade para a comunicação digital neste Lula 4. E eu acho que isso é muito importante.

Ele percebeu a diferença que fazem as redes sociais. Ele está animado para entrar inclusive no Exército do Lula, dar os próprios comandos", disse.

Ana Elisa considera importante ter pessoas que defendem o governo nas redes sociais. "Agora nós temos pessoas que nos defendem.

Quem fala por nós somos nós. Nós não deixamos ser interpretados mais.

Quem vai dizer somos nós", afirmou. Ela disse ainda que o foco da equipe de campanha não era o contra-ataque ao adversário, mas diminuir a abstenção, para ampliar a participação de idosos e e para trazer a juventude para o campo progressista.

"Nós retomamos o que era nosso, que eram as ruas, que eram as pessoas, o povo lutando. E agora nós temos também as redes sociais como antes não tínhamos", afirmou Ana Elisa.

A campanha observou que houve um índice alto de abstenção nas cidades universitárias e decidiu trabalhar com os movimentos estudantis e faculdades para estimular os jovens a votarem. "A gente percebeu algo não víamos há muito tempo.

Essa vontade do popular de votar. Os estudantes daqui em Minas e em quase todos os Estados protagonizaram essas eleições no segundo turno", afirmou.

Ela disse que mais idosos também votaram, possivelmente por uma consciência do passado e a decisão sobre o país que querem deixar para as novas gerações. Questionada se fará parte da equipe de comunicação no próximo mandato de Lula, Ana Elisa disse que nunca houve conversa nesse sentido.

Diálogo com Cleitinho Sobre a relação entre o Planalto e o futuro governador do Estado, Ana Elisa disse que é o momento de união de forças.

"Eu faço oposição ao campo ideológico do Cleitinho, sim, mas eu quero trabalhar para que o povo mineiro tenha o melhor. O que eu puder fazer para que a minha relação com o Cleitinho seja estritamente profissional e beneficie todos os mineiros eu vou fazer", afirmou Ana Elisa.

A deputada eleita também disse que Cleitinho já demonstrou ser amigável e aberto ao diálogo e acrescentou que as diferenças partidárias não devem impedir a construção de um trabalho conjunto em favor da população. "Nós somos de campos diferentes, mas que isso não seja empecilho para nós mantermos o bom senso daqueles que nos elegeram", afirmou.

Cleitinho participou no sábado do ato de campanha de Flávio Bolsonaro em Belo Horizonte e esteve com ele no domingo (25), na apuração. O governador eleito havia dito antes das eleições que iria dialogar com o presidente eleito, independentemente de quem vencesse.

Mas ainda não cumprimentou Lula pela vitória e não quis falar sobre o assunto. Pessoas próximas disseram que Cleitinho ficou "chateado" com o resultado da eleição e com acusações de parte dos bolsonaristas de que ele não teria se dedicado o suficiente para ampliar o número de votos para Flávio Bolsonaro.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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