Amorim diz que Trump respeitará resultado das eleições se Lula vencer, apesar de preferência por Flávio Bolsonaro

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respeitará o resultado das eleições brasileiras caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença o segundo turno, no próximo domingo. Embora reconheça que o republicano prefira o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista na disputa, o ex-chanceler não vê risco de que Washington deixe de reconhecer uma eventual reeleição do atual presidente.

— Acho que o presidente Trump vai respeitar. Não significa que vai sair correndo para reconhecer e dizer “que bom”, mas vai respeitar na prática — afirmou Amorim, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Segundo o assessor, Trump não necessariamente comemorará uma vitória de Lula, mas mantém uma relação institucional com o presidente brasileiro. Amorim lembrou que o republicano desejou boa sorte ao petista em uma conversa telefônica.

— Não sei se ele vai elogiar ou não, se vai dizer “viva o Lula”. Ele pode gostar mais de alguém ou de outro, mas respeita o presidente Lula — disse.

A avaliação ocorre em meio às tensões entre o governo brasileiro e a Casa Branca, que envolvem especialmente sanções a autoridades brasileiras e tarifas comerciais. Trump demonstrou simpatia por Flávio Bolsonaro, mas não declarou apoio explícito a nenhum dos candidatos desde o primeiro turno, mas classificou como uma “grande vitória” o desempenho do senador, que terminou à frente de Lula em 4 de outubro.

Para Amorim, é “muito grave” o episódio envolvendo a Meta, que, segundo a campanha de Lula, teria prejudicado o alcance de perfis ligados ao presidente e favorecido, por meio de mecanismos algorítmicos, contas relacionadas a Flávio Bolsonaro. Para o assessor, o caso representa uma interferência política com consequências que não poderão ser revertidas, independentemente do resultado das urnas.

— Isso é uma prova clara de que as grandes redes podem e por vezes interferem nas decisões políticas dos outros países — afirmou. O ex-chanceler, no entanto, evitou atribuir diretamente o episódio à Casa Branca, apesar da proximidade entre grandes empresas de tecnologia e o governo Trump.

Segundo ele, seria necessário examinar as conexões entre os grupos de poder americanos antes de fazer uma acusação desse tipo. Amorim afirmou não ver risco para o Itamaraty porque acredita que Flávio não vencerá a eleição.

Pontuou, porém, que uma eventual influência dessas ideias sobre a política externa brasileira seria “uma coisa terrível”.

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