A Amazon desativou os comandos de voz que permitiam controlar a entrada AUX de vários altifalantes Echo mais antigos. A empresa confirmou a alteração ao The Verge, depois de um cliente ter partilhado um email da Amazon noticiado pelo Ars Technica, segundo relata o Engadget.
Na prática, quem liga um leitor de CDs, um gira-discos ou um telemóvel por cabo ao Echo deixa de poder pedir à Alexa para mudar para essa fonte. O cabo continua a funcionar, mas a comutação passa a ser feita na app.
Os modelos afetados são o Echo Plus de segunda geração (2018), o Echo de terceira geração (2019), o Echo Studio original (2019) e o Echo de quarta geração (2020). Comandos como “Alexa, play from line in” ou “Alexa, set AUX input” deixaram de ter efeito.
A Amazon confirmou a remoção e afirmou ter avisado o que descreve como o número muito reduzido de clientes que usava pedidos de voz para reprodução AUX. Não explicou porquê.
A ligação física de 3,5 mm não foi tocada. Quem tem um Echo compatível ligado por cabo pode continuar a ouvir áudio externo, desde que ative a entrada na app Alexa.
O caminho é abrir a app, escolher o altifalante em Dispositivos, entrar nas definições e localizar AUX Audio. Aí escolhe-se Line In para reproduzir o som de uma fonte externa através do Echo.
Nos modelos que suportam as duas direções, Line Out envia o áudio do Echo para um altifalante ou recetor com cabo. Consoante a versão da app, a opção pode aparecer dentro de Geral.
A diferença é pequena no papel e incómoda no uso diário. Quem tinha o Echo integrado numa cadeia de áudio e alternava entre streaming e uma fonte analógica com um comando de voz passa a precisar do telemóvel ou de outro ecrã para fazer a mesma troca.
Não é uma perda de funcionalidade do hardware, mas é uma perda de conveniência. E, num produto cuja proposta assenta precisamente em controlo por voz, a exceção nota-se.
Os comandos descontinuados geriam a entrada AUX do próprio Echo, não os controlos de reprodução do equipamento ligado. Mesmo antes desta mudança, dar play, pausa ou saltar faixas era sempre feito na fonte, seja um leitor de CDs, um telemóvel ou um computador.
A Alexa apenas mudava o Echo para o modo de entrada. Agora, essa comutação é feita manualmente na app.
O jack de 3,5 mm nos Echo compatíveis pode servir para duas coisas, dependendo do modelo. Como entrada, permite que o altifalante reproduza áudio de uma fonte externa.
Como saída, encaminha o som da Alexa para outro altifalante ou amplificador. É a mesma ligação física, apenas a operar no sentido oposto.
Esta distinção importa para quem está a pensar em comprar um Echo usado ou em reorganizar uma instalação de áudio em casa. Um Echo Dot antigo pode servir para ligar a um amplificador, mas não para receber som de um leitor de cassetes ou de um gira-discos.
Já um Echo de terceira ou quarta geração pode fazer as duas coisas, embora agora sem o atalho de voz. Há um motivo prático para manter estes aparelhos por perto.
Um leitor de CDs dos anos 2000, por exemplo, pode enviar áudio para um Echo Studio original através de um cabo RCA para 3,5 mm. O som continua a sair pelo Echo sem ser preciso comprar um transmissor Bluetooth ou substituir o leitor.
A ligação não mudou. Só a Alexa é que ficou menos cooperativa a ativá-la por voz.
Este tipo de utilização é mais comum do que parece em salas onde convivem equipamentos de gerações diferentes. A Amazon construiu parte da reputação dos Echo em torno da ideia de que o altifalante se adapta ao que já existe em casa.
A remoção dos comandos de voz para AUX não destrói essa ideia, mas retira-lhe uma camada de comodidade que era precisamente o argumento de venda da Alexa. A empresa confirmou a remoção, mas não avançou com uma justificação técnica ou estratégica.
Não se sabe se a decisão está ligada a limitações de processamento nos modelos mais antigos, a uma simplificação do software ou a uma tentativa de empurrar os utilizadores para os serviços de streaming. As fontes disponíveis também não esclarecem se a medida será alargada a outros modelos ou a outras regiões.
Há ainda uma questão de suporte que fica em aberto. A Amazon diz ter notificado os clientes afetados, mas não detalha como nem quando.
Para quem tem um destes Echo ligado por cabo, a mudança pode ter passado despercebida até ao primeiro comando que deixou de funcionar. A app passa a ser o único caminho para ativar a entrada AUX, o que levanta uma dependência adicional do telemóvel e da conta Amazon.
Em Portugal, estes modelos já não estão todos em linha nova, pelo que o efeito prático recai sobretudo em quem os comprou em segunda mão ou os mantém em uso. As fontes fornecidas não indicam preços nem disponibilidade local para eventuais alternativas, pelo que não é possível comparar custos de substituição.
O que é claro é que trocar de Echo por um modelo mais recente pode significar perder a entrada de 3,5 mm. O Echo Dot de quinta geração, por exemplo, já não tem essa ligação.
Quem depende do AUX para ligar equipamento antigo deve verificar as especificações antes de atualizar. O AndroidGeek já tinha abordado este contexto em Google abre 12.ª loja física no jundo e Portugal continua fora do mapa: A Google Store de Houston Galleria abre a 6 de novembro, a 12.ª do mundo e a segunda no Texas.
Portugal continua sem loja física da Google. A leitura editorial possível é esta: a Amazon está a gerir o ciclo de vida do software dos seus produtos de forma silenciosa.
A remoção de comandos de voz é uma alteração pequena, mas mostra que funcionalidades dadas como adquiridas num altifalante inteligente podem desaparecer anos depois. Para quem usa o Echo como hub de áudio de uma sala, a app passa a ser o ponto único de controlo da entrada AUX.
Não é um drama, mas é uma mudança de hábito que convém conhecer antes de o comando falhar. Leiam as últimas notícias do mundo da tecnologia no Google News , Facebook e X (ex Twitter) .
Android Geek