“Amanhã pode ser tarde”: 84 líderes internacionais defendem a soberania do Brasil

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Parlamentares e lideranças políticas de 13 países divulgaram uma carta em defesa da soberania do Brasil e convocaram uma mobilização internacional contra interferências externas no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro. 

Publicado pelo Congresso Pan-Americano, o documento reúne 84 assinaturas e pede que organizações democráticas acompanhem o processo eleitoral e denunciem tentativas de constranger a decisão dos brasileiros. O alerta sintetiza a urgência do apelo: “Amanhã pode ser tarde”.

Intitulada “Pela soberania do Brasil e em Solidariedade ao seu Povo”, a carta do Congresso Pan-Americano denuncia ações do governo de Donald Trump e de empresas dos Estados Unidos que, segundo os signatários, representam ingerência na campanha presidencial. O texto relaciona pressões comerciais, medidas diplomáticas e decisões de plataformas digitais à tentativa de influenciar os rumos políticos do país.

“O Brasil não é o quintal de nenhuma potência. O futuro do Brasil cabe ao seu povo — e a ninguém mais”, afirma o documento.

A iniciativa reúne representantes da Argentina, do Brasil, do Canadá, do Chile, da Colômbia, do Equador, da Espanha, dos Estados Unidos, de Honduras, do México, do Uruguai, do Paraguai e de Porto Rico. Entre os signatários estão o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, ex-ministros, parlamentares, dirigentes partidários e representantes de instituições acadêmicas e políticas.

Carta denuncia tentativa de condicionar o voto dos brasileiros

Os autores afirmam reconhecer, nas pressões dirigidas ao Brasil, práticas que outros povos do continente já enfrentaram. Na avaliação do grupo, a combinação de instrumentos econômicos, políticos e tecnológicos ameaça o direito de cada sociedade de escolher seu governo sem imposições estrangeiras.

“Muitos de nós já enfrentamos, em nossos próprios países, essas mesmas práticas de intimidação, chantagem e coerção, destinadas a distorcer a vontade popular, condicionar os processos democráticos e submeter as decisões soberanas de nossos povos a interesses estrangeiros”, diz a carta.

O documento sustenta que os episódios não devem ser examinados separadamente. Para os signatários, eles integram uma orientação de política externa voltada a preservar a influência de Washington sobre o continente.

As lideranças denunciam que “essas ameaças não constituem fatos isolados, mas expressões de uma política explícita de intervenção, vinculada a uma interpretação renovada da Doutrina Monroe, que busca reafirmar a primazia dos Estados Unidos no hemisfério e influenciar os rumos políticos, econômicos e estratégicos de nossas nações”.

O risco apontado é o de que decisões tomadas fora do Brasil alterem as condições da disputa eleitoral. Segundo o texto, “procura-se condicionar, a partir do exterior, aquilo que cabe exclusivamente aos povos decidir nas urnas”.

Tarifas são apontadas como instrumento de pressão

Na área comercial, a carta recupera a imposição, pelo governo Trump, de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros em julho de 2025. Segundo o documento, o processo judicial contra Jair Bolsonaro foi apresentado entre as justificativas para a medida.

Os signatários registram que, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a legislação utilizada pelo governo não autorizava o presidente a estabelecer aquelas tarifas.

Ainda conforme a carta, a administração Trump recorreu posteriormente a outro instrumento e aplicou uma nova tarifa de 25% em julho de 2026. Dessa vez, o sistema de pagamentos Pix e a regulação brasileira das plataformas digitais apareceram entre os fundamentos mencionados por Washington.

Para os autores, essas medidas transferem à população brasileira os efeitos de uma pressão política externa. “Na prática, elas representam uma forma de punição coletiva imposta ao povo brasileiro”, afirma o documento.

Signatários questionam atuação das plataformas digitais

A carta também dedica atenção ao poder das empresas de tecnologia sobre a circulação de informações durante a campanha. Os representantes afirmam que “as grandes plataformas digitais também se converteram em atores da campanha eleitoral”.

Como exemplo, mencionam a desativação, pela Meta, da conta de publicidade da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dez dias antes do primeiro turno. De acordo com o relato apresentado no documento, a empresa não informou qual regra teria sido descumprida e atribuiu os episódios a “falhas técnicas”.

O texto registra que a Meta negou a intenção de favorecer qualquer candidatura ou ator político. Os signatários, por sua vez, questionam a concentração de poder sobre o debate eleitoral nas mãos de companhias estrangeiras e relacionam esse cenário às pressões comerciais contra a regulação das plataformas.

“Um pequeno número de empresas estrangeiras exerce enorme poder sobre o conteúdo que circula no debate público brasileiro, enquanto o governo dos Estados Unidos utiliza tarifas como instrumento de pressão contra os esforços do Brasil para regulamentá-las”, denunciam.

Sanções, vistos e urnas eletrônicas integram o relato

No campo diplomático, os autores citam sanções e revogações de vistos de magistrados e altos funcionários brasileiros promovidas pelo governo Trump em julho de 2025, em resposta ao processo contra Jair Bolsonaro.

Outro episódio mencionado ocorreu em julho de 2026, quando o Brasil negou a entrada de dois altos funcionários do Departamento de Estado norte-americano. Segundo reportagens da imprensa dos Estados Unidos citadas pela carta, os funcionários pretendiam se reunir com críticos do sistema eleitoral brasileiro e preparar um relatório sobre as urnas eletrônicas.

O documento associa a iniciativa às tentativas do bolsonarismo de desacreditar o sistema de votação em 2022. Relata também que o secretário de Estado Marco Rubio respondeu à decisão brasileira com a revogação do visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington.

Os signatários incluem nessa sequência o fechamento da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos no Brasil dois dias antes do primeiro turno, sob a justificativa de razões de segurança. Conforme o texto, as representações voltaram a funcionar no dia seguinte à votação.

Relação entre Trump e a família Bolsonaro é citada

A carta situa esses acontecimentos no contexto da aproximação política entre Donald Trump e a família Bolsonaro.

“Por trás dessas ações, existe uma aliança política construída e cultivada ao longo de vários anos”, afirmam os autores.

O documento lembra que Eduardo Bolsonaro acompanhou a apuração da eleição presidencial norte-americana de 2024 ao lado de Trump, em Mar-a-Lago. Também menciona um encontro entre o presidente dos Estados Unidos e Flávio Bolsonaro em Washington, em maio de 2026, que, segundo os signatários, não constava da agenda oficial.

A carta destaca que a nova tarifa sobre produtos brasileiros foi imposta poucas semanas depois dessa reunião.

Argentina, Honduras e Colômbia aparecem como antecedentes

Ao ampliar o alerta para outros países, as lideranças afirmam que “o que acontece hoje no Brasil já foi vivido por nossos povos”.

Na Argentina, segundo o documento, Washington ofereceu um pacote de resgate financeiro acompanhado da advertência de que deixaria de ser “generoso” caso o governo fosse derrotado nas eleições.

Em Honduras, os autores relatam que Trump ameaçou rever a assistência norte-americana se o candidato apoiado por ele não vencesse. A carta também menciona o indulto concedido, durante a campanha, ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, condenado por crimes relacionados ao narcotráfico.

Na Colômbia, acrescenta o texto, o presidente dos Estados Unidos condicionou o futuro das relações bilaterais à vitória do candidato que respaldava.

Esses episódios são apresentados pelos signatários como antecedentes que reforçam a necessidade de acompanhamento internacional da eleição brasileira.

Apelo pede vigilância antes, durante e depois do segundo turno

A convocação se dirige a parlamentos, partidos, sindicatos e movimentos sociais das Américas e de outras regiões. O objetivo declarado é mobilizar essas organizações em defesa da liberdade de escolha do eleitorado brasileiro.

“Conclamamos parlamentares, partidos políticos, organizações sindicais e movimentos sociais de nosso hemisfério e de todo o mundo a se manifestarem em defesa da soberania brasileira e do direito inalienável de seu povo de decidir livremente seu futuro”, afirma a carta.

Os autores defendem que essa mobilização acompanhe todas as etapas do segundo turno, inclusive o período posterior à votação.

“Fazemos um chamado para que todas as forças democráticas permaneçam vigilantes, denunciem qualquer tentativa de ingerência externa antes, durante ou depois de 25 de outubro e exijam respeito pleno e irrestrito à vontade popular das brasileiras e dos brasileiros, expressa nas urnas. Amanhã pode ser tarde”, concluem.

Fórum foi criado em Bogotá e reúne lideranças do continente

O Congresso Pan-Americano é um fórum parlamentar das forças democráticas das Américas. Seus encontros anuais buscam construir uma agenda comum para os desafios compartilhados pelos povos da região.

Fundada em Bogotá em 2024, a iniciativa realizou sua segunda edição na Cidade do México, em 2025. O terceiro encontro ocorreu em Montevidéu, em agosto de 2026, com mais de 150 legisladores, ex-presidentes, ministros e lideranças políticas de 15 países do hemisfério.

Confira todas as assinaturas da carta

Alejandro Ocampo Giraldo, vice-presidente do Senado, Colômbia

Ana Herrera Gómez, congressista, Equador

Ana Pimentel, deputada federal, Brasil

Andrés Arauz, ex-ministro coordenador de Conhecimento e Talento Humano, Equador

Angelica Smith, deputada, Honduras

Ariel Navarro, Red Futuro, Argentina

Arisdely Parrales, congressista, Equador

Beatriz Silvia Robles Gutiérrez, senadora, México

Bertha Vélez, congressista, Equador

Bettiana Díaz Rey, senadora, Uruguai

Camila Vallejo, ex-ministra porta-voz geral do governo e ex-deputada, Chile

Carolina Rangel Gracida, secretária-geral do Morena, México

Cecilia Nicolini, deputada do Parlasul, Argentina

Chris Rabb, candidato democrata à Câmara dos Representantes (PA-03), Estados Unidos

Clara López Obregón, ex-senadora e ex-ministra do Trabalho, Colômbia

Constanza Moreira, senadora, Uruguai

Constanza Schönhaut Soto, deputada, Chile

Deanes Alejandro Martín, parlamentar do Mercosul, Argentina

Don Davies, membro do Parlamento, Canadá

Eliana Correa, congressista, Equador

Ernesto Samper Pizano, ex-presidente, Colômbia

Esperanza Martínez, senadora, Paraguai

Federico Preve Cocco, deputado, Uruguai

Fernando Cedeño Rivadeneira, congressista, Equador

Franklin Samaniego, congressista, Equador

Gabriel Fuks, parlamentar do Mercosul, Argentina

Gerardo Pisarello, deputado, Espanha

Germania Romero, congressista, Equador

Giorgio Jackson, ex-deputado e ex-ministro secretário-geral da Presidência e do Desenvolvimento Social, Chile

Gonzalo Winter, deputado, Chile

Guillermo Santiago, deputado, México

Gustavo Mateus Acosta, congressista, Equador

Héctor Valladarez, congressista, Equador

Hugo Noé Pino, deputado, Honduras

Hugo Soto-Martinez, vereador de Los Angeles, Estados Unidos

Humberto Alvarado Espinel, congressista, Equador

Inés Cortés, deputada, Uruguai

Itai Hagman, deputado nacional, Argentina

Jahiren Elizabeth Noriega Donoso, congressista, Equador

Jeannette Jara, ex-ministra do Trabalho e ex-candidata presidencial, Chile

Jennifer Hassum, diretora executiva do Broadbent Institute, Canadá

Jenny Kwan, membro do Parlamento, Canadá

Joaquín Garlo, deputado, Uruguai

José Vallejo, congressista, Equador

Josué Gagliardi, parlamentar do Parlasul, Argentina

Juan Pablo Molina Saldaña, congressista, Equador

Juan Santana Castillo, deputado, Chile

Karol Cariola Oliva, senadora, Chile

Karolina Bobadilla, parlamentar do Parlasul, Argentina

Larissa Ramina, professora de Direito Internacional, UFPR, Brasil

Leah Gazan, membro do Parlamento, Canadá

Lenin Daniel Barreto Zambrano, congressista, Equador

Liliana Durán Aguilar, congressista, Equador

Luciene Cavalcante da Silva, deputada federal, Brasil

Lucy Michell Guerrero Paz, deputada, Honduras

María de Lourdes Santiago, senadora, Porto Rico

María Fernanda Carrascal Rojas, representante à Câmara, Colômbia

María Gabriela Molina Menéndez, congressista, Equador

María José Pizarro, ex-senadora, Colômbia

María Magdalena Rosales Cruz, deputada, México

Mariana Urbano, parlamentar do Mercosul, Argentina

Mariana Yumbay Yallico, congressista, Equador

Mariano Fernández, parlamentar do Mercosul, Argentina

Marta González, ex-deputada, Chile

Melissa Zambrano, congressista, Equador

Mireya Pazmiño Arregui, congressista, Equador

Mónica Alemán, congressista, Equador

Nanki Saant, congressista, Equador

Orlando Silva, deputado federal, Brasil

Paola Cabezas Castillo, congressista, Equador

Rafael Sarmiento, deputado, Honduras

Raúl Bittel, parlamentar do Mercosul, Argentina

Ricardo Patiño Aroca, congressista, Equador

Rodrigo Ignacio Astorga Hering, Heinrich Böll Stiftung, Chile

Roque Martín Ordóñez, congressista, Equador

Sandra Figueroa Aguilar, congressista, Equador

Savhanna Wilson, chefe de gabinete do NDP, Canadá

Sebastián Sabini, senador, Uruguai

Sergio Arturo Castellanos, deputado, Honduras

Silvia Patricia Núñez Ramos, congressista, Equador

Tatiana Urrutia, deputada, Chile

Verónica Íñiguez Gallardo, congressista, Equador

Victoria Desintonio Malavé, congressista, Equador

Vlado Mirosevic, senador, Chile

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