Alvo de impeachment, Peña não esclarece se deixará o Paraguai e pede que ‘Deus abençoe o país’

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente do Paraguai, Santiago Peña, publicou nesta sexta-feira (6) uma mensagem de despedida nas redes sociais, mas deixou sem resposta uma questão sobre seu futuro imediato: se permanecerá no país ou se pretende deixar o território paraguaio diante da crise política provocada pelo escândalo do Ueno Bank.

O chefe de Estado anunciou que apresentou sua renúncia, sem esclarecer sua localização atual ou mencionar diretamente o processo de impeachment em andamento no Congresso. Pouco depois da publicação, o Congresso paraguaio aprovou o impeachment de Peña. 

A manifestação ocorreu um dia depois de integrantes da equipe presidencial afirmarem que Peña estava em Assunção, em um endereço mantido sob sigilo por razões de segurança. Nesta sexta-feira, entretanto, não houve confirmação de que ele continuava na capital paraguaia, tampouco informações sobre seus próximos deslocamentos.

“Apresentei minha renúncia para evitar mais dano ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai”, escreveu Peña, de acordo com a Folha de São Paulo. Na publicação, o presidente justificou sua decisão como uma tentativa de impedir que a crise política provoque novas divisões no país.

“Não quero que minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima de meu destino pessoal.”

O tom de despedida chamou atenção em meio às incertezas sobre a situação do presidente, que continua formalmente no cargo enquanto o Congresso não decide sobre sua renúncia ou sobre o processo de impeachment relacionado ao caso Ueno Bank. Peña se despede e deixa dúvidas sobre seu paradeiro

Na mensagem, Peña fez um apelo à unidade nacional e reconheceu a expectativa da população por respostas diante da crise que atinge seu governo. “Hoje é preciso unir-nos como paraguaios para reconstruir a institucionalidade e recuperar a confiança.

Me despeço com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que hoje esperam respostas”, declarou. O presidente concluiu a manifestação com uma frase de despedida: “Que Deus abençoe o Paraguai.”

Apesar da mensagem, não há confirmação de que Peña tenha deixado o território paraguaio ou de que esteja planejando viajar para o exterior. A publicação também não esclarece se ele pretende permanecer em Assunção durante a tramitação dos procedimentos no Legislativo.

Na quinta-feira (5), sua equipe havia informado que ele se encontrava na capital, mas não revelou o local exato por motivos de segurança. Já nesta sexta-feira, Peña divulgou uma fotografia ao lado dos dois advogados encarregados de apresentar sua defesa ao Congresso.

A imagem, porém, não esclareceu sua localização nem trouxe informações sobre seus próximos passos. Renúncia e impeachment têm consequências diferentes

A indefinição sobre o futuro de Peña ocorre em um momento decisivo para sua situação política e jurídica. Embora tenha anunciado a renúncia, o presidente permanecia formalmente no exercício do cargo até que o Congresso deliberasse sobre sua saída.

A forma como deixará a Presidência produziria consequências distintas. Caso os parlamentares aceitassem a renúncia, Peña poderia assumir a condição de senador vitalício, preservando imunidades vinculadas a esse status até o fim da vida.

Por outro lado, se o Congresso optasse pela continuidade do processo de impeachment e aprovasse sua destituição, o cenário se modifica radicalmente. Nesse caso, abre-se a possibilidade de que o político do Partido Colorado seja responsabilizado perante a Justiça comum por eventuais crimes relacionados ao escândalo financeiro.

Escândalo do Ueno Bank provocou crise política O episódio que encerrou o governo Peña está relacionado ao Ueno Bank, instituição financeira digital que chegou a ter quase metade da população paraguaia entre seus correntistas.

O banco teve seu funcionamento suspenso pelo Banco Central do Paraguai após problemas de solvência e indícios de irregularidades. Peña foi acionista do grupo controlador da instituição financeira até 2025.

Sua ligação empresarial anterior com o banco ganhou destaque diante da crise e do avanço do processo de impeachment no Congresso.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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