Alunos de Medicina são expulsos e suspensos por ataques a bolsistas e alusão ao nazismo no Paraná

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A UniCesumar, no Paraná, decidiu expulsar estudantes do curso de Medicina envolvidos na divulgação de mensagens ofensivas contra colegas bolsistas e de conteúdos associados ao nazismo em um grupo de WhatsApp da turma. A universidade também aplicou suspensões e advertências, conforme a gravidade das condutas identificadas em uma sindicância interna.

A instituição anunciou as punições neste sábado (31), após concluir a investigação administrativa na sexta-feira (30). A universidade não informou quantos alunos foram expulsos, suspensos ou advertidos.

O episódio também é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e provocou uma manifestação do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). As mensagens foram compartilhadas no domingo (25), em meio a discussões relacionadas às eleições.

Parte dos estudantes passou a atacar colegas que ingressaram na universidade por meio de programas sociais, estabelecendo comparações entre aqueles que pagam integralmente as mensalidades e os beneficiários de bolsas de estudo. Em uma das conversas, um estudante afirmou que a capacidade de pagar pelo curso representaria uma condição de superioridade em relação aos colegas selecionados por critérios acadêmicos.

“Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”, escreveu um dos participantes. A declaração provocou a reação de outra estudante, que condenou os ataques e destacou que todos os alunos receberão a mesma formação profissional, independentemente das condições financeiras ou da modalidade de ingresso na universidade.

“Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade, como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM [registro profissional para exercer a medicina]”, afirmou. Referências ao nazismo agravam repercussão

Além dos ataques aos bolsistas, as conversas incluíram imagens e expressões associadas ao nazismo e a movimentos supremacistas brancos. Em uma das mensagens, um estudante compartilhou uma fotografia do Exército nazista acompanhada de referências ao “leite cru”, expressão utilizada em determinados grupos extremistas na internet e associada a discursos de supremacia branca.

A circulação desses conteúdos ampliou a repercussão do episódio e levou o caso à esfera de investigação federal. O Ministério Público Federal confirmou ao g1 que recebeu uma denúncia relacionada às mensagens e que está apurando os fatos.

O portal não divulgou a identidade dos estudantes envolvidos porque as investigações dos órgãos responsáveis ainda estão em andamento e existe a possibilidade de participação de menores de idade. Estudante relata ambiente hostil na universidade

A repercussão das mensagens também afetou o ambiente acadêmico. Um estudante ouvido pelo g1, sob condição de anonimato, relatou que tanto os autores das ofensas quanto os colegas atingidos deixaram de frequentar a instituição desde que o caso se tornou público.

Segundo ele, os ataques ultrapassaram os limites de uma discussão eleitoral e evidenciaram manifestações de preconceito socioeconômico entre os universitários. “É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas.

Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres”, declarou. O relato aponta para as consequências do episódio na convivência entre os estudantes, especialmente diante das ofensas dirigidas a alunos que dependem de programas de bolsas para cursar Medicina.

UniCesumar confirma expulsões, suspensões e advertências Em comunicado oficial, a UniCesumar informou que a sindicância interna foi encerrada em 30 de outubro e que a reitoria decidiu aplicar as punições recomendadas pela comissão responsável pela apuração.

“As medidas disciplinares foram: desligamentos do quadro discente da Instituição, advertências e suspensões, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada”, informou a universidade. A instituição ressaltou que as decisões foram tomadas com base em seu regimento interno e reafirmou o compromisso com os princípios éticos que devem orientar a formação dos futuros profissionais de saúde.

“A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes. A Instituição repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito”, declarou.

Apesar de confirmar a aplicação de diferentes penalidades, a universidade não esclareceu o número de estudantes punidos em cada categoria, mesmo após questionamento da reportagem. A UniCesumar também informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece disponível para oferecer acolhimento, orientação e suporte aos universitários afetados pelo episódio.

Conselho de Medicina condena atitudes discriminatórias O Conselho Regional de Medicina do Paraná também se posicionou sobre o caso e afirmou que as condutas relatadas são incompatíveis com os princípios éticos exigidos de estudantes da área da saúde.

Em manifestação oficial, o CRM-PR destacou que a formação médica pressupõe respeito à dignidade humana e atendimento à população sem qualquer tipo de discriminação. “Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza”, afirmou o conselho.

A entidade ressaltou ainda que o exercício da Medicina exige compromissos que ultrapassam o conhecimento técnico, incluindo responsabilidade social e respeito às diferenças. “A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade.

Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica”, acrescentou. O CRM-PR informou que acompanhará os desdobramentos do episódio e poderá adotar medidas dentro de suas competências institucionais.

“O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes”, concluiu.

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