O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) foi escalado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ampliar a busca por apoios de prefeitos e lideranças políticas no interior de São Paulo na tentativa de fortalecer o palanque petista no maior colégio eleitoral do país. Nesta sexta-feira (16), ele se reuniu com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e ex-prefeitos em Hortolândia, na região de Campinas. Estiveram presentes o vice-prefeito de Campinas, Wandão, correligionário de Alckmin, assim como os prefeitos de Taboão da Serra, Daniel Bogalho (União Brasil); de Mauá, Marcelo Oliveira (PsT); e de Araras, Eliane Brambilla (PSD), entre outros. Lula sobre Cleitinho: 'Ele não precisa me apoiar, só tem que ficar quietinho' Prevenir é melhor que remediar: Senado avalia ampliar idade mínima para ministro do STF para reduzir influência de eventual governo Flávio A estratégia da campanha petista é explorar o capital político do vice-presidente no estado, que o elegeu em três ocasiões. Com a derrota de Fernando Haddad para Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 4 de outubro, Lula ficou sem candidato ao governo paulista no segundo turno. Sem palanque, o PT aposta na articulação direta com políticos municipais para reduzir a resistência de lideranças paulistas em apoiar publicamente o presidente. Alckmin governou o estado entre 2001 e 2006 e novamente entre 2011 e 2018, quando ainda era um dos quadros mais influentes do PSDB. O ex-tucano mantém relações políticas construídas ao longo de décadas com prefeitos e lideranças do interior, inclusive de partidos que não integram formalmente a coligação de Lula. A avaliação é que essa rede pode ajudar a abrir portas onde a campanha presidencial encontra dificuldades para avançar. 'O que eles fizerem não adianta mais': Janones diz que 'Exército do Lula' voltou a funcionar e que direita perdeu espaço nas redes sociais Nesta sexta, acompanhado do ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), Alckmin também participou de um evento em comemoração ao Dia do Médico na Casa de Portugal, em São Paulo. Em entrevista ao GLOBO, explicou que a mobilização tem dois objetivos: reduzir a abstenção e conquistar votos de eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno. O vice-presidente citou especialmente o eleitorado independente e de centro como alvo da campanha. — Nós temos dois desafios: evitar a abstenção das 33 milhões de pessoas que não foram votar e conquistar votos. Precisamos que quem não foi votar vá e que quem votou em outro candidato vote na gente — afirmou. Alckmin disse que a campanha pretende intensificar as conversas com diferentes setores da sociedade e com representantes de partidos políticos. Na quinta-feira (15), ele esteve no Rio de Janeiro; nesta sexta, passou pela Bahia antes de cumprir a agenda em São Paulo. Para os próximos dias, estão previstas viagens a Minas Gerais e ao Paraná, além de uma visita à comunidade de Heliópolis, na capital paulista, neste sábado (17). A divisão de agendas permite que o vice-presidente percorra diferentes regiões enquanto Lula concentra esforços em outros compromissos. 'Governo municipalista' O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), que também participa da mobilização pelo interior paulista, afirmou que haverá reuniões com prefeitos e vereadores em diferentes regiões do estado. Segundo ele, a estratégia passa por conversas diretas com representantes municipais. Fiorilo disse não ter um levantamento do número de prefeitos que ainda podem aderir à campanha, mas relatou que parte deles prefere não tornar o apoio público. — Lula fez um governo municipalista — afirmou o deputado, ao apontar um argumento que tem sido apresentado nas conversas com lideranças locais. A dificuldade de obter declarações públicas de apoio é um dos obstáculos da articulação. Mesmo quando há disposição para dialogar, prefeitos podem evitar uma manifestação explícita em um estado onde Tarcísio saiu fortalecido das urnas e Lula precisa ampliar sua votação para tentar reverter a desvantagem. O ex-ministro Márcio França (PSB), aliado de Alckmin, elogiou a atuação do vice-presidente na campanha. Questionado se o ex-governador havia sido subaproveitado até agora, ele respondeu que Alckmin é “um craque, discreto e efetivo”. França também confirmou que participará da mobilização. Filha de FHC Além da negociação com prefeitos, Alckmin tenta atrair nomes ligados ao centro político e ao PSDB para ampliar o alcance da candidatura de Lula. O vice-presidente afirmou ter se reunido com Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para a gravação de vídeos de campanha em apoio ao petista. Ele também citou conversas com os tucanos José Aníbal e Mário Covas Neto, filho do ex-governador paulista Mário Covas. Na avaliação do vice-presidente, a campanha precisa combinar a defesa dos resultados do governo Lula com a apresentação de propostas para um eventual novo mandato. Ele citou avanços nas áreas de educação, saúde, emprego e comércio exterior e afirmou que o país precisa continuar avançando. (Colaborou Filipe Vidon)
Alckmin busca aliados no interior na tentativa de reorganizar palanque de Lula em SP e grava com filha de FHC
Fonte da notícia:
O Globo
O Globo
Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?
Acessar matéria no site O Globo