247 – Um grupo de advogadas e advogados destacou as políticas sociais dos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e alertou para possíveis cortes de direitos trabalhistas e previdenciários caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente da República no próximo dia 25, quando ocorre o segundo turno da eleição. No manifesto intitulado “Advogadas e Advogados em Defesa da Democracia, dos Direitos Sociais e da Soberania Nacional”, os signatários também defenderam a Constituição de 1988 e manifestaram preocupação com propostas que poderiam atingir o salário mínimo, as aposentadorias e os investimentos em saúde e educação.
O documento apresentou as eleições presidenciais de 2026 como um momento de definição sobre o futuro das instituições e das políticas públicas brasileiras. Segundo os autores do manifesto, o resultado das urnas poderia determinar a continuidade de direitos previstos na Constituição ou abrir caminho para mudanças na legislação social e econômica.
Os advogados afirmaram que a insatisfação de parte da população não deveria resultar na aceitação de medidas capazes de comprometer conquistas sociais. Para os signatários, a discussão eleitoral precisava considerar os efeitos das propostas econômicas sobre a renda, o acesso aos serviços públicos e a proteção dos trabalhadores.
Manifesto alertou para cortes de R$ 250 bilhões
Na área econômica, o documento atribuiu à candidatura de Flávio Bolsonaro a intenção de reduzir R$ 250 bilhões em despesas públicas. Os autores avaliaram que essa política poderia atingir principalmente a população de menor renda, em razão de possíveis alterações nos mecanismos de financiamento da proteção social.
Entre os riscos apontados estavam o fim da política de valorização real do salário mínimo e a desvinculação dos benefícios previdenciários e assistenciais do piso nacional. O manifesto também mencionou a possibilidade de mudanças nas regras do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Os signatários citaram ainda os pisos constitucionais de investimentos em saúde e educação. O texto destacou os percentuais de 15% da receita corrente líquida para a saúde e de 18% da receita líquida de impostos para a educação, apontando possíveis consequências de sua revogação.
Segundo a avaliação apresentada no documento, uma redução dessa dimensão nas despesas públicas poderia comprometer a atividade econômica e ampliar a vulnerabilidade social. Essas projeções representaram a interpretação dos autores do manifesto, sem a apresentação de estimativas independentes sobre seus efeitos.
Em contraposição, os advogados destacaram a experiência das administrações de Lula e defenderam a combinação entre responsabilidade fiscal, crescimento econômico e ampliação da arrecadação. Para o grupo, o fortalecimento do mercado interno constituiu uma alternativa às políticas de contenção de despesas sociais.
Constituição de 1988 esteve no centro das preocupações
Outro ponto do manifesto abordou as declarações de Flávio Bolsonaro sobre possíveis alterações na Constituição Federal. Os signatários interpretaram essas propostas como um sinal de mudanças que poderiam reduzir garantias econômicas e sociais estabelecidas após a redemocratização.
O documento criticou especialmente a possibilidade de reformas constitucionais orientadas pela redução de despesas públicas. Os advogados classificaram o conjunto de medidas que atribuíram ao candidato como um “tesouraço” e relacionaram essa orientação à diminuição da proteção social oferecida pelo Estado.
Para os autores, a Constituição de 1988 representou um marco na construção das garantias democráticas e dos direitos sociais. O manifesto sustentou que eventuais reformas precisariam preservar os princípios constitucionais relacionados à dignidade humana, à participação política e à redução das desigualdades.
Os signatários também expressaram preocupação com a relação entre o bolsonarismo e as instituições democráticas. O texto associou o movimento a episódios de tensão política e criticou suas posições sobre armamento da população, conflitos sociais e atuação de órgãos do Estado.
Documento destacou democracia e soberania nacional
A defesa da soberania brasileira também integrou a manifestação dos profissionais do Direito. Os autores afirmaram que a política econômica e as relações internacionais deveriam respeitar os interesses nacionais e preservar a capacidade do país de decidir suas prioridades.
O manifesto relacionou essa preocupação à proteção dos serviços públicos e à manutenção dos instrumentos constitucionais de distribuição de renda. Segundo os signatários, as decisões sobre o orçamento federal teriam consequências para o funcionamento da saúde, da educação e da Previdência Social.
Na avaliação do grupo, a disputa presidencial envolveu diferentes concepções sobre o papel do Estado na economia e na garantia dos direitos da população. Os autores defenderam a continuidade das políticas sociais e criticaram propostas de redução da participação estatal nessas áreas.
Ao encerrar o documento, os advogados reafirmaram seu compromisso com os princípios da Constituição Federal de 1988 e com a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. O manifesto apresentou a preservação das garantias constitucionais, dos direitos sociais e da soberania nacional como os principais fundamentos de seu posicionamento político.
Brasil 247