O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Thales Jayme, virou alvo de uma representação ético-disciplinar que pede sua suspensão do exercício da advocacia por 12 meses. O documento, assinado por 18 advogados e encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina da entidade, questiona uma publicação feita por Jayme nas redes sociais contra apoiadores do presidente Lula da Silva (PT).
O Jornal Opção tentou contato com Thales Jayme para obter um posicionamento sobre a representação e aguarda retorno. A representação foi apresentada pelo advogado Valério Luiz Filho, ex-candidato pelo PT, e tem como fundamento um comentário publicado pelo vice-presidente da OAB-GO em uma postagem de um portal sobre uma manifestação de apoiadores de Lula na Praça Universitária, em Goiânia.
Na ocasião, Jayme escreveu: “Se colocar tudo no saco e jogar no rio, o prejuízo é a perda do saco.” No documento, os advogados argumentam que a declaração pode ser interpretada como uma referência à eliminação física de pessoas em razão de suas convicções políticas.
Eles também argumentam que a manifestação pode configurar conduta incompatível com a advocacia e violação dos deveres de respeito, dignidade e urbanidade previstos no Código de Ética da OAB. A representação destaca, ainda, que Thales Jayme ocupa um cargo de direção na entidade, circunstância que, segundo os autores, amplia a repercussão institucional de suas manifestações públicas.
O grupo pede que sejam investigados a autoria, o contexto e o alcance da publicação, além da existência de eventuais manifestações semelhantes. Após a repercussão do comentário em questão, Thales Jayme publicou um pedido de desculpas na quarta-feira, 28, e afirmou que a declaração não representava o posicionamento da OAB-GO.
Na retratação, também declarou repudiar todas as formas de violência e defender o direito à liberdade de expressão e de escolha política. Para os autores da representação, entretanto, o pedido de desculpas não afasta a necessidade de investigação.
O documento solicita a abertura de procedimento disciplinar, a notificação de Jayme para apresentar defesa e, caso seja comprovada infração ética, a aplicação de suspensão por 12 meses. A representação ainda depende de análise pela OAB-GO.
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Jornal Opção