Documento aguardado por Fachin deve detalhar menções a integrantes do Supremo e pode destravar julgamentos antes do recesso de dezembro A PF (Polícia Federal) prepara um relatório com informações sobre seis ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) mencionados no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O documento é aguardado pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, que pretende levar o caso ao plenário antes do fim de 2026. Segundo apuração do UOL, o material deve reunir referências a Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux e Gilmar Mendes.
A intenção é que, após uma manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República), os ministros decidam em conjunto como tratar as informações encontradas no aparelho do banqueiro. As menções, por si só, não indicam envolvimento em irregularidades.
O caso está entre os processos que podem voltar à pauta do Supremo após as eleições, ao lado de uma disputa entre Moraes e Mendonça e da revisão criminal apresentada pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações relacionadas ao Banco Master estão paralisadas no Supremo desde setembro, após a Polícia Federal identificar conversas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um relatório que apontava Moraes como interlocutor do banqueiro. A PGR, no entanto, questionou a validade do documento e defendeu sua anulação.
O assunto chegou ao plenário em 15 de setembro, quando os ministros começaram a discutir se o caso deveria ser analisado junto a um pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça. A discussão foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino.
O prazo de 90 dias termina em 16 de dezembro, quando o processo poderá ser liberado para julgamento. Enquanto isso, Fachin aguarda o novo relatório da PF para que o Supremo tenha uma visão mais ampla das menções aos integrantes da Corte.
A divulgação das conversas entre Vorcaro e Moraes também provocou uma disputa entre os dois ministros. Em 3 de setembro, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suspeitas de abuso de autoridade e improbidade administrativa.
Ele alegou que o colega teria agido com interesses políticos na condução de investigações sobre fraudes no Banco Master e no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O pedido teve como base um relatório de inteligência sem assinatura da Polícia Federal.
Inicialmente, a análise estava prevista para 23 de setembro, mas acabou retirada da pauta enquanto o STF discutia a possibilidade de reunir os dois processos. Em 19 de outubro, a PGR se posicionou contra a abertura da investigação, por considerar que o documento utilizado não tem validade como prova.
Outro processo ligado ao caso envolve Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, que teve seu afastamento determinado por André Mendonça. O ministro alegou que Rodrigues teria utilizado a estrutura da corporação para espioná-lo por meio de relatórios de inteligência.
A decisão, porém, foi suspensa por Fachin, permitindo que o diretor-geral permanecesse no cargo. A PGR também defendeu sua manutenção, argumentando que a escolha do chefe da Polícia Federal cabe exclusivamente ao presidente da República.
Segundo o órgão, os relatórios questionados eram documentos internos, encaminhados apenas por determinação de Moraes. O processo já recebeu as manifestações das partes e aguarda análise do plenário.
Além dos desdobramentos do caso Master, o Supremo deve enfrentar outro julgamento de grande repercussão antes do recesso de dezembro: o pedido de revisão criminal de Jair Bolsonaro. Condenado por golpe de Estado em setembro de 2025, o ex-presidente tenta reverter a decisão por meio de um recurso apresentado após o trânsito em julgado.
A relatoria está com Kassio Nunes Marques, que solicitou uma manifestação da PGR em 28 de outubro. A revisão será analisada apenas pelos cinco ministros que não participaram do julgamento original: Nunes Marques, Luiz Edson Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça.
O grupo poderá avaliar eventuais ilegalidades apontadas pela defesa e decidir se existem fundamentos para modificar a condenação. Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil.
Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital. Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros.
Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social. Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas.
Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias. Leia mais ▾
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