Acordo entre Irã e EUA segue distante apesar de esforços diplomáticos

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Fonte da notícia: Valor Valor

Irã e Estados Unidos continuam longe de um acordo para encerrar a guerra, disse à Reuters uma autoridade iraniana de alto escalão nesta terça-feira (3), apesar da intensificação dos esforços diplomáticos para evitar a retomada de um conflito de grandes proporções após as eleições legislativas americanas.

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Durante a madrugada, os EUA realizaram ataques "defensivos" contra a ilha iraniana de Qeshm. Uma autoridade americana afirmou que os ataques tiveram como alvo mísseis terra-ar utilizados contra alvos americanos.

Outra autoridade disse que os ataques aparentemente foram limitados e não sinalizaram uma retomada das operações de combate em larga escala. O Catar intensificou seus esforços de mediação em meio a temores de que o conflito iniciado pelos EUA e por Israel em fevereiro possa voltar a se intensificar após as eleições desta terça-feira.

"Os mediadores estão trabalhando intensamente para reduzir as divergências entre Teerã e Washington", disse a autoridade iraniana de alto escalão, depois que mediadores catarianos viajaram a Teerã na noite de segunda-feira para discutir uma versão de uma proposta de acordo entre EUA e Irã que vem sendo negociada há oito dias.

"As condições de Teerã precisam ser atendidas se os EUA quiserem que Ormuz seja reaberto", advertiu a autoridade iraniana, referindo-se à via marítima fundamental para o abastecimento global de energia. O Catar afirmou nesta terça-feira que tanto Washington quanto Teerã continuam comprometidos com os esforços de mediação e estão analisando propostas apresentadas pelos mediadores.

Embora a equipe catariana que viajou ao Irã já tenha retornado a Doha, as negociações continuam, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari. "Há esforços regionais conjuntos e intensos em andamento para evitar uma escalada", afirmou ele durante uma entrevista coletiva, acrescentando que o Catar continua esperançoso de que um acordo ainda possa ser alcançado para abrir caminho a futuras negociações.

A autoridade iraniana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que as negociações nucleares só poderiam começar depois que as condições do Irã fossem atendidas e que Teerã não aceitaria as "exigências excessivas" de Washington. Teerã responderia com força, na região e fora dela, a ataques americanos, acrescentou a autoridade.

Os preços do petróleo subiram cerca de US$ 1 nesta terça-feira, depois de terem caído mais de 7% no dia anterior, diante das esperanças de avanços diplomáticos. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter derrubado um drone americano MQ-9 e dois drones Lucas nos céus próximos ao Estreito de Ormuz.

‘A bola está com Washington’ O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que a bola estava com Washington depois que Teerã apresentou o que ele descreveu como uma "resposta firme e racional".

"O inimigo procura forçar a nação iraniana à submissão por meio de ameaças e ações militares, mas está profundamente enganado; o Irã não se submeterá", disse Qalibaf, acrescentando que a resposta de Teerã a qualquer erro de cálculo dos EUA seria imprevisível e não respeitaria limites geográficos.

Países de toda a região vêm se preparando para a possibilidade de o presidente americano, Donald Trump, retomar os ataques assim que as eleições legislativas desta terça-feira terminarem. Mas Trump colocou em dúvida, na segunda-feira, se cumpriria suas ameaças de retomar os ataques militares após a votação, afirmando acreditar que Teerã deseja um acordo o mais rápido possível e que esse entendimento "poderia acontecer".

Questionado por jornalistas se estava considerando atacar o Irã após as eleições legislativas, Trump respondeu: "Não". O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Ali Abdollahi, afirmou que os militares do Irã estavam atualizando suas listas de alvos para incluir ativos materiais e imateriais dos Estados Unidos e de Israel e que responderiam imediatamente a qualquer ameaça, sem limites geográficos.

Desde que o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, ordenou às Forças Armadas que respondessem imediatamente e sem "limites geográficos" a qualquer ameaça inimiga, autoridades e veículos de comunicação iranianos têm levantado cada vez mais a possibilidade de atacar bases fora da região utilizadas para lançar ofensivas contra o Irã.

O jornal linha-dura Kayhan afirmou nesta terça-feira que instalações americanas no Reino Unido, na Itália, na Grécia, na Romênia, na Albânia e em Chipre poderiam ser alvo de mísseis iranianos em caso de retomada da guerra. Um cartaz com imagens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, do vice-presidente americano, JD Vance, e do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, em uma rua de Teerã, no Irã

Majid Asgaripour/WANA via Reuters Negociações entre Irã e Arábia Saudita

Paralelamente à troca de mensagens entre Teerã e Washington por meio de intermediários, prosseguem os esforços diplomáticos regionais para evitar uma nova escalada. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira que as negociações com a Arábia Saudita continuam, em busca de novos arranjos de segurança regional que excluam a participação militar estrangeira.

Na semana passada, autoridades de alto escalão da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão se reuniram com autoridades iranianas em Teerã, no primeiro contato de alto nível entre o Irã e os três países desde agosto. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou no fim de fevereiro e, desde então, os combates se espalharam para a Arábia Saudita e o Iêmen.

Riad afirmou que a visita tinha como objetivo abrir canais de negociação para "evitar a retomada da escalada militar", em um momento de intensificação dos combates entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã. Os ataques dos houthis contra o reino se intensificaram à medida que a poderosa milícia avançou em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, um ponto estratégico para o transporte marítimo situado no lado oposto da Península Arábica em relação ao Estreito de Ormuz.

Os houthis também atacaram instalações petrolíferas e aeroportos sauditas, incluindo o aeroporto internacional de Riad, interrompendo voos e exportações de petróleo e provocando, em resposta, ataques aéreos sauditas contra o Iêmen. O Iêmen, um país empobrecido, está mergulhado em uma guerra civil desde que os houthis expulsaram da capital, Sanaa, em 2014, o governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita.

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