Ações de tecnologia desabam nos EUA e apagam US$ 2,3 tri, no pior pregão desde 2020. Entenda o tombo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

As bolsas americanas despencaram nesta quinta-feira, pressionadas pela queda das ações ligadas à inteligência artificial (IA), diante do temor dos investidores de que a vitória dos democratas no Congresso americano leve a um aperto da regulação sobre projetos de data centers de IA.

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A Nasdaq, bolsa que reúne as gigantes mundiais da tecnologia, caiu 5,52%. Foi a maior queda desde abril de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou tarifas comerciais globais no chamado "Dia da Libertação", causando um pânico generalizado nos mercados.

Já o índice Nasdaq 100 - que engloba as 100 maiores empresas não financeiras de tecnologia, como as big techs - afundou 6,4%, teve seu pior pregão desde março de 2020, quando o mundo enfrentava os primeiros efeitos da Covid-19. A queda levou o índice a eliminar, em um só dia, US$ 2,3 trilhões em valor de mercado.

Oferta: Vendedor misterioso coloca US$ 500 milhões em dívidas de data centers à venda em meio a dúvidas sobre IA Depois de também apagar todos os ganhos da sessão anterior, o índice ampliado S&P 500 recuou 4,35% - também maior tombo desde abril de 2025.

Até mesmo as empresas mais tradicionais que compõem o Dow Jones fecharam em queda. — Pensávamos que já tínhamos superado o pior depois da recuperação do mercado no dia seguinte às eleições de meio de mandato, mas, de repente, estamos diante de um verdadeiro banho de sangue em Wall Street — afirma Jose Torres, analista da Interactive Brokers.

Efeito: Derrota de Trump nas eleições para o Congresso dos EUA põe em xeque boom de data centers nos EUA As chamadas Sete Magníficas — apelido dado às gigantes americanas de tecnologia, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft — perderam cerca de US$ 800 bilhões em valor de mercado.

O montante supera o PIB da Suécia. — Quando surge qualquer dúvida sobre os investimentos em centros de dados, o mercado reage de maneira especialmente violenta — afirma à AFP Art Hogan, da B.

Riley Wealth Management. Menos investimentos em data centers

O mercado interpreta os resultados das eleições de meio de mandato como um possível freio à expansão da inteligência artificial, uma vez que vários dos democratas eleitos fizeram campanha pela desaceleração da construção de centros de dados. Além disso, moradores de dezenas de cidades americanas aprovaram na terça-feira restrições ou proibições à instalação desses empreendimentos, cuja infraestrutura demanda grandes volumes de chips.

Trump não foi o único perdedor das eleições nos EUA: big techs e seus bilionários também saíram derrotados A onda de vendas em Wall Street apagou com folga a recuperação da véspera, quando a conquista do Congresso pelos democratas derrubou os preços do petróleo, diante das apostas de que o resultado eleitoral aceleraria o fim da guerra no Irã.

Mas, mesmo com a forte alta dos principais índices acionários naquela sessão, já havia sinais de desconforto dos investidores com as apostas em inteligência artificial. A desaceleração dos investimentos em centros de dados em razão da mudança no cenário político será efetiva, e as estimativas de lucro que sustentavam as avaliações das empresas — um dos principais argumentos dos investidores otimistas com o setor — já não são válidas, segundo Michael O’Rourke, da JonesTrading.

— Os investidores não fazem ideia de como essas estimativas serão revisadas — afirmou. — Como resultado, estão reduzindo sua exposição ao risco até que haja maior clareza, o que não deve acontecer tão cedo.

Quem era Adam Robinson, magnata da tecnologia que morreu com a mulher e os filhos em queda de avião na Flórida O movimento de migração para setores considerados mais defensivos se transformou em uma onda mais ampla de liquidação de ações, acompanhada por uma disparada de um dos principais indicadores de volatilidade.

O Bitcoin também caiu.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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