Encerrada a eleição presidencial brasileira, uma das principais disputas econômicas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump volta ao centro das atenções: as tarifas americanas sobre produtos brasileiros. A expectativa em Brasília é que Washington apresente em novembro um documento com suas exigências para avançar nas negociações comerciais.
A proposta, prometida pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, deverá servir de base para as discussões sobre um eventual acordo bilateral. A retomada das conversas ganha uma nova dimensão diplomática.
Na sexta-feira, 30, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acertaram realizar uma reunião bilateral antes da cúpula do G20, marcada para dezembro, na Flórida. O encontro deverá preparar a agenda entre os dois países, embora os chanceleres não tenham discutido questões comerciais específicas durante a breve conversa realizada em Atlanta.
O principal desafio continua sendo econômico. As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos permanecem em vigor e, em determinados produtos, chegam a 37,5%.
Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as medidas adicionais adotadas com base na legislação comercial americana alcançam aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, considerando a composição do comércio de 2024.
O Brasil busca a redução das cobranças, enquanto Washington pretende incluir na negociação questões tarifárias e não tarifárias. Continua após a publicidade
Os dois governos já haviam concordado, em setembro, com a criação de um grupo de trabalho dedicado a um possível acordo comercial. O representante americano se comprometeu a encaminhar uma proposta com o escopo das negociações, incluindo os temas que os Estados Unidos desejam colocar sobre a mesa.
Até agora, não há confirmação pública de que esse documento tenha sido entregue, nem calendário formal para a retirada das sobretaxas. Continua após a publicidade
A próxima oportunidade de um encontro entre Lula e Trump poderá ocorrer durante a cúpula do G20, prevista para 14 e 15 de dezembro, em Miami. Antes disso, a apresentação das demandas americanas será um dos principais sinais sobre a possibilidade de avanço das negociações.
Para os exportadores brasileiros, a retomada do diálogo ainda não representa alívio imediato: as tarifas continuam sendo cobradas enquanto os governos procuram um entendimento. Publicidade
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