Donald Trump reconheceu que a guerra no Irã desempenhou um papel importante na derrota dos republicanos na eleição de segunda-feira. "Provavelmente, as pessoas não estavam dispostas a aceitar a consequência de curto prazo do preço da gasolina", disse o presidente à Fox News.
Aliás, esta derrota nas urnas é a maior prova, até agora, do fracasso da atual política externa dos Estados Unidos. Política essa que, volta e meia, cria atritos desnecessários com o Brasil — um país que tem longa tradição de amizade e comércio com o país de Trump e cujas empresas americanas aqui instaladas, e sempre bem acolhidas, repatriaram para os Estados Unidos US$ 54 bilhões (R$ 315 bilhões) em lucros e dividendos, obtidos no país entre 2015 e 2025.
No caso do Irã, a coisa tem um outro aspecto, também grave. Antes de 28 de fevereiro, quando começou para valer a guerra dos EUA e de Israel contra o país persa, a oposição interna contra a ditadura dos aiatolás vinha crescendo.
Em janeiro, o país viveu a maior onda de protestos pela democracia desde 2009, alcançando 25 das 31 províncias iranianas, levando o regime dos aiatolás até a cortar a internet e isolar o país do resto do mundo. As bombas de Trump e Netanyahu fizeram calar a oposição interna, que lutava pela democracia, que temia ser confundida com traidores da pátria diante da ameaça externa.
Para complicar, no primeiro dia da guerra foi bombardeada por engano a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, localizada no sul do Irã e confundida com uma antiga base do regime iraniano, matando entre 120 a 150 crianças. Isso ajudou a fortalecer um clima interno contra os EUA e Israel.
Não custa lembrar que os Estados Unidos são, atualmente, a maior economia do mundo, com um PIB de aproximadamente 28,7 trilhões de dólares. Enquanto isso, o Irã, com a economia em frangalhos, tem um PIB de aproximadamente US$ 311,95 bilhões em 2026 — ocupando o 37º lugar no ranking mundial.
O Globo