A estratégia que funcionou para outros países e que o Brasil pode adotar para negociar com Donald Trump

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

A derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos abriu uma perspectiva de alívio nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Mas, para o professor de relações internacionais e ciência política Cezar Roedel, uma eventual redução das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump dependerá menos do resultado eleitoral americano e mais da disposição do governo brasileiro de oferecer contrapartidas concretas nas negociações.

Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Livia Raick, o especialista defendeu que o Brasil observe a estratégia adotada por outros países que conseguiram negociar suas barreiras comerciais com Washington. (este texto é um resumo do vídeo acima)

As polêmicas medidas de Donald Trump Qual estratégia outros países adotaram para negociar com Trump?

Segundo Roedel, governos estrangeiros conseguiram avançar nas negociações tarifárias ao colocar ativos estratégicos na mesa, oferecendo concessões em troca da redução das tarifas americanas. Na avaliação do professor, essa abordagem pragmática ainda não foi adotada pelo Brasil na mesma intensidade.

“O que esses países fizeram além da negociação para tentar demover os Estados Unidos da ideia de tarifar o país? Eles concediam ativos no processo de negociação”, afirmou o especialista. Ele acrescentou que a disposição de apresentar contrapartidas foi um elemento central nas tratativas conduzidas por outros governos com a administração Trump.

Para Roedel, o governo brasileiro precisaria identificar quais interesses estratégicos poderiam ser negociados com os americanos. Entre as possibilidades mencionadas pelo professor estão as terras raras e os minerais críticos, temas que, segundo ele, já chegaram a ser cogitados nas discussões comerciais.

O especialista ressalta que uma negociação baseada apenas na intenção de reduzir as tarifas dificilmente produziria os resultados desejados. “Apenas a narrativa de querer baixá-las não será o suficiente”, afirmou.

Continua após a publicidade Por que a derrota de Trump pode favorecer o Brasil?

O resultado das eleições de meio de mandato americanas é interpretado pelo governo Lula, segundo as informações apresentadas no VEJA em Foco, como uma oportunidade para diminuir as tensões comerciais. Com o avanço dos democratas no Congresso, a avaliação do governo brasileiro é que Trump poderá enfrentar maiores dificuldades políticas internas, reduzindo a disposição de abrir novas frentes de conflito com o Brasil.

A expectativa em Brasília é que, mesmo sem uma redução imediata das tarifas, a Casa Branca evite novas medidas contra produtos brasileiros. O governo Lula também pretende manter discrição diante do revés eleitoral republicano, para não agravar as relações diplomáticas entre os dois países.

Roedel, entretanto, pondera que o resultado das urnas não representa necessariamente uma mudança de postura de Trump em relação ao comércio internacional. O professor lembra que presidentes americanos costumam ampliar sua atuação em política externa depois das eleições de meio de mandato.

Dessa forma, o republicano poderia voltar a concentrar esforços justamente nas negociações comerciais. “Pode ser que, sim, ele volte com uma ênfase maior nessas questões de negociações tarifárias com o Brasil”, avaliou.

Continua após a publicidade O que ainda dificulta as negociações entre Brasil e Estados Unidos?

Além das divergências comerciais, Roedel identifica entraves diplomáticos que, em sua avaliação, dificultam uma aproximação entre os dois governos. O professor mencionou as discussões envolvendo a nomeação de um embaixador americano para o Brasil e a ausência, até aquele momento, da concessão do agrément, autorização diplomática necessária para o reconhecimento formal de um representante estrangeiro.

Na avaliação do especialista, esse impasse representa mais um obstáculo às tratativas comerciais. Ele também considera que as relações bilaterais permanecem tensas e que uma eventual mudança na política tarifária americana exigirá uma atuação mais proativa do governo brasileiro.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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