O dólar comercial opera em ligeira alta contra o real no pregão desta quarta-feira (4) e o desempenho da divisa brasileira é pior do que o de seus pares na sessão. No exterior, há alívio provocado pela vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA, ainda que, no ambiente doméstico, permaneçam as incertezas sobre a condução da política econômica no quarto mandato do presidente Lula (PT).
Agentes ainda aguardam a decisão de política monetária do Banco Central, no fim da tarde de hoje. Perto das 13h10, o dólar comercial operava em alta de 0,05%, negociado a R$ 5,4900, próximo aos maiores patamares observados no ano de 2026.
O dólar futuro para dezembro recuava 0,05%, aos R$ 5,5160, e o euro comercial subia 0,46%, a R$ 6,1668. A tomada do controle do Legislativo americano pelo Partido Democrata gera algum tipo de alívio nos mercados.
A leitura inicial é de que haverá maior dificuldade para o presidente Donald Trump implementar parte de suas políticas consideradas erráticas pelo mercado, como as políticas fiscal e tarifária. Com o resultado eleitoral nos EUA, o dólar recua frente a uma ampla gama de moedas nesta quarta-feira.
O índice DXY, que mede a força da divisa americana frente a uma cesta de seis divisas principais, caía 0,33%, a 101,53 pontos. Contra emergentes, o dólar recuava 1% frente ao peso mexicano; 0,93% frente ao rand sul-africano; 1,30% contra o peso chileno; e 0,75% contra o peso colombiano.
O mercado, contudo, segue exigindo prêmios maiores para carregar a divisa brasileira. A equipe de estratégia do BBVA lembra que a eleição brasileira provocou forte volatilidade nos mercados e uma revisão expressiva nas expectativas de inflação, para a política fiscal e o crescimento - fatores que geram cautela para o BC.
“O banco central afirmou que só interviria no mercado em caso de movimentos desordenados e, ao menos por enquanto, não sinaliza uma ação desse tipo, pois avalia que esse limiar ainda não foi atingido. O real caiu 1,1% na terça-feira, com o dólar encontrando resistência em R$ 5,50.
A moeda brasileira tem oscilado desde a eleição, embora os movimentos dos mercados não tenham sido necessariamente desordenados. Esse vaivém pode continuar à medida que entradas e saídas de recursos disputam espaço", afirmam os profissionais do banco espanhol.
Eles também notam que o mercado já precifica a retomada de um ciclo de alta dos juros, o que parece um exagero para os estrategistas do BBVA. “De modo geral, nossa forma preferida de exposição aos ativos brasileiros continua sendo apostar na queda dos juros, em vez de assumir posições no real", concluem.
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