A 19 dias, 19 Copas e 19 fotos: imagens raras e esquecidas mostram como O GLOBO viu e registrou os Mundiais
A 19 dias da Copa do Mundo, o GLOBO começa a se preparar para aquele que será o seu 20º Mundial acompanhado de perto. Único veículo brasileiro a ter publicado em suas páginas todas as Copas da história, o jornal esteve in loco em todas as edições desde 1950, no Brasil - e terá seu primeiro repórter desembarcando nos Estados Unidos já no próximo dia 1º de junho para iniciar a cobertura de 2026.
Para marcar a contagem regressiva, o GLOBO mergulhou no próprio acervo e selecionou 19 imagens, uma de cada Copa acompanhada presencialmente pelo jornal. Mais do que reunir fotografias históricas ou capas célebres, a proposta é revelar imagens raras, muitas vezes esquecidas em arquivos, algumas jamais publicadas, mas que ajudam a contar não apenas a história dos Mundiais, e sim a forma como o GLOBO viu, registrou e atravessou cada um deles ao longo de mais de sete décadas.
1950
Jogadores da seleção inglesa lendo O GLOBO ao desembarcar no Brasil para a Copa de 1950
Agência O GLOBO
Jogadores da Inglaterra, favorita da Copa e estreante em Mundiais, leem O GLOBO durante a competição no Brasil. A imagem mostra um jornal que não apenas contava a Copa para seus leitores, mas já circulava dentro do próprio evento - num Mundial em que o GLOBO participou até da campanha pela construção do Maracanã.
1954
Torcida brasileira presente em Genebra no jogo do Braso contra a Hungria
José Santos / Agência O Globo
Hoje parece impossível imaginar uma Copa sem multidões brasileiras nas arquibancadas. Em 1954, porém, a presença era rara. A imagem registra torcedores do Brasil no jogo contra a Hungria, na Suíça, num dos primeiros retratos da torcida brasileira acompanhando a seleção fora do país.
1958
Os campeões brasileiros posam para foto no vestiário após a final contra a Suécia, em 1958
Indaiassu Leite / Agência O Globo
O vestiário da seleção brasileira logo após a conquista da primeira Copa do Mundo. Jogadores, comissão técnica e jornalistas se misturam ainda tomados pela euforia em Estocolmo. Diferente das imagens eternizadas no gramado, esta revela a intimidade imediata do Brasil campeão mundial pela primeira vez.
1962
Torcedor de cadeira de rodas em jogo do Brasil na Copa do Chile
Agência O GLOBO
Durante a campanha do bicampeonato, um torcedor brasileiro se emocionou tanto com Garrincha que caiu da arquibancada e quebrou a perna. A foto mostra o fã assistindo à final em Santiago numa cadeira de rodas, improvisado à beira do campo - décadas antes de áreas reservadas para PCDs virarem regra nas Copas.
1966
Pelé e o massagista Mario Américo treinam boxe na Copa da Inglaterra
Indaiassu Leite / Agência O Globo
Pelé e Mário Américo trocam golpes num treino improvável de boxe durante a concentração brasileira na Inglaterra. Ao fundo, Garrincha acompanha a cena como quem espera a vez. O bastidor curioso combina com a Copa em que o Brasil mais “apanhou” dentro de campo e sofreu sua única eliminação em primeiras fases.
1970
Carlos Alberto Torres põe sua refeição na concentração da seleção brasileira, no México
Agência O GLOBO
Na concentração no México, Carlos Alberto Torres serve um prato de feijão preto aos companheiros. A cena ajuda a contar como a seleção tricampeã tentava manter hábitos brasileiros mesmo longe de casa. Pouco depois, o capitão marcaria o gol mais célebre da história das finais de Copa do Mundo.
1974
Jairzinho puxa aquecimento da seleção brasileira para treinamento tático, na Alemanha
Erno Schneider / Agência O Globo
A imagem de um aquecimento da seleção brasileira mostra a força do fotojornalismo do GLOBO na Copa da Alemanha. À frente aparece Jairzinho, último grande remanescente do tri de 1970 numa equipe já sem Pelé, Tostão e outras estrelas. Um Brasil em transição visto de perto pelas lentes do jornal.
1978
Pelé chega na arquibancada do estádio de Rosário para o jog das quartas entre Brasil e Argentina.
Agência O GLOBO
Pelé aparece na arquibancada durante Brasil x Argentina, numa das primeiras Copas em que viveu oficialmente o papel de ex-jogador. Tietado por torcedores e jornalistas, o Rei ainda atraía atenções quase tão grandes quanto as do campo no Mundial em que os argentinos conquistariam o título em casa.
1982
Detalhe da torcida brasileira no Estádio Sarriá, na Espanha
Sebastião Marinho / Agência O Globo
Uma cena rara da arquibancada do Sarriá antes da derrota do Brasil para a Itália por 3 a 2, um dos jogos mais marcantes da história das Copas. Diferente das imagens eternizadas em campo, a foto registra a expectativa e a tensão de um torcedor brasileiro instantes antes do drama em Barcelona.
1986
Os jogadores Casagrande e Alemão, durante show no Circo Voador. em Guadalajara
Hipólito Pereira / Agência O Globo
Casagrande e Alemão aparecem assistindo a um show de Alceu Valença no Circo Voador montado no México para promover a cultura brasileira durante a Copa. A cena ajuda a medir a distância entre épocas: em meio ao Mundial, Alemão acompanha o show com um cigarro na mão.
1990
Romário ainda reserva, é entrevistado no jogo contra a Escócia
Custódio Coimbra / Agência O Globo
Ainda jovem e sem o protagonismo que teria quatro anos depois, Romário surge cercado por microfones com expressão quase tímida. Reserva naquela Copa da Itália, ele ainda estava longe de imaginar que se transformaria no craque do tetra e no rosto mais marcante do Brasil em 1994.
1994
Jogadores brasileiros comemoram o tetracampeonato no Estádio Rose Bowl, nos EUA
Aníbal Philot / Agência O Globo
Conhecido pela frieza até nas disputas de pênaltis, Tafarel aparece numa rara explosão emocional após o tetra nos Estados Unidos. De braços abertos, quase como um Cristo Redentor, o goleiro celebra o título conquistado contra a Itália num gesto pouco comum para um dos personagens mais serenos da seleção.
1998
Romário no quarto do hotel Renaiscense, em Paris, antes de seu embarque de volta ao Brasil após o corte da seleção
Ivo Gonzalez/ Agência O Globo
Dias antes da Copa da França, o fotógrafo Ivo Gonzalez entrou no quarto de Romário após o corte por lesão. A imagem mostra o atacante arrumando as malas enquanto assiste, na televisão, à entrevista em que chorava ao dizer adeus ao Mundial. Sem saber, vivia ali o fim definitivo de sua história em Copas.
2002
Vôo da delegação pentacampeã em Tóquio é escoltada por aças Mirrage da Força Aérea Brasileira.
Ivo Gonzalez/ Agência O Globo
Dentro do avião da seleção entre Japão e Coreia do Sul, jogadores observam fascinados os caças que escoltavam a delegação brasileira. A cena rara, feita durante um deslocamento da equipe campeã do penta, ajuda a mostrar a dimensão logística e simbólica que cerca uma seleção em Copa do Mundo.
2006
Luis Fernando Veríssimo entrevista o jogador Ronaldinho Gaúcho no Kempinski Falkenstein Hotel, na Alemanha
Ivo Gonzalez/ Agência O Globo
Ronaldinho Gaúcho, então melhor jogador do mundo, conversa com o escritor e colunista Luiz Fernando Verissimo durante a Copa da Alemanha. A entrevista exclusiva entre dois ilustres gaúchos revela outro lado da cobertura do GLOBO, que misturava futebol, cultura e grandes personagens brasileiros.
2010
Treino da Seleção Brasileira no campo do Saint Stithian College, na África do Sul
Ivo Gonzalez / Agência O Globo
Sem acesso aos treinos da seleção de Dunga, protegida por um esquema de isolamento que virou marca daquela Copa, a reportagem do GLOBO subiu um morro em Joanesburgo para tentar observar a atividade brasileira. A imagem simboliza a tensão entre sigilo e cobertura jornalística no Mundial da África do Sul.
2014
Jogadores cantam o hino brasileiro antes do fátidico jogo com a Alemanha no Mineirão
Ivo Gonzalez/ Agência O Globo
A poucos minutos do 7 a 1 para a Alemanha, jogadores brasileiros cantam o hino a plenos pulmões no Mineirão. A cena, símbolo da seleção emocional que nasceu na Copa das Confederações de 2013, mostra Júlio César comovido, Fred vibrando e um Brasil tomado pela ideia de que garra e emoção poderiam empurrar a equipe ao título.
2018
França foi camapeão contra a Croácia no estádio Luzhniki.
Marcelo Theobald / Agência O Globo
Sob chuva, papel picado e festa, a França celebra o bicampeonato mundial em Moscou. A imagem chama atenção pela diversidade étnica e racial do elenco francês, formado por jogadores de diferentes origens e descendências, símbolo de uma seleção que dominou a Copa e venceu a Croácia por 4 a 2 na final.
2022
Criação e treinamento de Camelos para corrida, na cidade de Al Shahaniya, no Qatar.
Agência O GLOBO
No Catar, o GLOBO buscou ângulos além dos estádios para contar a Copa. A imagem registra uma corrida de camelos disputada enquanto, ao fundo, um telão exibia jogos do Mundial. Uma cena que mistura tradição local e futebol global num país em que a Copa parecia acontecer ao mesmo tempo em todos os lugares.
