A maioria das pessoas que pedem pequenos empréstimos no Brasil já tem o orçamento comprometido, segundo levantamento da Belvo. O estudo, que analisou 216 mil CPFs por meio do Open Finance, apontou que 87% dos clientes que solicitaram empréstimos de até R$ 505 tinham menos de R$ 100 na conta corrente no momento do pedido.
Além disso, 61% das pessoas que solicitaram esses pequenos empréstimos já possuíam cartão de crédito, com limite médio de R$ 1.150. Desse grupo, 90% já utilizavam todo o limite disponível.
Quatro em cada dez pessoas analisadas também tinham empréstimo pessoal ativo, com saldo médio de R$ 1.020 e sete parcelas futuras. Apenas 6% possuíam empréstimo consignado, com saldo médio de R$ 2.745 e 19 parcelas a vencer.
O levantamento mostra, portanto, que, depois de comprometer o limite do cartão de crédito, as pessoas recorrem ao crédito pessoal. O consignado, apesar de ser uma modalidade mais barata, não é a opção prioritária.
“Cartão de crédito é o primeiro fator de oferta”, diz Leandro Piano, diretor financeiro e diretor-geral da Belvo no Brasil. “É a tua primeira porta de entrada [como cliente], é um produto sem custo para você.”
Para explicar por que as pessoas passam do cartão de crédito para o crédito pessoal em vez de recorrer ao consignado, Piano aponta alguns fatores. “A história do mais barato, acho que falta o cliente entender o que é mais barato e o que é mais caro.
Também, se você abrir o app do teu banco, nunca a primeira opção [a aparecer] vai ser um crédito consignado.” “É importante a gente considerar que, por mais que o crédito consignado tenha explodido nos últimos tempos, e para muitas pessoas ele explodiu porque foi a última alternativa de crédito disponível, se o crédito é consignado, você vai pagar”, explicou o executivo, referindo-se ao fato de que algumas pessoas querem ter a opção de decidir se pagarão ou não a parcela naquele mês.
O levantamento foi realizado em um cenário em que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias brasileiras seguem renovando recordes. O endividamento das famílias atingiu 50,1% em agosto, dado divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (29), enquanto o comprometimento de renda foi de 29,0%.
Para Piano, a maior parte da população vive com renda muito baixa e, ao mesmo tempo, enfrenta uma redução progressiva do poder de compra, o que leva as famílias a buscar alternativas de alavancagem e financiamento. Diante desse cenário, em que as instituições financeiras estão cada vez mais cautelosas na concessão de crédito, o executivo avalia que o Open Finance pode ajudar na análise dos clientes.
“O Open Finance tem um grande valor porque não te dá uma visibilidade única.” “Rapidamente, olhando o teu comportamento, eu já consigo saber se aquela é a tua única conta, se aquela conta detém a maioria das suas transações, se aquela é uma conta secundária que eu estou colocando porque é a conta mais ‘bonitinha’, que eu tenho que a conta do limite estourado ficou em outro lugar”, exemplifica.
Segundo Piano, vários clientes da Belvo já utilizam essas informações no “topo do funil”, como um primeiro critério para avaliar o risco de crédito e determinar se é necessário restringir a oferta. “Em vez de usar todas as fontes de dados disponíveis no mercado de uma única vez, para concluir um modelo de crédito, as instituições começam a escaloná-las ao longo do tempo para poder fragmentar melhor.
Então, como Open Finance, muitos já o tem colocado no começo do funil.” Com essas informações, as instituições financeiras também conseguem avaliar melhor a principalidade dos clientes, pois podem observar como eles se relacionam com outras instituições.
Por meio do Open Finance, seria possível, inclusive, acompanhar eventuais transferências da principalidade bancária. “Consegue analisar, além de limite ofertado, limite tomado, comportamento desses gastos e como eles têm evoluído.”
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