Zuckerberg cogitou deixar a Califórnia para evitar imposto de quase US$ 12,5 bi, mas Meta fechou acordo para mantê-lo

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Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta Getty Images Um imposto sobre grandes fortunas proposto na Califórnia fez o bilionário Mark Zuckerberg, CEO da Meta, considerar deixar o estado. O conselho da empresa elaborou, então, uma negociação de distribuição de ações da Meta Platforms para mantê-lo na região — e ajudá-lo a pagar uma eventual conta tributária. Segundo o The Wall Street Journal, durante as negociações com o CEO sobre os termos da operação de distribuição de ações, o conselho da Meta foi informado por Zuckerberg de que ele avaliava a possibilidade de deixar a Califórnia em resposta à proposta de um imposto sobre grandes fortunas inédito no estado, segundo um novo documento regulatório. A Proposta 40, apresentada por um sindicato da área da saúde, prevê um imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido de pessoas com ativos líquidos de US$ 1 bilhão ou mais que residissem na Califórnia em 1º de janeiro deste ano. A abordagem inovadora, que tributa o patrimônio, não a renda, levou alguns dos moradores mais ricos do estado a considerar a mudança para regiões com impostos menores, como Flórida e Texas. Segundo o índice de bilionários da Bloomberg, atualmente, Zuckerberg tem fortuna estimada de US$ 247 bilhões, sendo o quinto homem mais rico do mundo. De acordo com o The New York Times, o CEO da Meta poderia enfrentar uma obrigação tributária de quase US$ 12,5 bilhões. Mas nem mesmo bilionários têm essa quantia em caixa. O Sr. Zuckerberg divide grande parte do seu tempo entre sua casa em Palo Alto e outra residência na Califórnia, às margens do Lago Tahoe. Ele também possui propriedades em Miami, Havaí e Irlanda. Se os eleitores da Califórnia aprovarem a medida no próximo dia 3 de novembro, Zuckerberg terá de pagar um “imposto significativo, de vários bilhões de dólares”, calculado com base em suas ações da Meta, informou a empresa no documento. A conta tributária, disse a empresa, poderia obrigá-lo a vender ações, reduzindo sua participação com direito a voto. Na quarta-feira, a Meta anunciou a criação de uma nova classe de ações sem direito a voto para financiar sua expansão contínua em inteligência artificial, segundo o WSJ. Os papéis serão distribuídos aos acionistas atuais na forma de dividendos. Para alinhar os interesses de Zuckerberg aos da empresa, as novas ações dele ficarão vinculadas às originais, impedindo que ele as venda sem também vender suas ações com direito a voto. Essa vinculação será desfeita gradualmente ao longo de oito anos. Zuckerberg poderá vender imediatamente até 20% de suas novas ações da Classe C, o equivalente a 10% de sua participação financeira na Meta, “por qualquer motivo, inclusive para pagar sua possível obrigação tributária decorrente da Proposta 40 da Califórnia, caso ela seja transformada em lei”. Ele concordou em manter sua residência principal no mesmo estado da sede da empresa pelos próximos oito anos, salvo em caso de “circunstâncias imprevistas relevantes”. A liderança e a presença de Zuckerberg na sede da Meta na Califórnia são “fundamentais neste momento decisivo para a empresa e para o setor de tecnologia”, afirmou a companhia. A Meta disse que pretende evitar os problemas enfrentados durante a pandemia de Covid-19, quando Zuckerberg não trabalhava no mesmo local que a equipe de gestão. Como foi a negociação? As negociações de Zuckerberg com o conselho da Meta sobre os efeitos do possível imposto oferecem uma oportunidade de observar como a ameaça da nova medida está influenciando as decisões de algumas das empresas e dos líderes mais poderosos do estado. Zuckerberg havia levantado preocupações sobre o possível imposto sobre grandes fortunas no meio do ano. Em uma conversa com um integrante do conselho, em julho, descrita no documento, ele disse que recebe um salário anual de US$ 1 desde 2013 e que sua possível obrigação tributária exigiria a venda de ações, reduzindo sua participação com direito a voto para cerca de 53%. Atualmente, essa participação é de 60,6%. Depois, Zuckerberg pediu que a nova Classe C tivesse uma proporção de dividendos de 20 para 1. Segundo o documento, ele disse aos integrantes do conselho que considerava estabelecer residência fora da Califórnia antes da eleição por causa da proposta de imposto sobre grandes fortunas. Um comitê do conselho propôs um “dividendo condicionado”, que só seria pago se o imposto sobre grandes fortunas fosse aprovado. A proposta enfrentou oposição da administração da empresa. No início de setembro, os advogados externos que representavam Zuckerberg apresentaram uma nova proposta de termos, segundo a qual as ações da Classe C teriam uma proporção de dividendos de 4 para 1. Eles também disseram que o CEO precisaria começar a tomar medidas para estabelecer residência em outro lugar até meados de outubro. Em 9 de setembro, Zuckerberg informou aos integrantes do conselho que pretendia anunciar publicamente, em quatro dias, a venda de sua casa em Palo Alto, na Califórnia, segundo o documento. No dia seguinte, seus advogados externos apresentaram uma nova proposta de termos: uma proporção de dividendos de 1 para 1, com 80% das ações da Classe C do CEO sujeitas a restrições e 20% disponíveis para venda imediata. Poucos dias depois, Zuckerberg concordou com o acordo final, comprometendo-se a permanecer na Califórnia — ou no estado em que a Meta tiver sua sede — por pelo menos mais oito anos. E, no fim, ele não anunciou a venda de sua casa em Palo Alto. Zuckerberg divide grande parte do seu tempo entre sua casa em Palo Alto e outra residência na Califórnia, às margens do Lago Tahoe. Ele também possui propriedades em Miami, Havaí e Irlanda. Mais Lidas

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