Às vésperas da eleição, a rede de supermercados Zona Sul distribuiu aos seus funcionários uma carta que, embora não mencione explicitamente o nome de qualquer candidato, defende que o País precisa de uma mudança de postura, de prioridades e de modelo. O documento foi assinado pelo presidente da empresa.
Segundo o documento, o Brasil vive um “esgotamento ético”, caracterizado pela perda de espaço dos princípios e da responsabilidade com o interesse público; um “esgotamento moral”, marcado pela deterioração da confiança nas instituições e pela naturalização de situações que deveriam causar indignação; e um “esgotamento do modelo”, político, econômico e institucional, considerado incapaz de oferecer respostas consistentes aos desafios do País.
A carta termina com uma reflexão sobre o desafio brasileiro de recuperar valores, reconstruir a confiança e encontrar caminhos que devolvam à sociedade a perspectiva de um futuro melhor. “Talvez o grande desafio do Brasil, neste momento, seja justamente este”, afirma o texto, antes de concluir: “Porque um país não se transforma verdadeiramente sem antes reconhecer que chegou a hora de mudar”.
veja a íntegra da carta: "Temos a sensação de que o Brasil atravessa um momento particularmente difícil de sua história, marcado por uma crise que vai muito além das dificuldades econômicas e das disputas políticas.
Vivemos um ESGOTAMENTO ÉTICO, quando os princípios, a coerência e o comportamento com o interesse público parecem ceder espaço a conveniências, interesses particulares e à ausência de responsabilidade. Um ESGOTAMENTO MORAL, quando a sociedade começa a se acostumar com situações que deveriam causar indignação, quando a confiança nas instituições e em suas lideranças se deteriora.
E, talvez o mais preocupante, um ESGOTAMENTO DO MODELO — político, econômico e institucional. Um modelo que parece ser incapaz de oferecer respostas consistentes aos desafios do País, promover crescimento sustentável, recuperar a confiança, valorizar o trabalho e construir perspectivas reais para as próximas gerações.
Não se trata apenas de construir governos, partidos ou ideologias. Trata-se de reconhecer que nenhuma nação consegue avançar de forma duradoura quando a ética perde espaço, a responsabilidade se dilui e os modelos de gestão deixam de responder às necessidades da sociedade.
O Brasil tem recursos, capacidade produtiva e talentos, que demonstram diariamente sua disposição para trabalhar e superar dificuldades. O que precisamos é transformar esse potencial em prosperidade, com instituições confiáveis, responsabilidade fiscal, segurança jurídica, justiça social e lideranças comprometidas com o interesse coletivo.
O País precisa de uma mudança de postura, de prioridades e de modelo. Reconhecer o esgotamento de um ciclo não significa perder a esperança.
Significa compreender que insistir nos mesmos erros não produzirá resultados diferentes. Talvez o grande desafio do Brasil, neste momento, seja justamente este: recuperar valores, reconstruir a confiança e encontrar caminhos capazes de devolver à sociedade a perspectiva de um futuro melhor.
Porque um país não se transforma verdadeiramente sem antes reconhecer que chegou a hora de mudar. Vote consciente"
O Globo