De beca rubro-negra e com direito a bandeirão do Flamengo em cerimônia, Zico recebeu nesta terça-feira, no Centro do Rio, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Candido Mendes — tornando-se o primeiro esportista a receber a honraria em 100 anos de instituição, ao lado de nomes como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Tancredo Neves e o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev. Aos 73 anos, o ídolo do Flamengo teve a irmã, Maria José Antunes Coimbra, como madrinha da cerimônia e não escondeu a emoção ao lembrar dos pais, Seu Antunes e Dona Matilde. — Agradeço a Deus por receber uma homenagem dessas em vida. E, tomem cuidado, agora estão falando com doutor — brincou, sem perder a descontração característica. Formado em Educação Física para atender ao desejo do pai, que fazia questão de que os filhos estudassem, Zico disse que gostaria que os dois estivessem vivos para testemunhar o momento. — Para eles, o canudo era a coisa mais importante. Ninguém conseguia mais tirar de você se você conseguisse o canudo da formação. Eu queria me formar com ele em vida ainda. Esse prêmio é todo deles — disse, emocionado. Bandeira do Flamengo em cerimônia que nomeou Zico como Doutor Honoris Causa na universidade Candido Mendes Henrique Barbi O Galinho de Quintino também agradeceu ao clube do coração — e ao pai, mais uma vez, desta vez com bom humor: — Sou grato ao Flamengo, pela oportunidade que me deu de conhecer como clube e time de coração. E isso também devo ao meu pai, que era o mais democrático dos torcedores: os filhos podiam torcer para qualquer um, desde que fosse o Flamengo — brincou. Sobre o legado que pretende deixar, o ex-jogador preferiu não se limitar ao futebol: — Eu queria deixar esse legado de quanto eu me dediquei, de quanto eu hoje tenho o respeito e o carinho dos meus companheiros de profissão. A minha classe me conhece, sabe o que eu fiz para o futebol, esse amor ao futebol. Então, acho que isso é o legado mais importante. Renovação da Seleção e cobrança pela base Na entrevista ao GLOBO, momentos antes da cerimônia, Zico também comentou a atualidade do futebol brasileiro. Aprovou a renovação promovida por Carlo Ancelotti na Seleção, mas cobrou mais atenção à formação de atletas no país. — Não me preocupa, não. Eu acho que uma renovação faz bem. Isso deveria ter acontecido desde aqueles 7 a 1 da Alemanha — disse Zico, que defendeu maior valorização dos jogadores de criação. Para ele, o Brasil continua produzindo talentos, mas as categorias de base precisam preparar melhor os atletas para o futebol profissional. — Não é por causa do jogador, do garoto. Acontece que eles não são valorizados como deveriam e não são orientados como deveriam ser. É lógico que o garoto que está começando tem uma série de sonhos, de ilusões, e às vezes se deixa levar por muita coisa. Se você não dá um norte para ele, um caminho, com pessoas experientes, que viveram o futebol... Hoje em dia, nas categorias de base dos clubes, você não tem pessoas com essa vivência do próprio futebol, como eu tive, por exemplo. Zico também vê com preocupação a saída precoce de jovens para o futebol europeu e o espaço ocupado por estrangeiros nos clubes brasileiros. — Você não pode chegar a todos os times brasileiros com nove, oito jogadores estrangeiros aqui. Isso afeta a Seleção. Perguntado sobre o retorno de Pedro à Seleção, o ídolo rubro-negro elogiou a opção de Ancelotti: — Ótimo. O Pedro já deveria ter ido à última Copa. É o melhor centroavante que o Brasil tem. Corrigiram uma injustiça. Ao final, quando perguntado se o Flamengo leva o título brasileiro, após tomar do Palmeiras a liderança na última rodada, o Galinho não titubeou: — Tem plantel pra isso — encerrou.
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Zico veste beca rubro-negra ao ser nomeado Doutor Honoris Causa em universidade do Rio
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O Globo
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