O presidente Volodymyr Zelensky e o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, trocaram novas acusações nesta sexta-feira (6) por não terem preparado a capital ucraniana para os recentes ataques russos, que provocaram interrupções sem precedentes no fornecimento de energia elétrica e água na cidade.
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Ataques russos deixam milhares sem energia na Ucrânia; drones danificam instalações russas A cidade de mais de 3 milhões de habitantes enfrenta mais um inverno de ataques contra instalações de energia, que estão provocando longos períodos de cortes emergenciais de eletricidade, enquanto a Ucrânia enfrenta dificuldades para interceptar mísseis de alta velocidade e drones devido à escassez de armamentos de defesa aérea.
O ruído dos geradores voltou às ruas iluminadas por lanternas, com as temperaturas se aproximando de zero grau e os moradores ainda à espera do restabelecimento do aquecimento central. As interrupções no abastecimento de água em toda a cidade duram horas e são mais frequentes do que em anos anteriores.
As pontes de Kiev sobre o extenso rio Dnipro também passaram a ser alvo de ataques pela primeira vez em quase cinco anos de guerra da Rússia, provocando congestionamentos. Os cortes de energia também têm interrompido frequentemente os serviços de metrô.
Nesta sexta-feira, Zelensky classificou os desafios como "extremamente graves" e sugeriu que o governo municipal de Klitschko era parcialmente responsável. "Na verdade, essas são as consequências da falta de implementação, em nível municipal, das decisões relativas aos preparativos para a temporada de aquecimento, assim como dessa operação russa contra a infraestrutura energética da Ucrânia", escreveu na rede social X.
Menos de uma hora depois, Klitschko respondeu em um pronunciamento em vídeo, no qual sugeriu que o governo havia retardado "cinicamente" a aprovação de um plano para aumentar a capacidade de resistência da cidade. "Com essa intensidade de ataques inimigos, sem proteger as instalações essenciais com sistemas de defesa aérea, a recuperação, o funcionamento estável e a própria existência dessas instalações ficam seriamente comprometidos", afirmou.
Vista de Kiev, capital da Ucrânia, à noite, durante um apagão provocado por ataques russos com mísseis e drones Gleb Garanich/Reuters
Rivalidade de longa data As trocas de acusações são o episódio mais recente de uma rivalidade de longa data entre Zelensky, ex-comediante de televisão eleito em 2019, e Klitschko, ex-campeão de boxe que ocupa a prefeitura desde 2014.
As eleições são proibidas na Ucrânia durante a guerra, o que significa que ambos permaneceram no cargo além do término de seus mandatos. No início da guerra, desencadeada pela invasão russa de 2022, Zelensky havia criticado autoridades municipais pelas condições dos abrigos antiaéreos de Kiev, depois que três pessoas morreram ao tentar entrar em um abrigo que estava trancado.
Klitschko acusou Zelensky de tentar obter vantagens políticas ao atacá-lo. Os dois raramente mencionam um ao outro pelo nome.
Em entrevista à emissora pública ucraniana Suspilne divulgada na quinta-feira (5), Klitschko afirmou que seus pedidos de reunião com Zelensky para tratar dos problemas de Kiev não haviam recebido resposta. As declarações ocorreram dias depois de Zelensky afirmar que havia procurado vários ex-altos funcionários para assumir o comando da administração militar de Kiev — uma autoridade paralela criada durante a guerra e subordinada ao presidente —, mas que nenhum deles havia aceitado.
Em conversa com jornalistas, Zelensky afirmou que era "difícil" para Klitschko e os representantes nomeados pela Presidência trabalharem juntos. "Porque, assim que começamos a conversar com alguns gestores sobre como fortalecer Kiev, o prefeito fica com a impressão de que alguém quer substituí-lo", disse Zelensky, segundo a Suspilne.
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