Chile bombeia água do Pacífico por 160 km de tubos até minas a mais de 3.000 metros de altitude, no deserto mais seco do mundo

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Fonte da notícia: O Antogonista O Antogonista

Usina de dessalinização da estatal chilena retira o sal da água do mar perto de Tocopilla e abastece Chuquicamata, Radomiro Tomic e Ministro Hales Mais de 160 quilômetros de tubulações subterrâneas ligam o litoral do norte do Chile às jazidas de cobre da Codelco, a mineradora estatal chilena, nos arredores de Calama.

Por esse caminho, a empresa leva água do oceano Pacífico, já sem sal graças a uma usina de dessalinização, até um reservatório a cerca de 3.000 metros de altitude. A obra cruza o Atacama, o lugar mais árido do planeta fora da Antártida, e foi pensada para aliviar a pressão da mineração sobre a pouca água doce da região.

A água é captada no mar ao sul de Tocopilla, cidade portuária da região de Antofagasta, e passa por osmose inversa. O processo força a água através de membranas que retêm o sal.

Segundo a página oficial da Planta Desalinizadora Distrito Norte, a usina tem capacidade inicial de 840 litros por segundo, com potencial para chegar a 1.956 litros por segundo. Depois de dessalinizada, a água segue por tubos enterrados e é empurrada montanha acima por três estações de bombeamento.

O destino é um reservatório de água industrial na divisão Radomiro Tomic, com tamanho próximo ao do Estádio Nacional, em Santiago. Na visita às obras em outubro de 2024, o presidente Gabriel Boric chamou o bombeamento de “uma obra de engenharia impressionante”, segundo comunicado da Codelco sobre a visita presidencial.

A água dessalinizada vai para as divisões Chuquicamata, Radomiro Tomic e Ministro Hales, que formam o Distrito Norte da estatal. As três ficam perto de Calama, no coração da região mineradora chilena.

Chuquicamata, a mais conhecida delas, é uma das operações históricas da empresa e depende de grandes volumes de água no processamento do minério. A usina não pertence diretamente à mineradora.

O consórcio Aguas Horizonte, que tem como acionistas as empresas Marubeni e Transelec, constrói, opera e fica com a planta por um período, até transferi-la à estatal. O modelo é conhecido pela sigla BOOT, que em inglês resume as etapas de construir, possuir, operar e transferir.

Quando anunciou o projeto, em julho de 2022, a estatal estimou o investimento em mais de US$ 1 bilhão, segundo o comunicado oficial de lançamento da obra. A escala das operações também traz riscos, como mostrou um acidente recente em outra mina da Codelco.

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Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), o Atacama é o lugar mais seco da Terra fora dos vales secos da Antártida. A agência informa que a chuva aparece ali entre duas e quatro vezes por século.

Há trechos do deserto onde nunca se registrou chuva, e boa parte da umidade chega pela neblina costeira conhecida como camanchaca. Nesse cenário, cada litro retirado de rios e aquíferos pela atividade mineradora disputa espaço com os demais usos da água na região.

A Codelco se comprometeu a reduzir em 60% o consumo unitário de água continental até 2030, ou seja, o volume gasto por unidade produzida. A meta combina eficiência nas operações, reaproveitamento da água dos depósitos de rejeitos e a nova usina.

Em 2022, o presidente do conselho, Máximo Pacheco, afirmou que o país tem urgência para que a grande mineração do cobre deixe de usar água continental. A previsão oficial da estatal é colocar a usina em funcionamento ao longo de 2026.

A data foi reafirmada em outubro de 2024, quando o prédio da osmose inversa recebeu a estrutura do telhado, depois de 19 meses de obras. Se a expansão prevista for executada, a dessalinização poderá passar dos 840 litros por segundo iniciais para quase 2.000.

Quem acompanha o projeto precisa separar o fim das obras do funcionamento pleno, porque a conclusão dos tubos não significa operação em regime normal. Testes e ajustes costumam levar meses antes de a água chegar às minas no volume previsto.

Para datas e volumes de fato entregues, confira sempre os comunicados oficiais da Codelco e fique de olho nos próximos anúncios da estatal. A pressão da atividade humana sobre o Atacama aparece também em outros problemas ambientais.

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Publicação Original O Antogonista oantagonista.com.br
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