Yes, não temos bananas (mas temos receita de bolo fácil)

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A guerra ameaça encarecer a fruta mais popular dos Estados Unidos. Sempre achei fascinante — e um pouco assustador — como a nossa rotina mais íntima está amarrada aos humores do mundo. A gente acorda, toma o café sem pensar muito, e não imagina que uma fruta tão comum possa depender tanto de portos, navios, combustível e fertilizantes. É o que está acontecendo agora com a banana nos EUA. Os conflitos no Oriente aumentaram os custos de energia, transporte e adubo, encarecendo a produção e o transporte da fruta até os supermercados. O varejo ainda absorve boa parte desse aumento, protegido por contratos. O setor trabalha com margens apertadas, e os supermercados mantêm a fruta barata para atrair clientes. Mas há pouca folga para absorver novos aumentos. E os contratos vencem, de modo que a banana pode deixar de ser aquele item barato que entra no carrinho quase sem ser percebido no bolso. Não é pouco. A banana é a fruta fresca mais consumida pelos americanos. Como o país produz muito pouco e depende das importações de países da América Central e do Equador, uma crise pode acabar pesando no café da manhã de uma família em Nova York. A expressão “preço de banana” corre o risco de perder o sentido. O problema não é que a banana atravesse o Estreito de Ormuz — ela vem da América Latina. Mas parte dos fertilizantes depende do gás produzido no Golfo, e o transporte refrigerado sente quando o combustível encarece. Assim, uma guerra aparentemente distante alcança uma fruta tão familiar. Ela parece uma fruta simples, mas dá um trabalhão até chegar às prateleiras norte-americanas. Ela é colhida verde, transportada em navios refrigerados e amadurece em instalações especiais antes de chegar aos supermercados. Quando tudo dá certo, ninguém repara. A banana tem a vantagem de ser prática. Vem com sua própria casca, dispensa talheres e pode ser levada para qualquer lugar. A velha marchinha dizia “Yes, nós temos bananas”. Temos mesmo — e em muitas variedades. Há banana-prata no café, nanica no bolo, banana-ouro na mão de uma criança e banana-da-terra na frigideira. Por aqui, ela aparece no café da manhã, na bolsa de quem vai ao trabalho e no prato, inclusive empanada, para quem gosta de misturá-la com a comida salgada. Na sobremesa, ela via banoffee. Ao natural, é aliada dos esportistas. Lembro que, no caminho de seus títulos, nosso Guga Kuerten não abria mão da fruta. Quando viajamos, meu marido e eu gostamos de comer banana logo no desjejum, antes de nossas caminhadas. Conhecida fonte de potássio, é frequentemente distribuída aos participantes de corridas de rua e recebida com alegria por quem cruza a linha de chegada. Aqui, não há motivo para imaginar falta de banana nas nossas mesas. A notícia americana serve mais como lembrete de que alimentos cotidianos também dependem da política e da economia do mundo. Enquanto ela continua abundante, melhor aproveitá-la madura, doce e sem cerimônia. Em bolo, então, é difícil encontrar destino melhor. Bolo de banana e cacau Rende 2 porções Ingredientes 2 bananas bem maduras 2 ovos 4 colheres (sopa) de aveia 1 colher (sopa) de cacau em pó 1 colher (chá) de canela em pó 1 colher (chá) de fermento em pó 1 banana extra para decorar Canela para polvilhar Folhas de hortelã, se desejar Modo de preparo: Em uma tigela, amasse as bananas com um garfo e misture os ovos. Adicione a aveia, o cacau e a canela, mexendo até incorporar. Acrescente o fermento. Coloque a massa em um refratário pequeno, untado com manteiga, e leve ao micro-ondas por 3 a 4 minutos, conforme a potência do aparelho.

Retire do micro-ondas, polvilhe canela e decore com rodelas de banana e hortelã. Sirva em seguida.

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