Yayoi Kusama: alucinações de infância ajudaram a criar artista famosas por bolinhas; saiba quem era - QTU Questões do Universo

Yayoi Kusama: alucinações de infância ajudaram a criar artista famosas por bolinhas; saiba quem era

Fonte: Bandeira da fonte

Yayoi Kusama nasceu em 1929, no Japão, como a filha mais nova de uma família abastada.
Aos 10 anos, começou a produzir os padrões de pontos e redes que mais tarde se tornariam a marca de sua obra.
Décadas depois, a artista japonesa seria reconhecida internacionalmente pelas instalações imersivas, esculturas e pinturas em que esses elementos parecem se repetir sem fim.
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A origem desse estilo, segundo a própria Kusama, estava ligada a uma experiência vivida ainda na infância.
Ela contou que, ao observar uma toalha com flores vermelhas sobre uma mesa, passou a enxergar o mesmo motivo em diferentes partes do ambiente e também sobre o próprio corpo.
"Um dia, depois de ver sobre uma mesa uma toalha decorada com um motivo de flores vermelhas, comecei a observar o mesmo motivo de flores vermelhas em todo o teto, nas janelas e nas colunas.
Ele preenchia toda a sala e até cobria meu corpo", relatou Kusama em sua autobiografia.
Yayoi Kusama, conhecida por suas obras com bolinhas
AFP
As visões e alucinações que descrevia também se tornaram parte da maneira como explicava sua produção artística.
Ao longo da vida, a relação com a doença mental permaneceu associada à trajetória profissional da artista.
De uma pequena cidade do Japão para Nova York
Kusama estudou Belas-Artes no Japão e, no fim dos anos 1950, mudou-se para os Estados Unidos.
Em Nova York, entrou em contato com a vanguarda artística e passou a produzir obras e performances que chamavam atenção pelo caráter provocador.
Nos anos 1960, participou dos chamados "happenings", em trabalhos que incluíam pintura corporal e a repetição de bolinhas, motivo que se tornaria inseparável de sua imagem.
A artista também explorou outros meios.
Criou uma marca de roupas, fundou uma "Igreja da Autodestruição" e se autoproclamou "Grande Sacerdotisa das Bolinhas".
Em uma dessas ocasiões, realizou o casamento entre dois homens.
Pessoas observam a obra intitulada "Dancing Pumpkin", da artista japonesa Yayoi Kusama, na National Gallery of Victoria (NGV), em Melbourne, em 5 de junho de 2025
AFP
A trajetória nos Estados Unidos, porém, ocorreu em meio à discriminação que Kusama afirmou ter enfrentado por ser uma mulher japonesa em um país ainda marcado pelo contexto da Segunda Guerra Mundial.
Internação voluntária e uma obra marcada pelas próprias visões
Nos anos 1970, Kusama voltou ao Japão e decidiu voluntariamente ingressar em uma clínica psiquiátrica de Tóquio.
Foi ali que passou a viver e trabalhar pelo restante da vida.
Sua relação com as próprias visões não ficou restrita à explicação sobre a origem das primeiras obras.
Segundo o site da artista, foram as "visões e alucinações" da infância que inspiraram os desenhos de bolinhas e redes que definiriam seu estilo.
A produção ganhou escala ao longo das décadas.
Esculturas de abóboras, entre elas uma instalada em Naoshima, conhecida como "a ilha da arte", tornaram-se símbolos de sua obra.
Suas instalações imersivas também atraíram multidões e foram vendidas por milhões de dólares.
Yayoi Kusama: alucinações de infância ajudaram a criar artista famosas por bolinhas; saiba quem era
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Fora dos museus, Kusama tornou-se facilmente reconhecível pela peruca vermelha e pelas roupas de bolinhas, elementos que também passaram a integrar a imagem pública da artista.
As bolinhas que se tornaram sua assinatura
A repetição foi uma das características centrais da produção de Kusama.
Pontos, redes e padrões eram reproduzidos continuamente em pinturas, esculturas e instalações, criando a sensação de que as formas poderiam se estender indefinidamente.
A linguagem visual fez com que sua obra pudesse ser identificada mesmo por pessoas que não acompanhavam o universo da arte contemporânea.
A fama também atravessou gerações e continentes.
No museu dedicado à obra de Kusama em Tóquio, Ai Kono, de 50 anos, contou à AFP que soube da morte da artista durante uma viagem de trem e decidiu visitar o espaço com a filha de 10 anos.
— Ela viveu uma vida longa e fecunda.
Mas a notícia me chocou.
Vim porque queria mostrar à minha filha suas famosas bolinhas e seu uso das cores — contou Kono: — Como mulher, é preciso dizer que ela era uma pessoa perseverante.
A sociedade responsável pela obra de Kusama anunciou que ela morreu em 14 de agosto de 2026, em um hospital de Tóquio, aos 97 anos.
Segundo a entidade, a artista continuou pintando até os últimos dias.
"Ela continuou pintando até seus últimos dias, sem nunca largar o pincel, e continuou sua exploração do amor eterno e da alma perpétua", afirmou a sociedade.
Ao longo de uma carreira que incluiu artes visuais, performance, narrativa e poesia, Kusama construiu uma obra que transformou experiências íntimas e dolorosas em uma linguagem visual reconhecida em todo o mundo.
Para Tim Cook, CEO da Apple, a artista foi uma "verdadeira visionária".
"A criatividade de Yayoi Kusama fez o mundo da arte avançar e nos deixou um mundo mais luminoso e vibrante", afirmou Cook.