A plataforma financeira X Money, criada por Elon Musk dentro da rede social X, começou a operar nesta segunda (27) nos Estados Unidos, mas apenas para assinantes dos planos pagos Premium e Premium+. O lançamento, adiado diversas vezes desde que foi anunciado, ainda deixa de fora dois dos maiores mercados financeiros do país: Nova York e Massachusetts, onde a empresa não obteve licença para operar como transmissora de dinheiro. A informação foi levantada pelo site americano Ars Technica. O produto funciona como uma carteira digital dentro do X, permitindo transferências instantâneas entre usuários, um cartão de débito Visa e uma conta que promete rendimento (APY) de até 6% ao ano. Assinantes Premium+, que pagam US$ 40 (R$ 205) por mês, têm acesso automático à taxa mais alta, enquanto assinantes Premium, que pagam US$ 8 (R$ 41) mensais, precisam vincular o depósito do salário à conta para obter o mesmo rendimento. O X também promete cashback de até 3% em compras selecionadas feitas com o cartão. Cobertura limitada gera incerteza para o usuário Apesar da promessa de simplificar a vida financeira dos usuários, a plataforma tem uma limitação relevante: o cartão X Money não pode ser usado para compras em todo o território americano. A empresa não possui as licenças necessárias para operar em Nova York e Massachusetts, dois estados com peso decisivo no setor financeiro do país. Segundo especialistas ouvidos pelo Ars Technica em reportagens anteriores, essa inconsistência geográfica pode ser um obstáculo à adoção em massa do serviço, já que o usuário não sabe de antemão se uma transação será aceita ou recusada. Daniela Hawkins, especialista em pagamentos da consultoria Capco, avaliou que a falta de previsibilidade tende a criar atrito suficiente para tornar a experiência do usuário ruim. O histórico do X também preocupa parte dos analistas. Desde que assumiu o controle da rede social, em 2022, Musk reduziu de forma significativa as equipes de suporte ao cliente, substituindo boa parte do atendimento por respostas automatizadas. As perguntas frequentes divulgadas pela empresa recomendam que problemas com o X Money sejam resolvidos prioritariamente pelo chat dentro do próprio aplicativo. Banco parceiro tem histórico de sanção regulatória O X Money não é, tecnicamente, um banco: funciona como intermediário, com os depósitos custodiados pelo Cross River Bank, instituição financeira segurada pelo FDIC (Fundo Garantidor de Depósitos dos Estados Unidos) que também presta serviços de infraestrutura para empresas como Coinbase, Affirm e Upstart. Segundo o Tech Times, o Cross River Bank está sob uma ordem de fiscalização ativa do FDIC desde março de 2023, motivada por práticas classificadas pelo órgão regulador como inseguras no programa de conformidade de crédito justo do banco. Até o momento do lançamento nacional, a empresa também não havia publicado um contrato-padrão de conta nem a divulgação exigida pela lei federal americana conhecida como Truth in Savings, que detalha taxas de juros, métodos de composição de rendimento, tarifas e condições de saque. A ausência desses documentos já havia sido apontada quando o produto foi lançado, em versão restrita, para assinantes Premium em junho. A senadora americana Elizabeth Warren, de Massachusetts, também já se manifestou publicamente contra o avanço do X Money. Em carta enviada a Musk em abril, ela argumentou que o histórico da plataforma X no combate a fraudes e na moderação de conteúdo levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa de lidar com disputas financeiras e reembolsos. Suspensão de conta pode travar acesso ao dinheiro Outro ponto sensível é o que acontece quando uma conta é suspensa. Segundo as políticas divulgadas pela própria empresa, contas suspensas por infrações graves, como violações relacionadas à segurança infantil ou a conteúdo violento, também perdem acesso ao X Money. Nesses casos, a empresa pode reter os valores em disputa por até 180 dias, sob a justificativa de cumprir obrigações legais ou regulatórias. O X também determina que eventuais transações não autorizadas, feitas por terceiros que acessem a conta de um usuário, sejam denunciadas rapidamente para que o valor seja reembolsado. Segundo a empresa, a responsabilidade do usuário sobre transferências eletrônicas fraudulentas pode variar conforme o tempo que ele leva para relatar o problema. O lançamento do X Money integra o projeto de Musk de transformar o X em um "aplicativo para tudo", nos moldes do WeChat chinês, reunindo rede social, comércio e serviços financeiros em um único ambiente. A meta, definida por Musk em 2023, era concluir essa transição em um prazo de três a cinco anos. Segundo o Ars Technica, especialistas do setor de pagamentos avaliam que empresas como Apple, Google e Meta já tentaram lançar produtos financeiros próprios sem conseguir conquistar adoção majoritária entre os usuários, o que também pode limitar o alcance do X Money.
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X Money, plataforma financeira criada por Elon Musk, começa a operar nos EUA
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