Wall Street Journal: Irã teme que negociações com EUA possam ser uma armadilha
O Irã teme que as negociações com os Estados Unidos para acabar com a guerra no Oriente Médio possam ser uma armadilha com o objetivo de assassinar Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano.
Segundo o jornal Wal Street Journal, citando fontes do governo iraniano, o país acredita que o anúncio de Donald Trump sobre a suspensão dos ataques à infraestrutura energética seja apenas uma tentativa de baixar os preços do petróleo antes de retomar os ataques.
Uma reportagem do jornal americano The New York Times destaca que o príncipe Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, teria incentivado o presidente dos EstadosU unidos,Donald Trump, a continuar a guerra no Irã.
Salman teria argumentado que a campanha em curso contra o Irã, seu rival de longa data, representa uma 'oportunidade histórica' para remodelar o Oriente Médio.
Segundo a reportagem, o príncipe Mohammed argumentou que Teerã representa uma ameaça constante para a região, que só pode ser eliminada por meio de uma mudança de regime.
Autoridades sauditas rejeitaram as alegações, afirmando que o país 'sempre apoiou uma resolução pacífica para este conflito, mesmo antes de seu início'.
Uma série de reuniões a portas fechadas entre os ministros das Relações Exteriores do Egito, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, em Riad, na Arábia, abriu caminho para a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã.
Uma reportagem do jornal Wall Street Journal conta que a comunicação começou através da inteligência egípcia, que conseguiu estabelecer um canal de comunicação com a Guarda Revolucionária na semana passada e apresentou uma proposta de suspensão das hostilidades por cinco dias. O objetivo era começar a pavimentar um espaço para o cessar-fogo.
Os Estados Unidos abriram o canal diplomático após os esforços dos intermediários, e Trump anunciou que as negociações estavam em andamento.
Apesar disso, mediadores árabes permanecem com dúvidas quanto à possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã em breve, dadas as divergências entre suas posições. Como condição para o fim da guerra, o Irã exige que os Estados Unidos e Israel se comprometam a não realizar futuros ataques. Os iranianos também exigem indenização pelos danos sofridos durante o conflito.
Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã.
Reprodução/Nasa
Nas negociações dos últimos dias, uma atenção especial tem sido dada à reabertura do Estreito de Ormuz, com a solicitação de que seja supervisionada por um comitê neutro. O Irã, no entanto, exigiu pagamento pela travessia de navios, assim como o Egito faz pelo Canal de Suez.
Essa ideia foi contestada pela Arábia Saudita, que se recusou a conceder a Teerã maior poder de negociação nas operações no Estreito.
Um dia após declarações contraditórias dos Estados Unidos e do Irã sobre as negociações, o governo iraniano afirmou nesta terça-feira (24) que as suas forças armadas lutarão 'até a vitória completa'. A afirmação é do major-general Ali Abdollahi Aliabadi, do Quartel-General Central de Khatam-al Anbiya, porta-voz do alto comando militar.
O Irã negou que quaisquer negociações estejam ocorrendo, mesmo com as notícias de que seu ministro das Relações Exteriores esteja conversando com outros chanceleres em toda a região. Os EUA afirmam que as negociações são indiretas e ocorrem por mediadores.
A televisão estatal iraniana citou Aliabadi dizendo:
'As poderosas forças armadas do Irã são orgulhosas, vitoriosas e firmes na defesa da integridade do Irã, e esse caminho continuará até a vitória completa'.
O general não especificou o que seria uma 'vitória completa', mas pareceu provável que os militares iranianos estivessem tentando alertar contra concessões em possíveis negociações com os Estados Unidos
Durante as conversas entre Estados Unidos e o Irã, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, informou secretamente ao enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, que o Líder Supremo Mojtaba Khamenei aprovou as negociações entre os dois países.
Ele também teria dado um aval para a busca de um acordo que terminasse o conflito, informou a emissora árabe Al Arabiya.
Khamenei teria concordado em negociar com Washington e chegar a um acordo. O novo Líder Supremo, nomeado após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, teria concordado com um fim rápido da guerra, baseado nos termos do Irã.
Nessa segunda-feira (23), o presidente dos EUA, Donald Trump, decretou um cessar-fogo de cinco dias nos bombardeios a instalações de energia iranianas e afirmou que negociações 'produtivas' estão em andamento para pôr fim ao conflito.
O próprio Trump declarou que as negociações estão sendo conduzidas com 'um alto funcionário' que não é o Líder Supremo, sem informar quem seria. O Irã nega oficialmente que quaisquer negociações estejam em andamento.
Países do Oriente Médio estão cada vez mais perto de se juntarem à guerra com Irã, diz jornal
Míssil iraniano atinge Israel em meio a guerra no Oriente Médio.
JACK GUEZ / AFP
Os aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e na região do Oriten Médio estão cada vez mais perto de se juntarem à luta contra o Irã, endurecendo suas posições após os ataques contínuos por parte do regime iraniano.
Segundo reportagem do jornal Wall Street Jornal, entre os principais motivos está o impacto na economia e o poder iraniano no Estreito de Ormuz, que prejudica a exportação de petróleo desses países.
Eles ainda não chegaram ao ponto de mobilizar abertamente suas forças militares no conflito, um limite que os governantes do Golfo esperavam não ultrapassar, embora a pressão esteja aumentando à medida que o Irã ameaça exercer maior influência sobre a região.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse ter conversado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que viu uma possibilidade de chegar a um acordo com o Irã. O líder israelense, entretanto, acrescentou que seguirá atacando o país e o vizinho Líbano, tendo como alvos o programa nuclear de Teerã e o grupo extremista Hezbollah.
Antes, Trump revelou que os Estados Unidos e o Irã tiveram 'conversas produtivas' durante o fim de semana e que ele suspenderá os ataques militares contra instalações de energia por cinco dias.
O republicano detalhou que existem 15 pontos de acordo após novas negociações, mas especificou apenas um: o compromisso dos iranianos de não desenvolverem armas nucleares.
A fala de Trump veio após ameaças de novos ataques caso o Irã não permita a reabertura completa do Estreito de Ormuz.
Teerã, no entanto, negou ter mantido qualquer diálogo com Washington, rejeitando as alegações de Trump como uma tentativa de baixar os preços do petróleo e ganhar tempo para planos militares.
Questionado, o presidente americano reafirmou que houve conversas e disse achar que há problemas de comunicação interna no governo iraniano.
Os preços do petróleo despencaram depois que Trump sugeriu que as negociações poderiam pôr fim à guerra. Após ter alcançado os 113 dólares, o petróleo tipo Brent fechou cotado a 99 dólares.
