Novo celular da Amazon: o que esperar após fracasso do Fire Phone

 

Fonte:


Mais de dez anos após o fracasso do Fire Phone, a Amazon pode estar preparando uma nova tentativa no mercado de smartphones. Segundo a agência de notícias Reuters, a empresa desenvolve internamente um celular de codinome Transformer, em um projeto liderado pela divisão de dispositivos e serviços da companhia. A proposta envolveria recursos de inteligência artificial (IA), integração com a assistente virtual Alexa e acesso mais direto ao ecossistema da marca. Até agora, porém, a Amazon não confirmou oficialmente a iniciativa.

➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews

🔎 Como funciona a Alexa? Veja guia de introdução para a caixinha da Amazon

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o aparelho é tratado internamente como um dispositivo de “personalização móvel”, capaz de sincronizar com a Alexa e manter a Amazon mais presente na rotina do consumidor. O rumor aparece em um contexto bem diferente do de 2014, quando a primeira aposta da companhia no setor fracassou. Agora, a empresa tenta avançar em um mercado cada vez mais moldado por recursos de IA, enquanto Apple, Samsung, Google e fabricantes chinesas reforçam suas estratégias em celulares, software e outros dispositivos. Nas linhas a seguir, o TechTudo reúne os principais detalhes sobre o possível novo projeto da gigante de Seattle.

Amazon pode voltar ao mercado de celulares mais de dez anos após fracasso do Fire Phone

Reprodução/ Amazon

📝Alexa funciona fora da tomada? Tire suas dúvidas no Fórum do TechTudo

Novo celular da Amazon: o que esperar após fracasso do Fire Phone

Veja, a seguir, os principais tópicos abordados pelo TechTudo nesta matéria.

Integração com Alexa

Foco em compras

Recursos de IA

O que não sabemos

O que foi o Fire Phone e por que fracassou?

Deveríamos nos animar com o novo celular da Amazon?

Integração com Alexa

A integração com a Alexa deve ser um dos principais pilares do novo celular da Amazon, caso o projeto realmente chegue ao mercado. Segundo a Reuters, o aparelho é pensado como um dispositivo de personalização móvel, capaz de sincronizar com a assistente virtual e acompanhar o usuário em diferentes momentos do dia. Lançada pela Amazon em novembro de 2014, junto com a primeira geração do alto-falante Amazon Echo, a Alexa ganhou espaço inicialmente em caixas de som inteligentes e, mais tarde, em outros produtos da marca, chegando oficialmente ao Brasil em 2019.

Em termos mais gerais, essa proposta pode resultar em um smartphone mais voltado para comandos por voz, sugestões contextuais e automação de tarefas do que para o uso tradicional baseado apenas em aplicativos. A lógica seria transformar a assistente em um recurso mais central na experiência do aparelho, com presença constante na rotina do usuário. A ideia conversa, inclusive, com uma ambição antiga de Jeff Bezos, fundador da Amazon, de criar uma tecnologia capaz de funcionar como uma espécie de assistente sempre disponível.

Alexa deve ser uma das principais apostas da Amazon em seu possível novo celular

Divulgação/Amazon

Do ponto de vista estratégico, o suposto lançamento faz sentido, já que, apesar de estar presente em caixas de som, TVs e outros dispositivos conectados, a Alexa ainda depende de sistemas como Android e iOS para chegar ao celular, o que limita o controle da Amazon sobre a experiência. Com um smartphone próprio, a empresa teria mais espaço para integrar sua assistente de forma nativa e ampliar a presença do seu ecossistema no uso diário.

Foco em compras

Outro foco do projeto seria facilitar o acesso a serviços da empresa, como o marketplace, o Amazon Prime Video, o Prime Music e até parceiros de delivery. Na prática, isso sugere um aparelho mais integrado ao ecossistema da marca, com recursos voltados a encurtar o caminho entre pesquisa, consumo de conteúdo e compra.

A estratégia não é exatamente inédita. Isso porque, em 2014, o Fire Phone já tentava transformar o smartphone em uma "extensão da plataforma" da Amazon, inclusive com ferramentas que identificavam produtos pela câmera e levavam o usuário para a loja virtual. A diferença agora é que a companhia parece tentar reposicionar essa proposta em um cenário mais atual, em que personalização e inteligência artificial ganharam peso na experiência de uso.

Prime Video pode ser um dos serviços integrados ao possível celular da Amazon

Reprodução/Thibault Penin, Unsplash

Do ponto de vista da empresa, um celular próprio permitiria manter o consumidor mais próximo, seja para comprar um item, assistir a um filme ou ouvir música. Por outro lado, esse direcionamento também pode levantar uma dúvida para os mais receosos: até que ponto o aparelho seria pensado para entregar uma experiência completa como smartphone, e não apenas para reforçar a presença da Amazon na rotina do usuário?

Recursos de IA

A Amazon estaria avaliando usar recursos de inteligência artificial para reduzir a dependência das lojas de aplicativos tradicionais, substituindo parte da navegação baseada em apps por interações mais diretas com o sistema, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters. A proposta indica um aparelho em que tarefas do dia a dia possam ser realizadas com menos etapas, em uma experiência mais integrada e "mastigada".

Ainda de acordo com a agência, a ideia é que o usuário consiga executar ações sem precisar passar pelo processo tradicional de baixar e abrir diferentes aplicativos. Em vez de recorrer separadamente a apps para pedir comida, buscar um filme, organizar compromissos ou acessar serviços, parte dessas funções poderia ser centralizada em uma interação mais direta com o aparelho.

Por outro lado, transformar esse conceito em algo realmente útil não deve ser simples, já que produtos que tentaram romper com o modelo tradicional de smartphone com ajuda de IA, como Humane AI Pin e Rabbit R1, enfrentaram recepção negativa, como lembram Reuters e Wired. Por isso, caso o projeto avance, o desafio da Amazon será mostrar que a inteligência artificial do aparelho não servirá apenas como apelo de marketing, mas trará vantagens práticas no uso cotidiano.

O que ainda não sabemos sobre o suposto celular

Ainda há muitas dúvidas sobre o suposto celular da Amazon. A própria Reuters afirma que não conseguiu confirmar informações importantes, como preço, previsão de lançamento, meta de vendas e tamanho do investimento da empresa no projeto. Até agora, a Amazon também não comentou oficialmente o assunto, o que mantém boa parte dos detalhes no campo da especulação.

Outro ponto em aberto é o sistema operacional do aparelho. A Alexa deve ter papel importante na experiência do usuário, mas não necessariamente funcionará como base do software. Uma das possibilidades é que a Amazon adote o Android, o que faria sentido diante dos rumores de que a empresa prepara um novo tablet com o sistema do Google, em vez do Fire OS.

Fire OS marcou a primeira fase da Amazon em dispositivos móveis e pode influenciar novo celular da marca

Reprodução/Amazon

Ainda assim, nada foi confirmado. Também não está claro se a companhia seguirá com uma proposta de smartphone tradicional ou se pode apostar em algo mais próximo de um aparelho minimalista, com funções limitadas e foco maior em comandos por voz e integração com serviços.

No entanto, vale lembrar que, segundo as fontes ouvidas pela Reuters, o Transformer ainda pode ser cancelado caso a estratégia da companhia mude ou surjam preocupações financeiras. Em outras palavras, embora o rumor tenha ganhado força, ainda não há garantia de que o novo celular da Amazon realmente chegará ao mercado.

O que foi o Fire Phone e por que ele fracassou?

Lançado em 2014, o Fire Phone foi a primeira e até agora única tentativa da Amazon de entrar de verdade no mercado de smartphones. O aparelho chegou cercado de expectativa, com participação direta de Jeff Bezos, mas durou pouco: em pouco mais de um ano, o projeto foi encerrado e virou um dos fracassos mais lembrados da história da empresa.

Entre os principais problemas do modelo estavam o preço alto e a dificuldade de competir com rivais que já dominavam o setor. O Fire Phone chegou ao mercado custando o mesmo que iPhones e celulares premium da Samsung, mas oferecia uma experiência mais limitada. O aparelho rodava o Fire OS, sistema baseado em Android, porém sem acesso nativo à Google Play Store, o que deixava de fora apps muito populares, como serviços do Google e outros programas já consolidados entre os usuários.

Fire Phone foi a primeira e única tentativa da Amazon de entrar no mercado de smartphones

Reprodução/CNet

A Amazon apostou em recursos como uma interface com efeito 3D e o Firefly, ferramenta que reconhecia objetos pela câmera e levava o consumidor à loja da empresa. Embora chamassem atenção no papel, essas funções não eram suficientes para justificar a troca de celular e ainda reforçavam a sensação de que o produto servia mais para estimular compras do que para entregar uma experiência realmente competitiva.

Pouco depois do lançamento, a Amazon precisou cortar drasticamente o preço do aparelho para tentar melhorar as vendas. O projeto acabou descontinuado em 2015, após a companhia registrar uma baixa de US$ 170 milhões com o estagnação do Fire Phone. Desde então, o modelo passou a ser tratado como um exemplo de aposta ambiciosa que não conseguiu encontrar espaço em um segmento já dominado por Apple e fabricantes Android.

Deveríamos nos animar com o novo celular da Amazon?

Ainda é cedo para se empolgar, mas há razões para acompanhar o projeto com atenção. Diferentemente do que aconteceu em 2014, quando a Amazon valia cerca de US$ 146 bilhões, a empresa chega a essa possível nova investida em um momento bem mais robusto. Em março de 2026, o valor de mercado da companhia gira em torno de US$ 2,24 trilhões a US$ 2,25 trilhões, o que ajuda a dimensionar o tamanho que a gigante assumiu desde o fracasso do Fire Phone.

Também vale considerar que a presença da Amazon no dia a dia do consumidor é hoje muito maior do que há uma década, especialmente nos Estados Unidos. A empresa ampliou sua atuação em serviços, assinaturas, dispositivos e soluções baseadas em Alexa, o que poderia facilitar a adoção de um novo aparelho.

Por outro lado, atualmente, boa parte dos serviços da Amazon já pode ser acessada em celulares Android e iPhone. Por isso, a companhia precisaria mostrar por que seu smartphone faria mais sentido do que os modelos já consolidados no mercado.

Ao mesmo tempo, o mercado é mais competitivo do que há dez anos, com Apple e Samsung consolidadas no segmento premium e as chinesas Xiaomi e Huawei ocupando diferentes faixas de preço com força global. Além disso, a corrida por IA já virou prioridade para praticamente todos os grandes fabricantes, o que reduz o espaço para uma estreia sustentada apenas pelo "apelo da tecnologia".

No fim das contas, a principal dúvida não é se a Amazon consegue lançar outro celular, mas se conseguirá oferecer um motivo real para alguém adotá-lo. Caso repita a lógica do Fire Phone e priorize mais o próprio ecossistema do que a experiência do usuário, o risco de um novo fracasso continuará alto. Mas, se conseguir transformar Alexa e IA em recursos realmente úteis no dia a dia, a empresa ao menos pode voltar a chamar atenção no setor.

Com informações de Reuters, g1, Wired, CNET, Hey, TIME, TechCrunch, StatMuse e MobileSyrup

Mais de TechTudo

🎥Ainda no universo Amazon; veja a melhor Alexa para comprar!

Qual é a melhor Alexa para comprar em 2025? Veja qual a escolha certa!