Vorcaro volta a depor no caso Master-BRB nesta quinta-feira após PF apontar envolvimento de Ibaneis

Vorcaro volta a depor no caso Master-BRB nesta quinta-feira após PF apontar envolvimento de Ibaneis - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, deverá prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (15) na investigação sobre as fraudes em negócios envolvendo a instituição financeira e o Banco de Brasília (BRB). O depoimento, presencial, está marcado para 14h, no complexo penitenciário da Papudinha, em Brasília, onde ele está preso desde março deste ano por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

Este será o segundo depoimento do ex-banqueiro na investigação do principal inquérito da Compliance Zero, que levou Vorcaro à prisão pela primeira vez. Nesta frente de investigação, a PF investiga o repasse de R$ 12 bilhões feito do BRB para o Master para adquirir carteiras de crédito que não tinham lastro.

Vorcaro já havia sido ouvido em 31 de dezembro do ano passado por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF, que era o relator do caso na época. Na ocasião, porém, a investigação não havia avançado. Desta vez, a PF considerou ser necessário um novo depoimento do ex-banqueiro, já que o inquérito trouxe novas informações e detalhes sobre os negócios envolvendo o BRB e o Master.

Desde o ano passado, a corporação já tomou depoimentos de investigados, analisou os materiais apreendidos e também realizou uma extensa perícia sobre as ordens do BRB para adquirir as carteiras fraudulentas do Master. A corporação também chegou a prender o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa após identificar que Vorcaro teria oferecido a ele R$ 146 milhões, por meio de seis imóveis em troca de decisões favoráveis ao Master. A defesa de Paulo Henrique vinha tentando negociar um acordo de delação premiada, mas a proposta foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em um relatório tornado público recentemente, a PF aponta ainda que a tentativa de compra do Master pelo BRB teria sido chancelada pelo então governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), em uma reunião entre ele, Vorcaro, Costa e mais um interlocutor em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025.

Para a PF, a participação de Ibaneis no negócio "não se limitou ao exercício regular de suas prerrogativas institucionais", e o político teria atuado em quatro frentes: autorização dos montantes do aumento de capital do BRB; definição da estratégia de expansão do BRB; validação de "decisões operacionais críticas"; e articulação com agentes privados.

Ainda segundo a PF, teria havido uma "captura institucional" da instituição financeira do governo do DF por meio da atuação de Ibaneis para atender a interesses específicos. "As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública", diz o relatório da PF.

Em nota divulgada após o relatório vir à tona, a defesa de Ibaneis afirmou ter recebido com "tranquilidade" a análise da PF.

"Ibaneis Rocha não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência nas operações realizadas pelo BRB. Como se constata da leitura do documento, o ex-presidente do banco detinha total autonomia para a condução das negociações em nome da instituição financeira. O contato com Ibaneis Rocha se deu em contexto natural, institucional e republicano, considerando os cargos ocupados por ambos", diz o texto do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Procuradas, as defesas de Costa e Vorcaro não se manifestaram. Daniel Vorcaro, do Banco Master Victor Moriyama/Bloomberg

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