O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, comparou, durante depoimento à Polícia Federal, a compra de uma casa às operações bilionárias de crédito realizadas entre sua instituição e o Banco de Brasília. A analogia foi utilizada para defender que a negociação original de carteiras questionadas pelos investigadores não foi concluída.
O depoimento foi prestado em 15 de outubro de 2026. O vídeo foi tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta 5ª feira (29.out.2026).
Segundo a PF, o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Banco Master em operações de cessão de crédito feitas de dezembro de 2024 a maio de 2025. A transferência de recursos públicos se deu mesmo depois de alertas formais, relatórios de riscos das áreas técnicas e pareceres contrários.
Ao ser questionado sobre a comercialização de carteiras de crédito podres, Vorcaro recorreu ao exemplo de uma promessa de compra e venda de um imóvel. Segundo a explicação, um comprador poderia assinar um contrato e depositar valores para garantir a operação, mas a transferência definitiva dependeria da análise dos documentos e da assinatura da escritura. Caso fossem identificadas pendências, o comprador poderia desistir do imóvel e utilizar os recursos para adquirir outro bem, como um carro.
“Deixa eu fazer uma analogia, pra ver se fica mais fácil. Tem uma casa aqui, a gente vai fazer um contrato de promessa de compra e venda para comprar a casa”, afirmou Vorcaro durante o depoimento.
Assista ao vídeo (1min51s): Vorcaro argumentou que a negociação com o BRB seguiu lógica semelhante.
Segundo ele, as carteiras inicialmente negociadas foram substituídas por outros ativos depois que surgiram problemas na documentação e na comprovação dos créditos. O empresário afirmou que os recursos relacionados à operação original foram devolvidos ou direcionados à aquisição dos novos ativos.
Por isso, sustentou que não seria correto tratar a negociação inicial como uma transação definitivamente concluída. A delegada contestou a comparação.
Segundo a investigação, as carteiras foram incorporadas ao sistema do Master, registradas e negociadas com o BRB, independentemente das substituições realizadas posteriormente. Os investigadores também questionaram a ausência de documentação suficiente para comprovar a existência dos créditos e os procedimentos utilizados para registrar as operações.
Vorcaro reconheceu que houve pendências documentais, mas afirmou que elas foram identificadas e corrigidas. Disse que os ativos substitutos precisariam ser avaliados para determinar se o BRB sofreu prejuízo.
“Faltaram documentos e aí a gente foi pra assinar a escritura, e a senhora fala: ‘Eu não quero comprar a casa mais. Eu não quero porque não tem documento, vou desfazer’.
E eu deixei comprar um carro seu, que é um carro que tem o documento de 20. Devolveu o dinheiro, você foi lá e comprou o carro.
A transação da casa aconteceu? É a mesma coisa que a gente tá discutindo”, finalizou Vorcaro.
Poder 360