247 – O cancelamento imprevisto de um deslocamento aéreo privativo que partiria da fronteira argentina com destino a Miami, nos Estados Unidos, na madrugada desta terça-feira (27) reforça suspeitas sobre uma tentativa de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus familiares.
A única justificativa fornecida para a interrupção da viagem foi que “um dos passageiros teve um problema”, segundo o jornal Clarín. A operação envolveria um avião bimotor modelo Gulfstream G400, identificado pela matrícula LV-JQW e pertencente à companhia Baires Fly.
A aeronave aterrissou na cidade de Puerto Iguazú perto da meia-noite transportando três tripulantes e tinha decolagem agendada para as 2h30 rumo ao território norte-americano. De acordo com informações apuradas pela imprensa local, a empresa cancelou o plano de voo antes mesmo da chegada do jato à localidade fronteiriça, sem que os dois pilotos e a comissária tivessem conhecimento prévio da decisão.
Os funcionários da empresa foram encaminhados a uma rede hoteleira do município argentino enquanto aguardavam orientações. Fontes consultadas na região não descartam a hipótese de que a aeronave estivesse reservada para atender ao parlamentar brasileiro, derrotado nas urnas no último domingo (25) pelo presidente Lula (PT).
A relação de passageiros prevista para o voo de quatro ocupantes nunca chegou a ser protocolada perante as autoridades de Imigração e Alfândega locais. A movimentação na Tríplice Fronteira ocorre na esteira de determinações expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que vetou a saída de Flávio do Brasil e exigiu a apreensão de seus documentos de viagem.
A notificação judicial ocorreu na segunda-feira (26), quando o parlamentar deixava a residência de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Flávio Bolsonaro tinha até a manhã desta terça-feira para entregar seus documentos às autoridades policiais e não o fez.
O inquérito em andamento no STF investiga suspeitas de ocultação de bens, evasão de divisas e inconsistências financeiras ligadas ao financiamento do filme “Dark Horse” e a conexões com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A medida cautelar imposta pela Suprema Corte considerou manifestações recentes do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), radicado na Flórida há alguns meses, que sugeriu publicamente a busca de refúgio por seu irmão nos Estados Unidos em caso de revés eleitoral.
Brasil 247