Vítima da Outsider Tours comprou pacote para a final da Champions e acabou vendo pelo celular em 'fast food' de Londres
O professor de Educação Física Ricardo de Araújo já estava na porta do Estádio de Wembley, em Londres, na Inglaterra, prestes a realizar o sonho de assistir à final da Champions League entre Borussia Dortmund e Real Madrid, em junho de 2024, quando descobriu que seu ingresso não existia. Ele foi mais um dos enganados pela Outsider Tours, empresa de Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, preso por estelionato na terça-feira, em Balneário Camboriú (SC).
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Natural do Rio de Janeiro, Ricardo contratou a empresa por indicação de um amigo e fechou um pacote completo de R$ 33 mil, que incluía passagens de ida e volta para Londres, hospedagem e ingresso para o tão esperado jogo. A viagem corria bem e ele estava acompanhado de um colega, do pai e da irmã dele, até o momento em que chegaram em frente ao Estádio de Wembley.
Enquanto os outros torcedores entravam e ocupavam seus lugares, Ricardo aguardava a entrega do ingresso. A promessa da empresa era de que os bilhetes seriam disponibilizados até 24 horas antes da partida, o que não aconteceu. Depois, o prazo passou a ser de cinco horas. O desespero tomou conta de todos quando uma mensagem chegou apenas sete minutos antes do início do jogo.
— Faltando sete minutos para começar o jogo, ele mandou uma mensagem falando que não arrumou ingresso. Só arrumou o ingresso para esse meu amigo, sendo que eu, o pai dele e a irmã dele ficamos de fora. Cada um pagou R$ 33 mil, e só meu amigo entrou — conta.
A raiva veio ao perceber que, tão perto de realizar um sonho, não poderia concretizá-lo. Ainda no local, Ricardo gravou vídeos em frente ao estádio afirmando que foi lesado pela empresa.
Ricardo de Araújo já estava na porta do Estádio Wembley, em Londres, quando foi enganado pela Outsider Tours
Para conseguir assistir ao jogo, ainda que à distância, Ricardo sentou em uma loja de uma grande rede de fast food e acompanhou a partida pelo celular de um indiano que também estava no local.
— Os bares não ficam abertos, porque é muita gente, já teve muita confusão. E o McDonald’s ficava perto da estação de trem que eu peguei para voltar. Parei no McDonald’s e fiquei vendo no celular do indiano, porque nem no meu eu consegui — afirma.
A viagem havia começado quatro dias antes e, segundo Ricardo, a excursão reunia ao menos 200 pessoas. Dessas, apenas 80 conseguiram entrar no estádio. No dia do jogo, ele enviou mensagens a Fernando Sampaio.
— Eu mandei mensagem, nós discutimos muito. Ele falou: “Eu terceirizei”. E eu respondi: “Meu irmão, o problema é seu que você terceirizou. Eu não quero saber. Eu vim aqui com uma promessa sua e você não me entregou o que eu queria” — lembra.
De volta ao Rio, Ricardo recebeu um estorno de R$ 5 mil, com a promessa de que o restante seria pago em parcelas. Ainda assim, segue no prejuízo de R$ 28 mil.
— Eu estou feliz que ele está preso, que teve justiça, mas também fico meio contrariado porque, com ele preso, como é que ele vai me pagar? — questiona.
Preso por estelionato
Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, preso por estelionato nesta terça-feira em Balneário Camboriú (SC), é dono da empresa Outsider Tours, agência especializada em turismo esportivo acusada de não entregar os serviços contratados. Segundo a delegada Luana Backes da Divisão de Investigação Criminal, o empresário é investigado por crimes em diferentes estados do país.
— Fernando seria responsável por empresas de turismo que vendiam pacotes esportivos para eventos nacionais e internacionais, mas não entregavam os serviços contratados. Há registros de procedimentos policiais contra ele nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pará— , explicou em vídeo enviado ao O GLOBO.
Desde 2022, a Outsider Tours, empresa carioca de turismo esportivo, acumula reclamações por não entregar serviços contratados, incluindo pacotes para a final da Libertadores em Guayaquil, com falta de assentos em voos. Naquele ano, o Flamengo denunciou o uso indevido de sua marca pela empresa e anunciou que buscaria reparação judicial. Problemas semelhantes se repetiram na final da Champions League de 2024, quando clientes relataram não receber ingressos até a hora do jogo.
Em 2025, o dono da empresa, Fernando Sampaio de Souza e Silva, foi indiciado duas vezes por estelionato pela Polícia Civil do Rio, embora negue ter sido intimado e afirme que os casos são pontuais. Entre as vítimas está o ator Márcio Garcia, que afirma ter pago R$ 17,2 mil por um pacote para o Mundial de Clubes nos EUA e descobriu no dia da viagem que não havia passagens emitidas. O caso é investigado pela 16ª DP.
Há ainda outras apurações em andamento no Rio e em São Paulo, incluindo um prejuízo de R$ 1,2 milhão a uma empresa paulista e uma ação cível de R$ 5,9 milhões movida por uma agência da Bahia. Fernando, considerado foragido, foi localizado em Balneário Camboriú, onde passava férias com a família.
