A Vision Cybersecurity e a Tempest Security Intelligence, da Embraer, concluíram oficialmente seu processo de fusão após a aprovação sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na última sexta-feira (30). A união deu origem ao Grupo Vision Tempest, empresa independente com receita anual de R$ 700 milhões.
Após concluir o negócio, o CEO do grupo, Andre Fleury, disse que a nova empresa vê espaço para mais aquisições. Entre as oportunidades, há uma conversa avançada na América Latina, cujo desfecho é esperado já para o primeiro semestre do ano que vem.
O próximo passo, afirmou, está conectado aos planos de internacionalização da empresa. A união de forças entre as duas companhias foi anunciada em setembro.
O negócio chegou à esteira de um processo de “spin-off” (cisão) da Vision, que fazia parte da capixaba ISH Tecnologia. Junto da separação da ISH, a Vision recebeu um aporte de até R$ 400 milhões da SPX Capital no início do ano.
“Temos conversas menos avançadas no Brasil, mas em complementariedade de conhecimento dentro desse grupo de áreas de segurança. Mas há conversas mais avançadas fora do país, com a ideia de expansão de território.
Aqui não é uma questão de tecnologia, mas sim de empresas similares à nossa, mas com foco em expansão de território. O nosso objetivo é ser uma multinacional de cibersegurança”, disse.
Segundo dados da consultoria Imarc, o mercado de cibersegurança no Brasil movimenta cerca de US$ 1,9 bilhão ao ano - o número, entretanto, depende da forma como a categoria é englobada por causa dos serviços voltados ao setor. O executivo destacou que a Vision e a Tempest, apesar de serem duas das maiores do mercado, não representam 10% desse total.
Entre as líderes globais no segmento estão Accenture, IBM e EY. Já entre as brasileiras, alguns nomes são a Redbelt e a Logical IT.
Globalmente, uma das empresas a avançar com a consolidação no setor é o Google, que comprou a companhia israelense de segurança em nuvem Wiz, em um negócio de US$ 32 bilhões fechado neste ano. A pulverização, acrescentou o executivo, abre espaço para novas consolidações.
Há hoje tratativas em curso no Brasil e um processo mais avançado para aquisição na América Latina. “Agora temos a musculatura para começar a fazer a consolidação.
Mas não apenas comprar empresa. Podemos consolidar carteira.
Um cliente que tem 10 fornecedores pode vir a olhar um grupo maior que consegue ter mais capacidade. Nós não vamos ser o único parceiro, mas queremos ser o principal”, acrescentou.
O executivo disse ainda que hoje os clientes no Brasil são muito dependentes de tecnologia estrangeira. Essa realidade, disse, abre algumas brechas.
“O nosso jeito de fazer as coisa, a forma como os ataques acontecem, são diferentes”, disse. Em paralelo, o cenário geopolítico também tem impulsionado a demanda por soluções de proteção digital, diante do crescimento das ameaças a infraestruturas críticas, como empresas de petróleo, energia e saneamento.
O tema tem levantado cada vez mais atenção no mercado e incentivou investimentos. Entre os principais clientes da empresa estão os setores financeiro, de energia, de óleo e gás, assim como o e-commerce das varejistas.
“A cibersegurança passou a ser uma agenda estratégica de muitas empresas”, disse. Com a criação do grupo, a SPX ficou como acionista controladora - com mais de 50% de participação, mas o grupo não detalha a fatia.
A Embraer aparece como segunda acionista relevante. Há também investidores pessoa física, como o próprio CEO e os fundadores da ISH.
“Estamos em busca de um terceiro grande acionista”, disse o executivo, destacando que esse investidor iria completar o “equity” junto da SPX, que aportou até agora R$ 200 milhões. “Estamos conversando com grupos interessados”, disse, sem fornecer mais detalhes.
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