A influenciadora digital Virgínia Fonseca recebeu R$ 17,7 milhões de uma empresa associada ao advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República. Os pagamentos ocorreram durante o período em que ela promovia a casa de apostas Blaze, plataforma cujas possíveis ligações com o advogado são investigadas pela Polícia Federal (PF).
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (6) pelo Brasil247, com base em reportagem publicada originalmente pela revista piauí e confirmada pela Folha de S.Paulo. Os repasses foram identificados em documentos financeiros encaminhados à CPI das Bets, no Senado Federal.
Brasil 247+1 Ao todo, foram cinco transferências via Pix realizadas entre março e setembro de 2024 pela AMP Pay Marketing e Negócios à Talismã Digital, empresa de Virgínia.
As operações chamaram a atenção do Banco Santander, que identificou movimentações consideradas atípicas e comunicou o caso ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A assessoria da influenciadora afirma que os valores correspondem a campanhas publicitárias regularmente contratadas.
Entretanto, não detalhou quais contratos justificaram os pagamentos. Empresa sob suspeita da Polícia Federal
A AMP Pay está no centro de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas. Segundo documentos obtidos pela PF, Willer Tomaz declarou, em uma mensagem enviada ao Magnum Bank em 2024, que era sócio ou acionista da empresa.
A Polícia Federal suspeita que a AMP Pay possa ter funcionado como empresa de fachada para movimentar recursos financeiros. Um dos elementos que despertaram a atenção dos investigadores foi a estrutura da companhia.
Registrada em Itajaí, Santa Catarina, a empresa possui capital social de apenas R$ 50 mil e está enquadrada no Simples Nacional, regime tributário destinado a negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. Apesar desse enquadramento, somente os pagamentos destinados à empresa de Virgínia alcançaram R$ 17,7 milhões em sete meses.
O proprietário formal da AMP Pay, Guilherme Maciel, negou conhecer Willer Tomaz ou manter qualquer relação com ele. Segundo Maciel, a companhia atuava regularmente como intermediadora tecnológica de pagamentos entre 2024 e 2025.
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Amigo de Flávio movimentou bilhões em apostas A investigação também alcança as relações financeiras e empresariais de Willer Tomaz, apontado como amigo pessoal de Flávio Bolsonaro.
O advogado aparece em documentos do Ministério da Fazenda como o maior apostador individual identificado no mercado brasileiro em 2025, com aproximadamente R$ 5 bilhões movimentados em plataformas de apostas esportivas. Esse valor não representa necessariamente dinheiro próprio depositado pelo advogado, pois inclui recursos reapostados, ganhos e perdas acumulados nas operações.
Os registros também apontam saques superiores a R$ 200 milhões. A PF identificou ainda transferências realizadas por Tomaz à Blaze por meio de uma conta na fintech A55.
As operações foram classificadas como atípicas pela instituição financeira. Outro elemento examinado é a utilização de um mesmo endereço pela Foggo Entertainment Ltda., responsável pelas operações da Blaze, e por empresas anteriormente ligadas ao advogado e a seus ex-sócios.
Os investigadores ressaltam, porém, que essas coincidências não comprovam que Willer seja proprietário, sócio oculto ou controlador da plataforma. Flávio Bolsonaro também é citado nas apurações relacionadas ao advogado, mas as suspeitas ainda dependem de esclarecimento e não constituem comprovação de participação em atividades criminosas.
Agenda do Poder+1 Virgínia nega conhecer advogado
Procurada para comentar as transferências milionárias, a assessoria jurídica e de comunicação de Virgínia Fonseca negou qualquer vínculo pessoal ou contratual da influenciadora com Willer Tomaz. Segundo seus representantes, o advogado não aparece como parte em contratos celebrados pela influenciadora, que afirma nunca ter mantido contato ou negociação com ele.
A defesa também sustenta que os R$ 17,7 milhões recebidos pela Talismã Digital correspondem a serviços publicitários contratados. Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que Virgínia tivesse conhecimento de eventuais irregularidades envolvendo a origem dos recursos.
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