Vídeos que circulam nas redes com milhões de visualizações e que seriam do ataque rebelde huti ao aeroporto internacional King Khalid, em Riad, foram criados com inteligência artificial, segundo uma verificação de fatos da emissora alemã DW publicada na segunda-feira, 12 de outubro de 2026.
O ataque real, reivindicado pelos houthis, matou ao menos 16 pessoas desde a quinta-feira passada, segundo as autoridades sauditas. Uma das gravações falsas, com 1,7 milhão de visualizações no X, circula desde março de 2026 e não pode mostrar os ataques mais recentes.
A análise frame a frame identificou inconsistências típicas de conteúdo gerado por IA, como a imagem de uma mão segurando um smartphone que surge ao lado da cabeça de um homem e um homem que primeiro aparece sem uma das mãos e, depois, milagrosamente com ela. A ferramenta de identificação de IA da Meta encontrou assinaturas de inteligência artificial generativa no vídeo.
Mesmo assim, a gravação foi compartilhada como autêntica até pelo jornal Times of Israel, em publicação com mais de 256 mil visualizações. O vídeo apareceu em árabe, inglês, russo, espanhol, turco e tailandês, no YouTube, Instagram, TikTok e Facebook.
Outro vídeo falso, com 2,9 milhões de visualizações no X, foi gerado a partir de uma fotografia estática. Uma busca reversa localizou a imagem original no banco de fotos Shutterstock, enviada em 2016.
No vídeo, um poste de iluminação aparece sem lâmpadas e um veículo muda de forma ao ser lançado ao ar, sem sombras correspondentes à explosão. A conta que publicou essa gravação já divulgou conteúdo gerado por IA outras vezes.
O ataque real de 8 de outubro ao aeroporto King Khalid danificou seriamente um avião, mas o vídeo não mostra o momento do ataque. Um terceiro vídeo, com mais de 301 mil visualizações no TikTok, dizia ter sido gravado “agora do coração do aeroporto de Riad”.
A verificação constatou que as imagens também precedem o ataque e mostram pessoas atravessando objetos, outra falha típica de conteúdo sintético. Filmagens autênticas dos ataques e de seus efeitos circularam nas redes, e os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, reivindicaram a série de ataques recentes contra o aeroporto.
A verificação completa, item por item, está publicada no site da DW.
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