Vídeo: instrutor de parapente cai na mata em Niterói e imagens viralizam; rampas do Parque da Cidade foram reabertas mês passado

 

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Um vídeo filmado por um turista estrangeiro, que viralizou nas redes sociais neste fim de semana, mostra o momento em que um instrutor de parapente cai na área de mata logo após auxiliar a decolagem de outro profissional, que realizaria um voo duplo com um visitante, no Parque da Cidade, em Niterói. Apesar da repercussão, um clube de voo local afirma que a situação é comum na prática do esporte e não houve feridos.

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O episódio ocorreu há cerca de dez dias; logo após a reabertura das rampas para voos duplos, cinco meses depois do acidente que matou dois praticantes no local. O caso gerou debates na cidade sobre fiscalização e segurança, tema de reportagem publicada neste domingo (1º) pelo GLOBO-Niterói.

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O instrutor que aparece nas imagens caindo na mata é Márcio Lira. Ele conta que ajudava outro piloto na decolagem, prática conhecida entre os profissionais como “dar cabo”, quando um instrutor acompanha e estabiliza o piloto até certo ponto da rampa para garantir uma saída mais segura, especialmente em voos duplos com passageiros iniciantes.

— Isso só acontece com instrutor. É uma prática comum quando estamos auxiliando outro piloto, principalmente com turista, que às vezes se enta antes do tempo na hora da decolagem. Eu percebi que os três iam parar no mato, então saltei e deixei eles seguirem. Ali tem três ou quatro metros de altura. Não tive nenhum arranhão e logo depois fiz meu voo normalmente — diz Márcio.

Segundo ele, a situação ocorreu na rampa sul, que tem o visual da Região Oceânica da cidade. O instrutor explicou que, para reduzir riscos, o grupo passou a utilizar depois deste incidente um sistema de ancoragem com cinto de segurança que limita o deslocamento de quem está auxiliando na decolagem.

— Na verdade, não é para acontecer, porque quem deve guiar a aeronave é o piloto. Mas já ocorreu outras vezes entre instrutores experientes. Por isso adotamos essa ancoragem de segurança, que também é usada na rampa de São Conrado — disse.

O presidente do Parapente Niterói Clube, Vander Vicente, reforçou que o episódio não teve gravidade e classificou a repercussão como exagerada. Ele explicou que a prática se tornou mais frequente para dar mais segurança a passageiros iniciantes, especialmente turistas.

— Quem não entende acha que é uma tragédia, que caiu numa ribanceira, mas não é nada disso. Não teve nem arranhão. Isso faz parte do esporte. Já aconteceu até comigo. Só acontece com quem está fazendo o cabo, ajudando na decolagem. Quando o passageiro chega próximo à rampa, às vezes se senta antes da hora. Ao fazer essa manobra de apoio, ele se sente mais seguro e facilita a decolagem. Mas é algo exclusivo de instrutor — disse.

Ele também fez um alerta para visitantes que costumam frequentar a rampa apenas para apreciar a vista:

— Não é para ninguém ficar na frente da rampa ou ultrapassar os limites. A área de decolagem é restrita aos instrutores e pilotos. Quando vamos decolar, sempre pedimos para os frequentadores se afastarem para evitar acidentes.

Sobre a reabertura da pista, Vander disse que o município já foi informado sobre as normas que regem a atividade.

— Apresentamos todas as normativas para a prefeitura, que entendeu que não há o que fazer além de regulamentar. É uma rampa pública de esporte radical. A própria legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) classifica como atividade de risco, por conta e risco do praticante. É como entrar no mar — afirmou.

Em nota anterior, a Anac esclareceu que o voo livre em asa-delta ou parapente é uma modalidade de esporte radical fortemente dependente das condições meteorológicas e geográficas e que a agência não emite ou exige habilitação específica para a prática, recomendando que os interessados busquem associações aerodesportivas reconhecidas pelas comunidades praticantes. O órgão pontuou, contudo, que a atividade deve respeitar os espaços designados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e cumprir regras “de forma a não expor pessoas no solo ou o sistema de aviação civil a nenhum risco”.