Na Venezuela, manifestantes vão à Embaixada dos EUA para exigir eleições após queda de Maduro

 

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Sindicalistas e trabalhadores protestaram nesta quinta-feira em frente à Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela, pedindo novas eleições e melhorias salariais, ao se completarem mais de 100 dias da deposição do presidente Nicolás Maduro.

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Maduro foi capturado em 3 de janeiro durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas e levado ao país para responder a acusações, em uma ação que alterou drasticamente o cenário político venezuelano.

Um opositor do governo da presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez entra em confronto com a polícia durante uma manifestação em Caracas

JUAN BARRETO / AFP

Após a queda do líder, Delcy Rodríguez assumiu o comando interno do governo. Ela governa sob forte pressão do presidente americano, Donald Trump, que afirma ter influência sobre a condução política e sobre a comercialização do petróleo venezuelano.

Os manifestantes se concentraram em uma área abastada da capital e seguiram até a embaixada americana, cuja sede diplomática retomou suas atividades após o restabelecimento das relações entre Washington e Caracas, interrompidas por sete anos.

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— Queremos agradecer ao governo americano por ter nos dado um pouquinho de ar para respirar, mas que terminem o trabalho — disse o sindicalista Víctor Pereira a um funcionário local da embaixada.

Durante o ato, os participantes entregaram uma lista de reivindicações, incluindo aumento salarial, libertação de presos políticos e a convocação de eleições livres. — Precisamos rapidamente de eleições — afirmou à AFP Carlos Salazar, coordenador de uma coalizão sindical.

A oposição venezuelana também pressiona Rodríguez para convocar eleições, alegando “ausência absoluta” de Maduro, que responde a acusações de narcotráfico em Nova York, após o fim do prazo de 90 dias previsto na Constituição.

Uma mulher envolta na bandeira nacional venezuelana segura uma placa com os dizeres 'Eleições Não, e desta vez eles não poderão nos enganar' durante um protesto na Praça Alfredo Sadel, em Caracas

AFP

— Agora mesmo o governo venezuelano está sob a tutela dos americanos. Então, vamos falar com os americanos" para que gritem "uma ponte" com Rodríguez e "responda nossas sugestões — explicou Laura Rada, sindicalista de 70 anos.

Com bandeiras da Venezuela e dos Estados Unidos, cerca de 200 pessoas haviam se reunido anteriormente em uma praça próxima à embaixada para apoiar as reivindicações.

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As manifestações vinham sendo raras no país após uma onda de prisões desencadeada pela contestada reeleição de Maduro, em 28 de julho de 2024. Desde sua captura, no entanto, os protestos voltaram a ganhar força.

— A Venezuela está tutelada pelos Estados Unidos agora. Simples assim — afirmou Adriana Farnetano, aposentada de 62 anos, segurando uma pequena bandeira americana e enrolada no tricolor venezuelano.

— Está o negócio do petróleo e tudo isso, mas isso nós não vemos agora. Nós não vendemos nada do petróleo, nem do ouro, nem de nada — criticou a falta de resultados concretos na economia.