Vereadores rejeitam moção de repúdio contra Acadêmicos de Niterói por intolerância religiosa em desfile

 

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A Câmara Municipal de Niterói rejeitou, nesta terça (17), uma moção de repúdio à escola de samba Acadêmicos de Niterói por suposta intolerância religiosa durante desfile de carnaval deste ano na Marquês de Sapucaí, no Rio. A proposta, de autoria do vereador Allan Lyra (PL), teve 10 votos contrários e 6 favoráveis.

A moção foi motivada pela ala "Neoconservadores em conserva", cujos integrantes desfilaram com uma fantasia que simulava estarem dentro de latas de conserva. Para o parlamentar, a ala retratou de forma depreciativa famílias tradicionais e “grupos religiosos evangélicos”, com uma proposta descrita pela agremiação inclusive no documento oficial enviado à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), organizadora do carnaval.

Ao defender a proposta no plenário, Allan Lyra afirmou que a ala não configurava crítica artística, mas sim intolerância religiosa.

-- Quando um grupo religioso é retratado como caricatura pejorativa em rede nacional, estamos diante de intolerância. E intolerância não pode ser relativizada. A intenção foi declarada. Está no documento oficial da própria organização do carnaval -- disse ele, citando outras manifestações contra a ala da Acadêmicos de Niterói, como notas da Arquidiocese do Rio de Janeiro e da OAB-RJ. -- A liberdade artística é garantida pela Constituição, mas ela também protege a liberdade religiosa e a dignidade da pessoa humana. Não se pode normalizar o deboche à fé de milhões de brasileiros.

O caso também está sendo analisado pelo Ministério Público, que instaurou procedimento para apurar possível prática de discriminação religiosa no desfile.

Além de Allan Lyra (PL), votaram a favor da moção de repúdio Daniel Marques (PL), Fernanda Louback (PL), Michel Saad (Podemos), Leandro Portugal (MDB) e Pastor Maurício (Republicanos). Os votos contrários foram de Binho Guimarães (PDT), Professor Tulio (PSOL), Anderson Pipico (PT), Junior Morett (PSD), Sylvio Mauricio (PT), Emanuel Rocha (União), Leonardo Giordano (PCdoB), Boinha (PDT), Beto da Pipa (MDB) e Romério Duarte (Cidadania).

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