Navio-tanque russo carregado com petróleo e aparentemente a caminho de Cuba pode aliviar crise de combustíveis

 

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Um navio-tanque carregado com petróleo bruto russo parece estar a caminho de Cuba, enquanto a ilha caribenha, assolada pela escassez de combustível, busca um alívio três meses depois de o governo de Donald Trump ter efetivamente interrompido o fluxo de petróleo para o país. Dados de empresa de inteligência marítima Kpler mostram uma potencial chegada de um navio-tanque transportando mais de 700 mil barris de petróleo bruto russo, que deve chegar em Cuba até o final do mês.

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O petróleo russo seria um teste ao embargo dos EUA à ilha e não está claro se algum navio conseguirá entregar o óleo. Desde dezembro, um bloqueio naval dos EUA no Caribe impediu com sucesso que navios se aproximassem de Cuba, enquanto a ameaça de tarifas sobre os países fornecedores de petróleo ao país levou o México a interromper os embarques no início de fevereiro.

O México havia emergido como principal fornecedor de petróleo de Havana após as forças americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro no início deste ano e interromperem o fluxo de combustível daquele que era o aliado mais fiel da ilha governada pelos comunistas.

Na terça-feira, o navio Anatoly Kolodkin parecia estar a caminho do porto russo de Primorsk para o porto comercial de Matanzas, em Cuba, transportando 730 mil barris de petróleo russo dos Urais, segundo dados da Kpler. Outro petroleiro que estava, segundo a empresa, transportando petróleo russo para Cuba no mês passado, o Sea Horse, voltou a se mover em direção a Cuba depois de ter o curso desviado no mês passado.

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A chegada de um deles poderá representar o primeiro grande carregamento de combustível após uma longa paralisação. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse na semana passada que seu país não recebia um carregamento de combustível há três meses. Esse seria o período mais longo que Cuba ficou sem receber combustível em pelo menos 12 anos, afirmou Matt Smith, analista da Kpler.

O envio de petróleo bruto não traria alívio imediato a Cuba. Ele precisa ser refinado antes de ser utilizado, um processo que pode levar de 20 a 30 dias, afirmou Jorge Piñon, pesquisador do Instituto de Energia da Universidade do Texas em Austin, que monitora os carregamentos de combustível para o país. “Por isso, nosso argumento é: não enviem petróleo bruto para Cuba”, disse Piñon. “É preciso enviar produto refinado.”

Ainda assim, 700 mil barris de petróleo bruto russo seriam uma ajuda crucial. Cuba precisa de aproximadamente 100 mil barris de petróleo por dia para funcionar, mas produz apenas dois quintos disso, segundo Piñon. A cada dia sem carregamentos de combustível, o país se aproxima do que Piñon chama de “data crítica” — o dia em que ficará sem combustível.

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Desde que os EUA impuseram o bloqueio naval, Cuba tem funcionado com o petróleo recebido nos meses anteriores e com sua pequena produção interna de petróleo bruto pesado, usado como matéria-prima para geração de energia em casos de emergência.

A ilha tem sido assolada por cortes de energia e escassez de combustível devido ao embargo americano. A rede elétrica de Cuba sofreu um colapso total na segunda-feira, deixando os 10 milhões de habitantes da ilha no escuro. A falta de energia para tudo, desde hospitais e caminhões de lixo até geladeiras, desencadeou uma crise humanitária cada vez mais profunda em todo o país.

Enquanto a rede elétrica do país estava fora do ar, Trump fez um novo alerta a Cuba, dizendo a repórteres na segunda-feira que acredita que em breve terá “a honra de tomar Cuba”, afirmando que poderia “libertá-la, tomá-la — posso fazer o que quiser”. Havana, por sua vez, anunciou que abrirá sua economia para a diáspora cubana, uma antiga reivindicação da comunidade de exilados em Miami.