Inteligência dos EUA contradiz Trump, diz que regime do Irã permanece 'intacto' e não tentou reconstruir usinas

 

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A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou nesta quarta-feira (18) que o regime iraniano parece permanecer intacto, mas 'em grande parte degradado' após as operações militares dos EUA e de Israel.

Segundo ela, o programa de enriquecimento nuclear do Irã foi 'aniquilado' nos ataques de junho, mas a extensão total dos danos permanece incerta. Gabbard acrescentou que os Estados Unidos não observaram até o momento nenhum esforço por parte do Irã para reconstruir sua capacidade de enriquecimento de urânio.

A diretora seguiu e alertou que o Irã e seus aliados ainda mantêm a capacidade de atacar os interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio. Ela afirmou que, se o regime sobreviver, provavelmente iniciará um esforço de vários anos para reconstruir suas forças de mísseis e drones.

'O Irã e seus aliados continuam capazes de atacar e continuam a atacar os interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio. A comunidade de inteligência acredita que, se um regime hostil sobreviver, buscará lançar um esforço plurianual para reconstruir suas forças de mísseis e drones', disse.

Todas as declarações foram feitas durante uma audiência no Senado americano. Elas contradizem parte das afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o Irã estaria 'acabado' e que tentou reconstruir parte das usinas.

Durante a audiência do Comitê de Inteligência do Senado, a diretora de inteligência dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, foi questionada sobre como foram comunicadas as possíveis consequências do ataque ao Irã.

O senador democrata Ron Wyden citou a avaliação das agências de inteligência, chefiadas por Gabbard, de que o Irã era capaz de infligir danos aos atacantes, realizar ataques na região e interromper o tráfego ao longo do Estreito de Ormuz.

Gabbard confirmou as conclusões da inteligência.

'Continuamos a fornecer ao presidente e sua equipe informações relacionadas a esta operação no Irã. Sempre levamos muito a sério a ameaça representada pelas capacidades de mísseis do regime iraniano e o risco de que nossas tropas americanas pudessem ser colocadas em perigo'.

'A comunidade de inteligência continuou a avaliar as potenciais ameaças à região, as ameaças existentes na região e a fornecer essas avaliações aos formuladores de políticas e aos tomadores de decisão', completou.

EUA afirmam que não precisam do Estreito de Ormuz e que reabertura beneficiaria europeus

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Divulgação/Casa Branca

Em declarações feitas em entrevista nesta quarta-feira (18) à Fox News, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos não precisam do Estreito de Ormuz para sobrevivência.

Segundo ela, os esforços para a reabertura trariam mais benefícios à Europa e à OTAN e, por isso, eles precisam 'intensificar os esforços'.

'É claro que queremos que o Estreito esteja aberto para o mercado global de petróleo, para estabilizar os preços e reduzi-los novamente. E temos opções, as forças armadas têm opções para continuar fazendo isso, mas o presidente está certo ao pedir que nossos aliados intensifiquem seus esforços', afirmou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu nesta quarta-feira (18) a ideia de entregar a gestão do Estreito de Ormuz aos países que o utilizam.

Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump escreveu que, após 'acabar' com o governo do Irã, deixar o controle do Estreito para 'os países que o utilizam - não nós - ficassem responsáveis'.

'Isso abalaria alguns de nossos "aliados" indiferentes se mexessem, e rapidamente!!!', comentou.

Trump vem criticando as nações europeias depois que elas rejeitaram suas exigências de enviar navios de guerra para escoltar petroleiros através do estreito. Muitos líderes disseram que poderiam estar dispostos a se juntar a uma coalizão para patrulhar a região em disputa assim que as hostilidades cessarem.

Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã.

Reprodução/Nasa

Nesta terça-feira (17), os Estados Unidos disseram ter utilizado bombas de penetração profunda contra baterias antinavios do Irã ao longo do Estreito de Ormuz. O objetivo dos americanos é reabrir o local, que Teerã mantém fechado desde o início da guerra.

O estreito é uma passagem controlada pelos iranianos por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde que foi atacado, o Irã fechou a via, bloqueando o avanço de petroleiros, o que elevou o preço da commodity nos mercados internacionais.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nessa terça que 'não vai demorar muito' para que os navios possam atravessar o Estreito. Segundo ele, a Otan está 'cometendo um erro muito tolo' ao não querer ajudar os americanos na guerra contra o Irã e no desbloqueio da passagem marítima.

Países da Ásia e da Europa recusaram o pedido para apoiar uma operação. Trump disse que poderia ter pressionado os aliados, mas que não precisa de ajuda. Questionado sobre o aumento dos preços em consequência do conflito, Trump disse que o objetivo é impedir que 'lunáticos' tenham armas nucleares. Ele prometeu que o valor do barril de petróleo vai cair em breve, com o fim da guerra.

O presidente também criticou o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos. Joe Kent renunciou ao cargo dizendo, nas redes sociais, que não poderia, em sã consciência, apoiar a guerra. O republicano disse ser 'bom' que ele esteja fora do governo.

Os ataques de Israel nessa terça-feira mataram dois dos principais nomes do regime iraniano. Um deles foi Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã. Ele era classificado por Tel Aviv como o 'comandante efetivo' do país desde a morte do aiatolá Ali Khamenei. O outro foi Gholamreza Soleimani, comandante de uma unidade da Guarda Revolucionária, apontado como o responsável pela repressão violenta a protestos em janeiro.

O Irã também atacou Israel. Projéteis atingiram o entorno do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Teerã usou novamente um armamento conhecido como 'bomba de fragmentação' em retaliação à morte de Ali Larijani.