'Vendaval de extrema direita' deixará política mais medíocre, diz Chico Alencar

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um vendaval de extrema direita varreu o país e deixará a política mais medíocre a partir de 2027. Este é o diagnóstico do deputado e historiador Chico Alencar (PSOL-RJ), que não conseguiu o sexto mandato na Câmara. “Para quem busca fazer política com ética e honestidade, é uma debacle muito grande”, diz o parlamentar, ainda abatido com o resultado deste domingo. “Foi um vendaval, um tsunami de extrema direita que varreu o país. Vejo isso tudo com tristeza e indignação. A quadra histórica é sombria”, resume. Chico aponta sinais de erosão democrática no apoio popular a Flávio Bolsonaro, que liderou o primeiro turno com 47% dos votos válidos. “Nossa geração, que enfrentou a ditadura e a censura, achava que aquilo nunca mais iria voltar. Voltou repaginado para o século 21, com um discurso ultraliberal de viés autoritário”, critica. Ele prevê um Congresso pior a partir do ano que vem, com o avanço do bolsonarismo e a nova safra de polemistas surgidos na internet. “Estamos vendo uma mediocrização da política. Muitos vitoriosos apostam no papo mentiroso, mas convincente, contra tudo o que está aí. Na prática, são expressões do esgoto da política. E o sistema que beneficia essas forças terríveis será mantido”, afirma. Em 2018, quando Jair Bolsonaro chegou ao poder, Chico já alertava para a força do “voto raivoso”, que prometia soluções falsas e truculentas para as angústias do eleitor. “As insuficiências do capitalismo nos levam para este pântano”, reforça, oito anos depois. “Os negadores da vacina oferecem ao povo uma anestesia de consciência. Alguns chamam isso de dissonância cognitiva”, prossegue. O deputado se diz espantado com a votação do bolsonarista Douglas Ruas, que quase venceu a eleição do Rio no primeiro turno. “É chocante. Depois de toda a sucessão de lambanças de Wilson Witzel e Cláudio Castro... estava tudo explicitado: o roubo de dinheiro público, a ligação com as milícias, a infiltração do crime organizado”, indigna-se. “Em outras épocas, o eleitorado reagia a esses escândalos. Parece que o cansaço com a política leva as pessoas a aceitarem qualquer coisa”, lamenta. Apesar de continuar nas listas de deputados mais influentes, Chico recebeu 40 mil votos, um recuo de 65% em relação aos 115 mil que o reelegeram em 2022. Aos 76 anos, ele se diz preocupado com o futuro do PSOL, que não conseguiu ultrapassar a cláusula de barreira, e anuncia que não pretende mais disputar eleições. “Foi um bilhete azul. Recebi uma carta de demissão do eleitorado”, conforma-se. “Mas precisamos tocar em frente. Como disse o Geraldo Vandré, a vida não se resume a festivais. A vida não se resume à disputa política”, conclui. Primeiro turno: O tombo de Lula e a reação bolsonarista Mestre Zu: O Brasil de Zuenir, entre o desencanto e a esperança

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