As vendas no varejo relacionadas ao Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro, devem movimentar R$ 9,27 bilhões, 1,8% acima do observado em igual data no ano passado. A projeção é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), veiculada em estudo sobre o tema, nesta terça-feira (6). A entidade alertou que patamares elevados de endividamento das famílias e de juros devem impedir avanço maior de compras ligadas ao período comemorativo.
A CNC lembrou que o Dia das Crianças é a quarta data mais importante em vendas para o varejo, atrás de Natal, Dia das Mães e Black Friday (período de promoções no comércio em novembro).
Assim como em anos anteriores, as vendas de brinquedos devem responder pela maior parte da movimentação de negócios do comércio relacionados à data comemorativa, detalhou a entidade. O setor deve responder por 39% do total (R$ 3,62 bilhões), projetou a organização. A segunda posição deve ser ocupada por hiper e supermercados, com 28% do total (R$ 2,63 bilhões), seguida por vestuário e acessórios, com 15% (R$ 1,35 bilhão).
No estudo, a CNC apurou ainda preços médios de itens a serem presentados no Dia das Crianças que devem estar mais caros esse ano. A estimativa de preço para uma cesta com 11 itens de grupos de bens e serviços relacionados à data é de alta de 6,7% ante o mesmo período de 2025.
Neste ano, a organização estimou que o avanço médio de preços de produtos no varejo relacionados ao evento comemorativo será puxado por chocolates, que devem aumentar 19,3%. Outros avanços projetados foram em videogames (11,2%), lanches (8%), e brinquedos (7,1%).
Em contrapartida, artigos de vestuário devem mostrar alta de 4%, menor do que média encontrada pela confederação na inflação de itens relacionados à data.
Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, o crescimento nas vendas projetado para o comércio é baixo e “sustentado pelo bom índice de população empregada e aumento da massa real de rendimentos e sufocado pela alta taxa de juros e o custo restritivo do crédito”.
Em comunicado sobre a pesquisa, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, admitiu que o atual cenário de crédito mais caro e endividamento elevado das famílias ainda representam desafio para o consumo.
Mas Tadros ponderou que, em seu entendimento, há sinais que renovam perspectivas do setor. “Entramos na reta final do ano, um período tradicionalmente importante para o comércio e o turismo”, recordou. “Embora o ambiente ainda exija cautela de empresários e consumidores, a trajetória de redução da taxa de juros, mesmo que tardia, fortalece a confiança em condições mais favoráveis para o crescimento, o investimento e a geração de empregos”, disse.
Tadros se referiu, indiretamente, ao início da trajetória de corte da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. “A expectativa é de que o Dia das Crianças impulsione bons resultados para as empresas e contribua para dinamizar a economia, criando um ambiente mais propício neste último trimestre”, projetou Tadros.
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