Ricardo e Renata Oliveira começaram a Vem em 2009, com a fabricação de taças de sobremesa de policarbonato Keiny Andrade/Valor
O casal Renata e Ricardo Oliveira criou a Vem com uma ideia simples: substituir o vidro por um material mais resistente na fabricação de copos e taças de cozinhas industriais. A solução encontrada foi o policarbonato, plástico mais resistente a impactos.
A empresa, criada em 2009, tem hoje um portfólio de 2 mil itens e faturou R$ 30 milhões no ano passado. “Não somos um negócio que simplesmente injeta plástico.
Injetamos soluções que atendem às necessidades de diferentes segmentos, como bares, restaurantes, pizzarias, hospitais, hotéis e resorts”, disse Ricardo no podcast “Como eu Cresci”. O programa é uma parceria da CBN com o Valor e com Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
As conversas são conduzidas por Leandro Gouveia, repórter e apresentador da CBN, e Mariana Iwakura, editora-chefe de PEGN. O “Como eu Cresci” faz parte da iniciativa “Média é Mais”, que publica conteúdo sobre empresas de médio porte.
Esse episódio, o último da temporada, está disponível no site da CBN e em todos os tocadores de podcast. A dupla flertou com o empreendedorismo antes de fundar o negócio.
Quando começaram a namorar, aos 18 anos, empreenderam com comércio de itens como barras de cereal e panetones. A primeira empreitada, porém, não deu certo.
Renata foi trabalhar em um banco enquanto fazia faculdade. Ricardo engatou uma carreira de 15 anos como representante comercial de empresas como Tramontina e Brinox.
O atendimento ao setor de food service fez com que ele notasse uma dificuldade do mercado: as perdas e os acidentes gerados pela quebra de louças e utensílios de vidro. Durante a pós-graduação de Renata na França, eles conheceram um material que poderia ser a solução para o problema.
“A escola ficava em cima de uma cozinha industrial. Nos intervalos, descíamos para almoçar e tivemos contato com o policarbonato”, diz o empreendedor.
O material, transparente e resistente, ainda não estava disponível no Brasil. Com o chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, desenvolveram um kit para padronizar a produção de dadinhos de tapioca
A Vem foi fundada na sequência, com o nome de Vemplast, oferecendo taças de sobremesa. A fabricação terceirizada, no entanto, gerava problemas de entrega e qualidade.
Dois anos depois, Renata e Ricardo juntaram economias e investiram na montagem de uma fábrica. “Vendemos o carro e tudo o que tínhamos para comprar a máquina e alugar um galpão, onde começamos nossa operação”, lembra Ricardo.
Ele se especializou nos processos de industrialização e vendas, enquanto Renata se dedicou ao marketing e à gestão. O crescimento inicial foi impulsionado por uma demanda reprimida no mercado.
Para conquistar grandes empresas, a estratégia era demonstrar que os produtos de policarbonato, apesar de mais caros, ofereciam mais segurança e durabilidade, representando economia no longo prazo. A proposta era substituir tanto peças de vidro quanto itens de plástico descartável por alternativas mais resistentes e duradouras.
O portfólio cresceu e passou a incluir itens como copos e sopeiras. A empresa se profissionalizava e ganhava tração, mas veio a pandemia e derrubou o faturamento.
O momento exigiu diversificação. O negócio passou a produzir um protetor facial de PVC que complementava as máscaras - primeiro para doação e, depois, para venda.
Sem receita proveniente de restaurantes e hotéis, começaram a vender também para o cliente final por meio de um e-commerce. Os produtos eram os mesmos, com adaptações de preço e material.
“Ampliamos nosso portfólio com o polipropileno, uma matéria-prima mais acessível”, conta Renata. Desenvolveram ainda produtos em colaboração com chefs brasileiros, como Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó, com quem criaram um kit para padronizar a produção de dadinhos de tapioca, reduzir desperdícios e facilitar o preparo.
A ampliação do mix e o uso de outros materiais, como silicone, motivaram a mudança de nome para Vem. Hoje a empresa tem linhas de produtos de silicone para atender a negócios de panificação e começa a fornecer para o setor de vestuário, com a produção de sutiãs feitos a partir do material.
A Vem exporta para Paraguai, Uruguai, Argentina, Equador e Chile. Para 2027, o objetivo é ampliar essas vendas.
A fábrica também está crescendo: são 18 máquinas, com capacidade para produzir 1 mil peças por hora, e há planos de mudar para um espaço maior dentro de dois ou três anos. “Nosso sonho é que, daqui 10 anos, quem vai montar um restaurante ou negócio de alimentação, pense na Vem”, conclui Ricardo.
Valor